A Harley-Davidson revelou os resultados financeiros do segundo trimestre e, com eles, chegou a confirmação de que o mítico fabricante norte-americano de motociclos atravessa um dos piores momentos em 117 anos de história. É certo que as vendas da marca vêm a cair desde 2015, mas o impacto causado pela pandemia do novo coronavírus agravou ainda mais os resultados, com fábricas paradas, revendedores fechados e clientes que tardam em não aparecer depois do reinício da actividade.

Em reflexo disso, os números não deixam margens para dúvidas: no segundo trimestre, as vendas globais baixaram de 71.800 unidades em igual período de 2019 para 52.700, uma queda de 27% que leva que no acumulado dos primeiros seis meses do ano as vendas tenham acusado um recuo de 23%, totalizando 93.200 unidades contra as 121.000 comercializadas no período homólogo do ano anterior.

Como tal, o segundo trimestre conduziu a um prejuízo líquido de 92 milhões de dólares (78 milhões de euros), o que leva a que as contas dos primeiros seis meses do ano registem perdas de 23 milhões de dólares (19,5 milhões de euros). No extremo oposto, em 2019, a Harley-Davidson teve 196 milhões de dólares de lucro no segundo trimestre e 324 milhões na primeira metade do ano.

Os prejuízos raramente são motivo de satisfação, sobretudo quando, além de justificados por custos de reestruturação, decorrem de uma diminuição da receita de 28%. Ainda assim, perante este quadro, para mais agravado pela desvalorização em bolsa do fabricante de Milwaukee, o presidente e CEO da marca, Jochen Zeitz, prefere passar uma mensagem positiva, dizendo-se “muito satisfeito” com os resultados obtidos “nestes tempos de desafios extraordinários e de incertezas”.

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Contudo, Zeitz avança com um reajustamento do negócio que passa pela simplificação da estrutura, com a inevitável redução do número de postos de trabalho. Ao todo, globalmente, 700 pessoas irão ficar desempregadas, estimando a marca gastar 42 milhões de dólares nesta reestruturação para depois, anualmente, poupar 100 milhões por ano com as medidas adoptadas.

Os cortes não ficam por aqui. O plano de recuperação da Harley passa ainda por um corte de 30% no plano de novos produtos e uma revisão do actual portefólio, pois Jochen Zeitz considera que gama da marca é “demasiado complexa, demasiado confusa e demasiado cara de produzir”. Com este novo rumo, o novo CEO acredita que será possível “investir em produtos e plataformas que interessam mais”. Ou seja, que libertem maiores margens de lucro e que posicionem a Harley-Davidson “como a marca de motociclos mais desejável do mundo”.

A gama de motos eléctricas, que tem na LiveWire o modelo inaugural, é para expandir e a Pan America tem o futuro assegurado. Mas há motos que podem ser descontinuadas, caso da Bronx, a respeito do qual a designada estratégia The Hardwire, um plano para cinco anos, nada diz.