O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), anunciou esta quarta-feira que Celeste Correia passa a integrar o executivo, substituindo o vereador da Proteção Civil, Carlos Castro, que se demitiu depois de ter sido vacinado contra a Covid-19.

Demitiu-se o vereador da câmara de Lisboa que foi vacinado com doses que sobraram de lares de idosos

O chefe do executivo municipal prestou esta informação no início da reunião pública da autarquia, a decorrer à tarde por videoconferência esta quarta-feira.

Celeste Correia, de 72 anos, que já exercia as funções de vereadora em regime de substituição, foi deputada à Assembleia da República pelo Partido Socialista durante vários anos.

Questionado pelo vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, Medina não adiantou qual o pelouro que a nova vereadora irá assumir, remetendo essa informação para um despacho a ser publicado “em breve”. O autarca avançou apenas que os pelouros da Higiene Urbana e do Desporto passarão a ser responsabilidade do vereador do Ambiente, José Sá Fernandes.

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Carlos Castro (PS) renunciou ao cargo de vereador da Proteção Civil em 16 de fevereiro, depois de ter sido vacinado contra a Covid-19 quando foram administradas doses que sobraram dos lares. Na altura, o município indiciou que o pelouro da Proteção Civil passará a ser assumido pelo vereador Miguel Gaspar, detentor das pastas da Mobilidade, Segurança, Economia e Inovação. Na carta dirigida ao presidente da câmara, Carlos Castro justificou a decisão com o “mal-estar em vários serviços do município” provocado depois de ter sido vacinado, considerando, assim, que não estavam reunidas as condições para continuar no cargo.

“Por não querer que os serviços municipais percam o seu foco, porque ainda estamos num árduo combate, e não quero contribuir para uma situação de instabilidade interna, verifico não estarem reunidas as condições para permanecer em funções e, por isso, apresento a minha renúncia ao cargo”, afirmou no documento, divulgado na sua página do Facebook.

Carlos Castro salientou que “nunca quis beneficiar de nada, nem prejudicar ninguém”, reforçando que a sobra que lhe foi administrada foi “validada por um delegado de saúde”. No dia 9 de fevereiro, a Câmara de Lisboa fez saber que, na sequência da vacinação em lares e residências para idosos, sobraram 126 vacinas, uma média de 18 por dia.

Dando cumprimento às determinações das autoridades de saúde, indicou então a autarquia, foram ministradas 26 doses das vacinas a elementos das equipas envolvidas diretamente da operação de inoculação nos lares, designadamente 15 enfermeiros e oito elementos da Proteção Civil municipal presentes no local da vacinação, entre os quais o vereador com a pasta respetiva, e também três elementos da Higiene Urbana, entre os quais a sua diretora, envolvidos no processo de recolha das seringas utilizadas na vacinação.

As restantes 100 sobras “foram ministradas a profissionais dos grupos constantes na primeira fase de prioridade definida” pela Direção-Geral da Saúde. Foram assim vacinados 56 bombeiros voluntários e o comandante e subcomandante do Regimento de Sapadores Bombeiros, e 42 elementos da Polícia Municipal, incluindo o comandante”, especificou a autarquia na ocasião.