Quando, no outono de 2021, Squid Game se tornou o sucesso televisivo do ano, não tardou o clamor: violência gratuita, terrível exemplo para as crianças e rumores de que, por esse obscuro mundo afora, teriam começado já os fenómenos de imitação: “squid games” reais, organizados por bilionários entediados, onde, para ganhar uma fortuna fabulosa, seres humanos de verdade concorriam numa série de desafios, até à morte. Mas, se a nossa imunidade ao choque é, lamentavelmente, maior a cada coisa chocante que passa, o que cada pai ou mãe deixe uma criança ver na televisão ou no telemóvel tema que não pode condicionar nenhum criador de conteúdos para adultos do mundo, e os pretensos jogos de morte reais assunto para a justiça dos lugares onde possam ter acontecido, se é que alguma vez aconteceram, a versão de 2023 vem baralhar tudo – e baralhar-se toda.

Squid Game: O Desafio não é uma segunda temporada do fenómeno criado por Hwang Dong-hyuk; é um reality show envolvido na estética da série – papel de embrulho fabuloso, mas, ainda assim, apenas papel de embrulho. 456 concorrentes reais – alegadamente, o maior número de participantes de sempre num reality show – competem por um prémio de 4,56 milhões de dólares – alegadamente, também o maior prémio televisivo de sempre. Para isso, vão ter de jogar os jogos da série, alguns novos acrescentados para o concurso e eliminarem-se uns aos outros, até que apenas um resista e leve o prémio. Isto é, na prática, cada concorrente mandado borda fora vale mais 10 mil dólares na conta de quem chegar sozinho ao fim. Não parece bonito – e não é.

[o trailer de “Squid Game: o Desafio”:]

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