A Nikola começou a dar nas vistas com um interessante projecto de camiões eléctricos alimentados por fuel cells (células de combustível) a hidrogénio, de que evoluiu para veículos pesados eléctricos, mas alimentados por bateria, e pick-up. E ainda que o primeiro veículo não seja esperado antes de 2021, foi lançada  em bolsa a 4 de Junho, por 37,55 dólares o título. Cinco dias depois, atingiu 93,99 dólares, o que lhe atribuía uma capitalização bolsista superior à da Ford, surpreendendo o mercado. Mas o “fenómeno” durou pouco, pois nesta sexta-feira as acções estão a ser cotadas a 36,25 dólares.

O projecto que suporta a Nikola tem imenso potencial, pois tudo indica que certos veículos eléctricos serão mais viáveis e práticos de utilizar se a energia for produzida a bordo, através das fuel cells a hidrogénio. Tudo porque os seus depósitos de hidrogénio são mais rápidos de atestar do que as baterias de recarregar, a partir da rede.

Mas há pormenores na estratégia da Nikola para os quais urge encontrar resposta. Primeiro, onde está a tecnologia para produzir as fuel cells de que o fabricante necessita pois, que se saiba, a Nikola nunca as mostrou, nem deu provas de possuir ou conseguir fabricar fuel cells. De momento, Toyota e a Hyundai são os construtores que investem ao mais alto nível e comercializam veículos equipados com esta tecnologia. O que não impede a Toyota, por exemplo, de admitir que a tecnologia que desenvolve há mais de uma década tem de evoluir um pouco mais para se tornar competitiva em termos de custos.

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A segunda dúvida prende-se com as baterias de que vai necessitar. Também elas nunca foram vistas, nem se sabe se serão de fabricação própria ou adquiridas no mercado. Contudo, nenhuma destas questões impediu a valorização das acções, sobretudo porque o mercado parece acreditar que o futuro passará por soluções como as que Nikola defende.

A mais recente variação na cotação das acções da empresa norte-americana coincidiu com o anúncio dos resultados do 2º trimestre de 2020. Para espanto dos analistas, a Nikola reportou uma facturação de cerca de 36.000 dólares entre Abril e Junho, relativa à instalação de um sistema de painéis fotovoltaicos na casa do CEO, Trevor Milton, à semelhança do que já tinha acontecido no mesmo trimestre do ano anterior.

O facto de a Nikola não fabricar painéis, com o próprio Milton a assumir que são fornecidos pela LG e pela Hanwha, não explica o motivo que levou a Nikola a facturar o equipamento. A suspeita levou a mais uma queda de 16% no valor das acções, embora o CEO tenha tentado colocar água na fervura durante uma entrevista que deu à cadeia de televisão CNBC.