A desilusão pelo empate frente ao Le Havre que adiou o título, a festa que apareceu 24 horas depois com a derrota do Mónaco em Lyon. Já depois de ter conquistado a Supertaça, a nova versão PSG com Luis Enrique no comando ganhou também a Ligue 1 e está na final da Taça de França para fazer o pleno no plano nacional, o que permitia outro foco na Liga dos Campeões e no sonho eternamente adiado de vencer a principal prova europeia. Com Mbappé a jogar menos tempo do que é normal já a preparar a transição que haverá com a saída do avançado para o Real, com Vitinha cada vez mais influente nas operações da equipa.

“Não acho que ser goleador seja algo que tenha naturalmente em mim mas digamos que tenho a capacidade de me tornar um. Sei que tenho essa capacidade porque já o fazia nos treinos. Agora o desafio é manter este ritmo. É difícil, mas vou dar o meu melhor até ao final da época e no próximo ano. O que Luis Enrique me está a incentivar a fazer é incrível porque estou a fazer coisas que não sabia que era capaz de fazer e que posso fazer muito bem. É incrível para mim e para todos os jogadores”, comentou o português depois do título. “O Vitinha está a fazer uma época incrível. Está ao nível dos melhores médios do mundo. Pode jogar como extremo, interior, 6. É muito importante. Tem a capacidade de marcar golos. Também melhorou a nível defensivo, é capaz de marcar os jogadores, de não ser apanhados nas costas”, referiu Luis Enrique.

Mais uma vez, muito daquilo que foi o jogo do PSG em Dortmund passou pelos pés do português. Contudo, e num remake daquele que tem sido um dos principais problemas da equipa na presente temporada, ter uma batuta forte num conjunto que desafina na finalização pode não ser suficiente. Foi isso que aconteceu: num encontro em que começou melhor mas foi perdendo gás com o passar dos minutos entre uma evidente quebra física, o Borussia conseguiu segurar uma vantagem mínima na primeira mão das meias da Liga dos Campeões e vai deslocar-se a Paris na frente para tentar repetir a última final na prova em 2013.

Os primeiros minutos foram jogados quase como um espelho do arrepiante ambiente no Signal Iduna Park, ainda mais amarelo do que o habitual amarelo e muito mais ruidoso do que o sempre ruidoso. A forma como o B. Dortmund entrou deixou o PSG desconfortável na partida sem bola apesar de uma tentativa de remate de Dembélé de pé direito que saiu ao lado (11′), com Sabitzer a ter a primeira e única grande oportunidade da meia hora inicial com Brandt a ver bem a desmarcação de rutura para o remate cruzado travado com uma boa “mancha” por Donnarumma (14′). Depois, com o passar dos minutos, os franceses foram colocando o jogo mais de feição, com mais bola e jogo no meio-campo, ainda que sem desequilíbrios na frente.

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Faltavam os golos para tirar o encontro de um “encaixe” que demorava a ser desfeito apesar das constantes indicações de Luis Enrique para os seus jogadores e apareceu na baliza onde menos se esperava nessa fase da partida: Schlotterbeck teve uma rara exploração da profundidade perante a defesa subida do PSG, Füllkrug apareceu a dominar de pé direito de forma orientada e rematou depois de pé esquerdo para o 1-0 (36′). E até ao intervalo podia não ter ficado por aí, com Lucas Hernández a sair lesionado e Sabitzer a ver de novo o golo evitado por Donnarumma após cruzamento de Adeyemi amortecido por Füllkrug na área (43′).

O segundo tempo, esse, teve uma entrada de loucos onde o mais improvável foi mesmo ninguém ter feito um golo: Barcola fez um primeiro remate com perigo para defesa de Kobel (48′), Mbappé e Hakimi acertaram no poste na mesma jogada com a equipa do B. Dortmund perdida na sua área sem perceber como travar aquela autêntica enxurrada ofensiva dos franceses (51′), Fabián Ruíz apareceu de trás para desviar de cabeça ao lado com Kobel batido (56′), Füllkrug falhou isolado na área depois de uma grande jogada pela direita de Jadon Sancho (60′). O encontro era jogado a todo o gás e poderia cair para cada um dos lados.

De forma quase natural, os germânicos foram depois tentando baixar o ritmo e tirando bola ao PSG, que da primeira para a segunda parte ganhou verticalidade nos movimentos ofensivos como se voltou a ver numa jogada em que Mbappé assistiu Dembélé para mais uma defesa de Kobel (72′). Os franceses tentavam fazer um último forcing para chegarem pelo menos ao empate, com Dembélé a falhar mais uma oportunidade flagrante isolado na área (78′), Vitinha a fazer também um remate perigoso que saiu ao lado (80′) e Fabián Ruíz a ter mais uma bola de cabeça na área que saiu por cima da trave da baliza de Kobel (86′), mas o 1-0 iria mesmo prevalecer até ao final, com essa garantia de que a eliminatória está tudo menos fechada.