Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assegurou esta sexta-feira que quer “a paz assim que possível”, antes de uma reunião entre Estados Unidos e Ucrânia, na próxima semana, e após críticas norte-americanas de que Kiev se recusava a negociar com Moscovo.
“Um trabalho muito intensivo com a equipa do Presidente Trump tem decorrido durante todo o dia, a diferentes níveis, com muitos telefonemas. O tema é claro: a paz assim que possível”, declarou Zelensky no seu discurso diário, transmitido nas redes sociais.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriï Sybiga, defendeu esta sexta-feira que a liderança dos Estados Unidos é “essencial” para alcançar uma “paz duradoura” na Ucrânia, após uma conversa telefónica com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
“A Ucrânia deseja o fim da guerra e a liderança dos Estados Unidos é essencial para alcançar uma paz duradoura”, escreveu o chefe da diplomacia de Kiev na rede social X, ao relatar o que debateu com o homólogo norte-americano.
I had a constructive call with @SecRubio. We discussed the upcoming meeting between Ukrainian and US delegations in Saudi Arabia. Ukraine wants the war to end, and US leadership is essential for achieving lasting peace. We also discussed ways to advance our bilateral cooperation.
— Andrii Sybiha ???????? (@andrii_sybiha) March 7, 2025
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.
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As Forças Armadas ucranianas confrontaram-se, durante o terceiro ano de guerra, com falta de soldados e de armamento e munições, apesar das reiteradas promessas de ajuda dos aliados ocidentais, que começaram depois a concretizar-se.
As tropas russas, mais numerosas e mais bem equipadas, prosseguem o seu avanço na frente oriental, apesar da ofensiva ucraniana na Rússia, na região de Kursk, e da autorização dada à Ucrânia pelo então Presidente norte-americano cessante, Joe Biden, para utilizar mísseis de longo alcance fornecidos pelos Estados Unidos para atacar a Rússia.
As negociações entre as duas partes estão completamente bloqueadas desde a primavera de 2022, com Moscovo a continuar a exigir que a Ucrânia aceite a anexação de uma parte do seu território.
A novidade é que agora também o novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer terras: terras raras, ricas em minerais essenciais para inovações tecnológicas, que vão desde veículos elétricos e turbinas eólicas a aviões de última geração, em troca da ajuda militar que Washington lhe forneceu e que entretanto suspendeu.
Terras-raras. O que são os metais valiosos que Trump quer para manter o apoio à Ucrânia?
Antes de regressar à Casa Branca para um segundo mandato presidencial, Trump defendeu o fim imediato da guerra na Ucrânia, asseverando que o conseguiria em 24 horas, mas não foi bem-sucedido até à data.
Trump tem exigido um cessar-fogo imediato e, numa discussão sem precedentes ao receber na Sala Oval da Casa Branca o homólogo ucraniano, perante a comunicação social, criticou Zelensky por não estar “pronto para a paz”, disse-lhe que ele “não tinha as cartas” para ditar os termos do fim da guerra e acabou por congelar a ajuda militar dos Estados Unidos, essencial a Kiev, depois de o Presidente ucraniano abandonar Washington sem assinar o acordo sobre as terras raras.
Na quarta-feira, o chefe de Estado norte-americano admitiu restabelecer a ajuda à Ucrânia se as conversações de paz forem retomadas, segundo o conselheiro da Casa Branca para a Segurança Nacional, Mike Waltz.
Zelensky e Putin garantiram em várias ocasiões que estão prontos para negociações de paz, mediante determinadas condições, mas nada foi materializado e continuam em lados opostos.
A Ucrânia pede garantias sólidas de segurança aos seus aliados, para evitar que Moscovo volte a atacar, ao passo que a Rússia quer uma Ucrânia “desmilitarizada” e que entregue os territórios que a Rússia afirma ter anexado, o que Kiev considera inaceitável.