Ficou conhecida nas redes sociais como “MAGA Granny”, ou avó MAGA, em referência às iniciais do slogan de Donald Trump “Make America Great Again”, e foi uma das cerca de 1.500 pessoas condenadas pela invasão ao Capitólio no dia 6 de janeiro de 2021. Pamela Hemphil declarou-se culpada e cumpriu pena em 2022, mas recebeu o perdão presidencial no dia 20 de janeiro de 2025, numa das primeiras ações de Donald Trump na Casa Branca. Contudo, a mulher de 71 anos rejeitou a oferta do Presidente norte-americano. “Aceitar o perdão seria um insulto aos oficiais de polícia do Capitólio, às regras da lei e, é claro, à nossa nação”, disse à BBC.
“Declarei-me culpada porque era culpada, e ao aceitar o perdão também iria contribuir para a falsa narrativa”, explica Hemphill, afirmando que considera que o governo Trump está a tentar “reescrever a história”. “Estávamos errados naquele dia, quebrámos a lei, não deveria haver perdões”, afirmou a mulher.
▲ Pamela Hemphil era conhecida como "Avó MAGA".
TNS
O que fez a “Avó MAGA”
Dias depois da invasão ao Capitólio, um agente do FBI produziu um relatório com evidências de que Pamela Hemphil planeava o ataque com semanas de antecedência. O documento traz publicações da “avó MAGA” nas redes sociais. “Não será um comício divertido de Trump planeado para 6 de janeiro, será uma guerra”, escreveu Hemphil, numa das partilhas de dezembro de 2019. Na passagem de ano de 2020, a mulher publicou uma fotografia a segurar uma arma de fogo com a legenda: “A caminho de Washington”.
De acordo com a acusação, Hemphil entrou no Capitólio no dia 6 de janeiro às 15h01, incentivando outros invasores: “Entrem, é a vossa casa”, terá dito. Entretanto, a mulher deixou a sede do poder legislativo norte-americano nove minutos depois, com a ajuda de um polícia: “Alegava medo de magoar-se no meio da multidão, então um oficial escoltou-a para fora”. A “avó MAGA” decidiu sair do Capitólio depois da reação pública de Donald Trump, que pediu para que os manifestantes fossem para casa. “Quando Trump diz algo, eu escuto”, terá dito.
Pamela Hemphil, que foi conselheira em assuntos de dependência de drogas e álcool no Idaho, declarou-se culpada por entrada violenta e conduta desordeira dentro do Capitólio. Pelo crime, serviu 60 dias na prisão federal da Califórnia, em 2022, e ao recusar o perdão permanece em liberdade condicional por mais nove meses. A mulher passou os últimos anos a criticar Trump nas redes sociais e afirma que não apoia mais o Presidente. “Tinha perdido o meu sentido crítico. Agora consigo ver que estava num culto”, disse, ao New York Times.
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Veterano da marinha também rejeitou perdão
Outro condenado que rejeitou o perdão de Donald Trump foi o veterano da marinha norte-americana Jason Riddle. Em entrevista à New Hampshire Public Radio (NHPR), Riddle disse que considera que Trump “está a tentar dizer que aquilo não aconteceu. E aconteceu. Fiz aquelas coisas, e elas não são perdoáveis. Não quero o perdão. E eu… rejeito o perdão”.
O homem, que foi dispensado do serviço na marinha pelo abuso de álcool e alega ser um alcoólico em recuperação, foi condenado por roubar propriedades do governo, já que invadiu o escritório de uma oficial do Senado norte-americano, bebeu uma garrafa de vinho e furtou um livro. “As pessoas estavam a partir janelas e eu vi um armário com álcool. Fiz o que um bom alcoólico faz, servi-me um copo, porque não?” Pelo ataque, Riddle declarou-se culpado, serviu 90 dias de prisão e foi multado em 750 dólares em abril de 2022.
▲ Jason Riddle segura uma garrafa de vinho dentro do Capitólio
Departamento de Justiça Norte-Americano
Agora, o veterano rejeita o perdão com medo de atrair atenção demais ao seu passado como apoiante de Donald Trump em futuras buscas por emprego. “Se um empregador olhar para o meu passado e reparar nas contravenções com um perdão presidencial, tende a chamar mais a atenção. E tenho a certeza de que dentro do mundo “MAGA”, entre os apoiantes de Trump, ficará tudo bem, mas não quero passar o resto da minha vida a preocupar-me se o trabalho para o qual estou a candidatar-me gosta de Trump.” Atualmente Riddle trabalha num restaurante, não se identifica mais com o discurso de Donald Trump e afirma que votou em Kamala Harris nas últimas eleições presidenciais.
Rejeitar um perdão presidencial é raro, mas é permitido pela constituição norte-americana. A 20 de janeiro de 2025 Donald Trump concedeu perdão a cerca de 1500 pessoas envolvidas na invasão ao Capitólio a 6 de janeiro de 2021. “Esta proclamação coloca fim a uma grave injustiça nacional que foi perpetrada na população americana ao longo dos últimos quatro anos e começa um processo de reconciliação nacional”, diz o documento assinado pelo Presidente.