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“Best Sellers”

Michael Caine interpreta, nesta fita de Lina Roessler, Harris Shaw, um escritor intratável, copofónico e anti-social que teve um colossal “best-seller” há várias décadas e nunca mais publicou nada. Como deve ainda, por contrato, um livro à sua editora, a filha do antigo proprietário desta, Lucy Stanbridge (Aubrey Plaza), que acaba de assumir a direção da casa e a encontrou quase falida, tenta convencê-lo a acompanhá-la numa derradeira digressão promocional da nova obra, esperando torná-la num sucesso de vendas. “Best Sellers” não reserva qualquer surpresa ao espectador, mas diz algumas coisas com graça e relevância sobre a revolução sofrida pela indústria livreira na era do digital, das redes sociais e da nova iliteracia, não abusa do sentimentalismo e Michael Caine é um daqueles atores que dá sempre gosto ver, nem que seja a ler a lista telefónica. Ou, no caso de “Best Sellers”, a aterrorizar um crítico literário pedante ou a deitar fogo ao livro de Shaw numa livraria. Além disso, já é raro ver um filme em que o protagonista fume como uma chaminé, beba como uma esponja e não se arrependa disso.

“Abraça-me com Força”

Passados uns bons 20 minutos após o início de “Abraça-me com Força”, o novo filme realizado pelo ator francês Mathieu Amalric, ainda não percebemos nada do que está a acontecer. A personagem interpretada por Vicky Krieps, uma mãe de família que vive na província, parece, uma certa manhã, e repentinamente, ter decidido sair de casa e deixado para trás o marido, a filha adolescente, o filho mais pequeno, as rotinas diárias, a sua vida quotidiana. Mas há comportamentos que não fazem sentido, planos que não batem certo. E pouco a pouco, e se nos armarmos de alguma paciência, percebemos que “Abraça-me com Força” é um melodrama sobre a dor, a confusão e o desespero da perda dos entes mais queridos, só que desconstruído, estilhaçado, com a temporalidade completamente baralhada e subvertida por Amalric. Alguns poderão achar este dispositivo fascinante e desafiador. No que me diz respeito, “Abraça-me com Força” exaspera e fatiga mais do que intriga e comove. Prefiro fazer os meus “puzzles” em casa do que ter que os resolver no cinema.

“A Tragédia de Macbeth”

Denzel Washington interpreta o papel de Macbeth e Frances McDormand é a sua ambiciosa e maléfica mulher, Lady Macbeth, nesta nova adaptação, realizada por Joel Coen (o seu irmão Ethan não mostrou interesse no projeto), que também escreveu o argumento, da tragédia de William Shakespeare, para a Apple TV+. A fita foi rodada num preto e branco intensamente contrastante, com cenários extremamente estilizados, um pequeno elenco, sem preocupações de veracidade histórica e um mínimo de espectacularidade. “A Tragédia de Macbeth” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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