Uma equipa de investigadores da Finlândia afirmou este domingo ter encontrado marcas no fundo do mar que adensam as suspeitas de que um navio apreendido arrastou a sua âncora para danificar um cabo submarino ligado à Estónia. O navio, o petroleiro Eagle S, tem bandeira das ilhas Cook, mas tem sido apontado como pertencente à “frota fantasma” da Rússia.

Com um rasto perto de 100 quilómetros de comprimento, os indícios encontrados estão a ser encarados pelo chefe da investigação da polícia finlandesa, Sami Paila, como marcas de arrasto “da âncora do Eagle S”. “Conseguimos esclarecer esta questão através de investigações subaquáticas”, disse à emissora nacional finlandesa Yle, citada pelo The Guardian. A apontar para esta tese está não só o facto do petroleiro ter passado na zona, como também o de ter sido fotografado na sexta-feira sem a sua âncora a bombordo.

O equipamento danificado trata-se do cabo submarino da rede elétrica Estlink 2 que liga a Finlândia à Estónia e cuja reparação demorará meses, com a estimativa de recuperação apenas apontada para agosto de 2025. A desativação forçada da interligação poderá provocar um aumento dos preços da eletricidade na Estónia ao tornar indisponível uma das alternativa de abastecimento ao país.

[Já saiu o terceiro episódio de “A Caça ao Estripador de Lisboa”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a conturbada investigação ao assassino em série que há 30 anos aterrorizou o país e desafiou a PJ. Uma história de pistas falsas, escutas surpreendentes e armadilhas perigosas. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]

Este incidente engrossa uma sequência de cortes nas ligações elétricas, de telecomunicações e nos gasodutos do mar Báltico desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022. Em novembro, por exemplo, dois cabos de fibra ótica foram danificados nas águas entre a Suécia e a Dinamarca, num aparente ato de sabotagem atribuído a um navio chinês.

De acordo com o responsável da polícia finlandesa, resta tentar provar que o ato do Eagle S terá sido intencional. Um oficial estónio ligado à investigação diz que é difícil crer que não tenha sido um ato deliberado, já que “se se está a arrastar uma âncora, não é possível que não se dê por isso, porque o navio sairia da rota. É claramente impossível”.

Apesar de navegar com bandeira das ilhas Cook e de ter uma tripulação composta essencialmente por cidadãos georgianos e indianos, o Eagle S não só esteve atracado na Rússia como transportava gasolina sem chumbo carregada num porto russo com destino ao Egito. As circunstâncias fazem crer que o navio faz parte da chamada “frota sombra” da Rússia, utilizada para o transporte de produtos petrolíferos russos sujeitos a embargos após a invasão da Ucrânia.

Polícia finlandesa apreende petroleiro suspeito de sabotagem de cabo submarino

Após o alerta dado pela súbita desativação do Estlink 2 no dia 25 de dezembro, as autoridades finlandesas intercetaram o petroleiro antes que danos semelhantes pudessem ocorrer no Estlink 1, sendo escoltado até ao porto de Kilpilahti, a 40 quilómetros a leste de Helsínquia.

Como reação ao caso, a Rússia disse que a apreensão do navio era pouco preocupante, negando responsabilidades tal como o fez nos anteriores incidentes relacionados com infraestruturas submarinas na região. Já o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, para anunciou esta sexta-feira que a aliança irá aumentar a sua presença militar no mar Báltico.