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Se o mundo já não estava louco o suficiente, eis que chega este domingo a nova aposta da HBO, “30 Monedas”, para subir mais um degrau na loucura, ou, se quiser, no medo. Esta produção espanhola de fantasia e horror foi realizada por Álex de La Iglesia (“El Dia de la Besta” ou “El Bar”), traz-nos a desventura passada em Pedraza (Segovia) contra um perigoso inimigo demoníaco que anda à procura de moedas — numa alegoria às 30 moedas de prata que Judas ganhou por ter traído Jesus Cristo. E a personagem principal não podia ser menos improvável: Padre Vergara (Eduard Fernández), ex-presidiário, amante do boxe, fumador, de cabeça rapada, que agora vai ter de se resolver com o seu passado.

Há ainda uma veterinária (sim, porque uma vaca pariu um bebé) e um presidente de câmara (daqueles que mete mesmo mãos à obra) e juntos vão tentar derrotar este monstro. Comparações com “Lovecraft Country” são bem vindas — mas também com “The Preacher”, um pouco mais antiga, mas muito semelhante, nem que seja porque o protagonista também tem uma clérgima à volta do pescoço. Numa mesa redonda virtual, Álex de La Iglesia falou das suas influências, que vão de John Carpenter a H.R. Giger, das dificuldades de fazer uma produção sem os recursos de Hollywood e do fascínio pelo género de horror, “a sua casa”, onde é possível “ter a figura de Satanás, de fato e gravata, a falar da Criação”.

“Não somos uma produção americana, não trabalhamos em Hollywood com milhares de técnicos, com muita experiência. Fizemos tudo nós próprios. Podíamos ter gravado em locais urbanos, como acontece em ‘Silent Hill’ ou ‘Wayward Pines’, mas Pedraza, onde só se entra através de um portão, foi perfeita para a história. Um local medieval, a lembrar o século XX, onde não existe um edifício normal”.

É assim que o realizador espanhol começa por defender o seu mais recente trabalho, antecipando já uma segunda temporada, confessando que, mesmo não tendo os mesmos meios norte-americanos, é possível conseguir o mais importante: entreter e obter uma reação do público. Especialmente quando os monstros que nos surgem no ecrã têm cara de bebé. “Sempre gostei de adaptar lovecraft’s [subgénero de terror sobre o desconhecido], falar de criaturas que não sabemos exatamente o que são. Mas esta criatura que surge do início da série assusta por causa da sequência anterior. É como nos filmes dos anos 50, quando se via um monstro de latex, só que antes tínhamos a cara de uma mulher a gritar que nem uma louca. É aí que sentes que o monstro é bom, porque o grito é bom”, diz. Ou seja, a responsabilidade está do lado dos atores, porque se o medo lhes salta da garganta, talvez contagie o público. “Mas se a reação dos atores não é boa, estás perdido”, argumenta.

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