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Uma rede de comboios secreta, escritórios iguais em cidades diferentes, um regime de quarentena estrito e protocolos de segurança cada vez mais elaborados. A rotina diária de Vladimir Putin, descrito por alguns como cada vez mais “paranóico”, foi revelada por um ex-agente dos serviços secretos russos, que teve um acesso privilegiado aos elaborados protocolos de segurança para manter o líder russo a salvo.

Gleb Karakulov, ex-capitão do Serviço de Proteção Federal (FSO), uma organização russa encarregue de proteger os principais representantes estatais, diz que as medidas adotadas para Putin visam sobretudo manter secreto o paradeiro do Presidente russo — que, diz Kapulov, “tem um medo patológico pela própria vida”.

Exemplo disso é o comboio secreto usado por Putin para se deslocar. Numa entrevista a um meio de comunicação russo, o ex-agente, que viajou extensivamente com o chefe de Estado russo ajudou a transmitir algumas das suas mensagens secretas, o meio de transporte “não é detetável por qualquer meio de informação. Opera de forma completamente furtiva.”

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A existência do comboio tornou-se conhecida após uma investigação de o meio independente Proekt, que descobriu uma série de ligações secretas, com paragens próximas das residências pessoais de Putin em Moscovo e em Sochi. Na entrevista, Karakulov, que apelidou o líder russo de “criminoso de guerra”, descreveu Putin como alguém que “perdeu contacto com o mundo”.

Ele tem vivido num casulo de informação no último par de anos, passando a maior parte do tempo nas suas residências pessoais, que os media corretamente chamam de bunkers. Tem um medo patológico pela própria vida, e rodeia-se de uma barreira impenetrável de quarentenas e de vazios de informação. Só dá valor à própria vida, e à da sua família e amigos”, referiu.

Karakulov, cujas credenciais foram corroboradas pelo jornal The Guardian, descreve a existência de um “Estado virtual dentro do próprio Estado”, que inclui equipas de bombeiros, provadores de comida, e vários oficiais e técnicos que viajam com Putin para garantir que nada lhe acontece. “Chamam-lhe Chefe, veneram-no de todas as formas e falam dele apenas e só nesses termos”, revelou o ex-capitão do FSO.

Putin, segundo consta, não usa a internet ou sequer um telefone, dependendo inteiramente de relatórios dos seus serviços secretos para obter informações. Além disso, sempre que se desloca, o Presidente russo passa semanas em quarentena, um protocolo que também tem de ser seguido por todos os que viajam com ele, e limita ainda mais o número de pessoas com as quais o chefe de Estado mantém contacto.

O aparato de segurança, diz Gleb Karakulov, aumentou exponencialmente após a pandemia, quando Putin limitou severamente as deslocações oficiais e aparições públicas. “Fechou-se completamente do mundo. A sua visão da realidade tornou-se distorcida”.

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Apesar de tudo, Karakulov diz não ter visto quaisquer sinais de que Putin estaria doente, contrariando os relatórios de agências de informação fora da Rússia, que dizem que o líder russo teria uma doença terminal.

O antigo agente de segurança desertou para o Ocidente em outubro, durante uma visita do Presidente russo ao Cazaquistão. Durante a viagem, Karakulov fugiu com a família para Astana, e daí conseguiu sair para a Europa. Um opositor da guerra da Ucrânia, diz que esperou para desertar até conseguir convencer a mulher e a filha a saírem da Rússia com ele. Desde essa altura, diz, que não teve qualquer contacto com os pais, que apoiam a invasão da Ucrânia.

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