Todos os trabalhadores do Diário de Notícias, detido pela Global Media, vão entrar em layoff a partir de segunda-feira, mas na modalidade de redução do horário de trabalho, apurou o Observador junto de fontes da redação.

A redução no horário de trabalho, prevista no layoff simplificado, será diferente consoante os escalões de rendimento ou a função. Os trabalhadores que ganham mais trabalharão menos horas, com o respetivo corte salarial. Por exemplo, segundo relatos recolhidos pelo Observador, há casos de trabalhadores com salários brutos acima de 2.500 euros que terão o horário de trabalho reduzido para metade. Nestes casos, os funcionários alternam entre uma semana de trabalho de dois dias e outra de três, mas não trabalham aos fins de semana.

Os outros órgãos de comunicação do grupo – como a TSF e o Jornal de Notícias – também entrarão em layoff no início da próxima semana, mas com adaptações distintas. Como já tinha sido avançado pelo Público, o desportivo O Jogo também ficará em layoff parcial.

No caso da TSF, o Observador apurou que todos os trabalhadores terão um corte de 25% nas horas trabalhadas (independentemente do salário e da função), com a consequente redução no vencimento. Na prática, os jornalistas da rádio estarão em trabalho em 3 semanas de um mês e na quarta não. O Observador sabe que os trabalhadores da TSF não foram ainda diretamente notificados pela administração da empresa, como exige a lei, tendo sido informados da decisão pela direção de informação.

Ainda esta semana, Ferreira Fernandes e Catarina Carvalho demitiram-se dos cargos de diretor e diretora executiva do Diário de Notícias por não concordarem com as medidas implementadas pela Global Media para fazer face à crise da Covid-19. A administração nomeou o atual subdiretor Leonídio Paulo Ferreira para diretor interino. O Observador tentou contactar Leonídio Paulo Ferreira, mas não obteve resposta.

Demissões no DN. Ferreira Fernandes e Catarina Carvalho saem da direção

A decisão já era esperada depois de ter sido enviado à redução pelo diretor demissionário um email, a lamentar que, devido à crise da Covid-19, a Administração aplique “medidas em que a redação do DN está entre as mais atingidas”.

“Fomos informados pela Administração que a crise do covid-19 vai levar o grupo GMG a medidas em que a redação do DN está entre as mais atingidas – decidiu a Administração. Lamentamos. Por isso, a partir de hoje, Ferreira Fernandes e Catarina Carvalho não podem continuar na direção do DN”, lê-se no email, a que o Observador teve acesso.

De acordo com informação divulgada pela ERC, a Global Media Group registou em 2018, prejuízos de 9,1 milhões de euros, um agravamento face aos 4,5 milhões de euros registados em 2017.