A gargalhada continua de miúda feliz, a voz continua límpida — e se há agudos que não chegam à nota a que chegavam, continua a arrumar a um canto a maioria das vocalistas de 20 anos. Esta sexta-feira, no penúltimo dia do festival açoriano Tremor, Lena d’Água chegou, viu e comoveu. Para quem gosta da canção pop bem trabalhada, eis uma estrela que este país resgatou.

Já o concerto começara quando Lena d’Água suspirava: “Ai, nem sei que vos diga. Tinha muitas saudades da vossa ilha, há muitos anos que não vinha cá cantar”. E no entanto, o regresso não não só ficou a dever ao passado como vimos uma Lena d’Água na sua melhor forma, misturando o melhor do seu repertório antigo e clássico (só faltou “Robot”) com as canções do álbum que a trouxe de volta à ribalta da música portuguesa: Desalmadamente, editado em 2019, com temas de Pedro da Silva Martins, arranjos de They’re Heading West, produção de Benjamim (Luís Nunes) e a voz única de Lena d’Água.

Ver a cantora em palco em 2021, nos moldes em que a vimos esta sexta-feira no Parque de Lazer do Poço Largo, em Vila Franca do Campo, São Miguel, parece quase um milagre. Por um lado, porque até há pouco tempo ver um concerto de pé parecia uma utopia futurista. Lena d’Água notaria aliás isso, dizendo que estava “muito feliz por estar cá e por vocês estarem cá também — e não estarem todos sentados em cadeirinhas… há um ano e meio que não víamos isto”. Por outro lado, quantas estrelas pop dos anos 80 desaparecem do radar e voltam muitos anos depois, com grandes cantigas e um álbum novo cheio de pérolas?

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