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O comício era da CDU em Almada, mas foram quase tantas as vezes que se ouviu a palavra “CDU” como “PS”. Jerónimo de Sousa encerrou esta tarde o comício do partido no município, em que acusou a atual gestão do PS de ter trazido “retrocesso” a Almada. Debaixo de vento mas de um calor abrasador, o secretário-geral do PCP assumiu que está confiante na recuperação da autarquia para os comunistas, mas o discurso foi apontado a Inês de Medeiros e à gestão dos últimos quatro anos. “Eles sabem que a obra da CDU em Almada, interrompida há quatro anos, está bem viva e as provas dadas pelos nossos candidatos põem a candidatura do PS nervosa”, aponta Jerónimo de Sousa.

O líder comunista vai mais longe e defende que a candidatura encabeçada por Inês de Medeiros “já se assume como oposição à CDU”. Acusa a gestão do PS em Almada como de “paralisia e retrocesso” e acredita que os munícipes “comparam o antes, com a CDU, e o depois, com o PS”, afirmando que “quatro anos bastaram para ver como Almada andou para trás”.

Num discurso que teve de ser interrompido (“Camaradas, desculpem estar um pouco rouco, mas foi tão bonito ontem em Viana do Castelo, em Guimarães, no Porto… que valeu a pena a rouquidão, valeu sim”), Jerónimo de Sousa garantiu que Maria das Dores Meira é a mais bem colocada para assumir os destinos de Almada e acusa Inês de Medeiros de ter prometido “proximidade e participação e o que se vê é distanciamento e desprezo”.

Maria das Dores Meira, candidata da CDU a Almada, interveio antes do líder comunista, para também apontar baterias à principal adversária. A advogada, que defende que “a obra [em Setúbal] fala por si”, alinha no discurso do secretário-geral do PCP e não poupa nas críticas. “De forma atabalhoada, o atual executivo deu início a um trabalho de cosmética no final do mandato”, aponta, acusando Inês de Medeiros de ter transformado Almada “num estaleiro” e de fazer “obras para encher o olho”, que “a Comissão Nacional de Eleições já condenou como propaganda ilícita e desonesta”.

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A ex-presidente da Câmara de Setúbal e candidata à Almada cometeu ainda a chamada “gaffe”, ao dirigir-se aos habitantes de Almada como “setubalenses”. Prontamente corrigiu: “Peço desculpa. Almadenses. Peço muita desculpa, mas isto… ainda não está no sítio. Peço desculpa”. O episódio foi rapidamente esquecido entre os fortes aplausos a Maria das Dores Meira.

No fim, as críticas à candidata do PS à Câmara de Almada estenderam-se ao líder máximo do partido, o secretário-geral socialista, pela “forma abusiva” com que António Costa tem referido o Plano de Recuperação e Resiliência nestas eleições. “A nossa indignação tem a ver com a habilidade do cidadão António Costa de retirar, à hora de almoço, a gravata oficial de primeiro-ministro, abrir o botão de cima da camisa, arregaçar as mangas e oferecer aos candidatos do seu partido fatias da tal bazuca“, concluiu, arrancando fortes assobios da plateia naquele que é o ex-bastião comunista, que a CDU acredita recuperar no dia 26 de setembro.