O Presidente dos EUA, Donald Trump, veio na noite de domingo garantir que não aplicou qualquer “isenção” de taxas alfandegárias para dispositivos e componentes eletrónicos. A cobrança das chamadas “tarifas recíprocas” não está a ser efetuada nestes produtos, desde uma informação dada na última sexta-feira, mas essas tarifas, diz Trump, não foram eliminadas, sustenta, explicando que os produtos foram colocados noutra “categoria tarifária” em análise – ou seja, dando um sinal de que eles podem vir a ser taxados. “Ninguém se vai ‘safar’” da política comercial que está a ser aplicada por Trump contra os países que “roubam” os EUA, assegurou.
“Nenhuma exceção tarifária foi anunciada na sexta-feira”, escreveu Trump na sua rede social Truth Social, no domingo, numa publicação onde garantia que “estes produtos estão sujeitos às atuais tarifas de 20% para o fentanil [que impôs contra a China no início do seu mandato por considerar que este país não faz o suficiente para combater a produção desta droga] – estão, simplesmente, a ser movidos para outra categoria tarifária”.
Trump acrescentou que “os meios de comunicação social das notícias falsas sabem-no, mas recusam-se a noticiá-lo. Estamos a olhar para os semicondutores e para toda a cadeia de fornecimento de produtos eletrónicos nas próximas investigações tarifárias de segurança nacional”. Ou seja, o Presidente dos EUA dá a entender que, tal como já tinha dito, os EUA estão a equacionar o lançamento de uma taxa específica sobre os semicondutores, como já aconteceu com outros produtos como o aço e o alumínio.
“Ninguém se vai ‘safar’ por causa das balanças comerciais injustas e das barreiras tarifárias não-monetárias que outros países impuseram contra os EUA, especialmente a China, que nos trata de longe da pior forma”, acrescenta Trump.
A bordo do Air Force One, enquanto viajava de volta para Washington após passar o fim de semana na sua propriedade em Mar-a-Lago (Palm Beach), Trump disse aos jornalistas que o objetivo da administração era “descomplicar” o setor, porque os EUA querem “fabricar os [seus próprios] chips, semicondutores e outras coisas”. Trump recusou dizer se alguns produtos, como os smartphones, ainda poderiam vir a ser isentados, respondendo que “é preciso mostrar uma certa flexibilidade. Ninguém deveria ser tão rígido”.
[Já saiu o quarto episódio de “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]
Antes, Trump tinha anunciado a realização de uma investigação comercial a todo o setor dos semicondutores, numa perspetiva de segurança nacional. “Estamos a analisar os semicondutores e TODA A CADEIA DE FORNECIMENTO DE ELETRÓNICA nas próximas investigações sobre as tarifas de segurança nacional”, escreveu o Presidente dos EUA na sua rede social Truth Social.
No sábado, a Casa Branca indicou que a suspensão daquelas tarifas foi feita porque Trump quer garantir que as empresas têm tempo para transferir a produção para os EUA. Um dos porta-vozes da Casa Branca, Kush Desai, afirmou, em comunicado, que Trump “deixou claro que os EUA não podem depender da China para fabricar tecnologias críticas, como semicondutores, chips, smartphones e computadores portáteis”.
Sob a orientação do Presidente, estas empresas estão a esforçar-se para transferir a sua produção para os Estados Unidos o mais rapidamente possível”, disse Desai.
Segundo a CNBC, as 20 categorias de produtos listadas nas diretrizes emitidas na sexta-feira estão isentas da tarifa de 125% imposta por Trump sobre as importações chinesas e da tarifa básica de 10% sobre as importações de outros países. Uma tarifa de 20% sobre todos os produtos chineses continua em vigor. O Presidente dos EUA tinha dito no sábado que daria “uma resposta” nesta segunda-feira sobre os “chips” e dispositivos eletrónicos.
Depois da declaração feita pela administração Trump no final da semana, que levava a crer que este setor poderia ser isento das tarifas, o Ministério do Comércio da China comentou que a pretensa isenção mostrava que os EUA estavam a dar “um pequeno passo para corrigir a sua prática unilateral errónea de ‘tarifas recíprocas'”. Zhang Li, presidente do Centro Chinês para o Desenvolvimento da Indústria da Informação, disse ao jornal China Daily que as isenções provaram “o quão importante a China é para as principais empresas tecnológicas dos EUA que dependem fortemente do país para a fabricação e inovação”.
Foi já depois disso que Trump veio, afinal, garantir que não existe qualquer isenção. E também o secretário do Comércio de Trump, Howard Lutnick, disse no domingo que os produtos tecnológicos essenciais da China iriam ser taxas com novas tarifas, separadas, juntamente com os semicondutores, nos próximos dois meses.