É mais uma tomada de posição de Harry e Meghan nos EUA que vai tendo o seu eco, e dividindo opiniões, do outro lado do Atlântico, em solo britânico. Ao lado do marido, e apesar de o rigoroso protocolo seguido pelos membros da família real britânica recomendar que mantenham a sua neutralidade em assuntos de política, desaconselhando qualquer tipo de envolvimento, Markle pediu aos norte-americanos para exercerem o seu direito de voto nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

“A cada quatro anos dizem-nos o mesmo, que estas são as eleições mais importantes da nossa vida. Mas estão são mesmo. Quando votamos, os nossos valores são transformados em ações e as novas vozes são ouvidas. A vossa voz recorda-vos que vocês têm importância, porque merecem ser ouvidos”.

O casal surgiu em vídeo esta terça-feira, que coincidiu com o National Voter Registration Day, numa emissão especial da ABC dedicada à TIME 100, a conhecida lista anual de cem personalidades mais influentes eleitas pela revista, mantendo assim a toada altamente participativa que tem vindo a cultivar desde que se instalaram nos EUA, do campo dos direitos civis às alterações climáticas. De resto, lembra a Time, o envolvimento mais direto da coroa britânica não é inédito — nem o voto real expressamente proibido. Em 2003, por exemplo, a própria rainha Isabel II apelava ao voto dos galeses, mostrando então como era vital para que “as nossas instituições democráticas floresçam”. Mais tarde, por ocasião do referendo na Escócia, em 2014, numa intervenção pouco usual, alertou os eleitores “para pensarem no seu futuro”.

Mas a intervenção de Harry e Meghan parece ir além do repto com pendor cívico da soberana, estando os duques de Sussex a ser visados por aquilo que parece ser de igual modo uma declaração de intenções: a rejeição de Donald Trump e o apoio a Joe Biden. Pelo menos a avaliar pelos termos eleitos pelo príncipe, que pediu aos eleitores para “rejeitarem o discurso de ódio, a desinformação e a negatividade online”. Recorde-se que antes de fazer parte da família real britânica, Meghan criticou publicamente a então candidatura de Trump à Casa Branca, durante uma aparição no programa The Nightly Show com Larry Wilmore, no qual acusou o líder republicano de “misógino” e de “provocar divisões”. Já esta semana, a feminista Gloria Steinem sublinhou o empenho de Meghan nas eleições e revelou que Markle está “muito entusiasmada” por ver Kama Harris nomeada para vice-presidente, um forte sinal de que o seu apoio deverá recair sobre os democratas.

Quantos aos comentários que surgem associados ao vídeo partilhado pela Time, como sempre que se fala de Harry e Meghan não reina o consenso. “Que insulto ter estes dois idiotas num vídeo a dizerem aos americanos para votar. Um príncipe inglês?”, atira um leitor. “Que discursos impressionante”, defendem outros.

Na mensagem, que terá sigo gravada na atual residência do casal, na Califórnia, Harry partilhou ainda que não reunia as condições para votar dia 3 já que não é um cidadão norte-americano, e que nunca votou no Reino Unido, o seu país natal. Ainda assim, dirigiu-se aos americanos desafiando-os a serem mais conscientes sobre o tipo de informação que consomem online e offline. Por sua vez, Meghan Markle tornar-se-á a primeira pessoa a pertencer à família real britânica que vai exercer o seu direto de voto, intenção que manifestara em agosto numa entrevista à revista Marie Claire.