Um ataque terrorista na Índia terá resultado na morte de pelo menos 28 pessoas, maioritariamente turistas na estação de montanha de Pahalgam, perto de Caxemira. O primeiro-ministro Narendra Modi, que na altura estava de visita à Arábia Saudita, condenou veementemente o incidente, prometendo que os responsáveis pelo “ato hediondo” serão levados à justiça. Um dia depois do ataque, o exército indiano disse nesta quarta-feira “ter eliminado dois terroristas” num tiroteio.
Pelo menos 28 turistas morreram e “muitos outros foram feridos” no ataque desta terça-feira, de acordo com o jornal The Times of India. O grupo de homens armados terá aberto fogo sobre os turistas, de forma aparentemente indiscriminada. A segurança foi reforçada no distrito de Anantnag e nas zonas turísticas próximas, com reforços mobilizados e uma operação de busca em curso para rastrear quaisquer ameaças.
Uma unidade do exército indiano, o Chinar Corps, relatou uma “intensa troca de tiros” com homens armados, dizendo que suspeitava que estes tinham “tentado uma infiltração” em Baramulla, cerca de 100 quilómetros a nordeste de Pahalgam, onde ocorreu o atentado. O exército declarou, além disso, que apreendeu grandes quantidades de armas e munições.
Nenhum grupo reivindicou o ataque que a polícia descreveu imediatamente como um “ataque terrorista”.
VIDEO | Jammu and Kashmir: Visuals of firing incident in Pahalgam, several are feared injured in terrorist attack. More details awaited.#Pahalgam #terrorist
(Full video available on PTI Videos – https://t.co/n147TvrpG7) pic.twitter.com/TpAvAooYDm
— Press Trust of India (@PTI_News) April 22, 2025
Nesta terça-feira, após o ataque, o primeiro-ministro manifestou uma profunda angústia e garantiu que seriam tomadas medidas rápidas e decisivas. “Condeno veementemente o ataque terrorista em Pahalgam, Jammu e Caxemira”, afirmou, dando os seus “pêsames àqueles que perderam os seus entes queridos”. “Rezo para que os feridos recuperem o mais rapidamente possível. Toda a assistência possível está a ser prestada aos afetados”, acrescentou Modi na rede social X. As forças indianas lançaram, então, uma caça maciça contra os terroristas.
Os responsáveis por este ato hediondo serão levados à justiça… não serão poupados! A sua agenda maléfica nunca terá sucesso. A nossa determinação em combater o terrorismo é inabalável e só se fortalecerá”, garantiu o primeiro-ministro indiano.
Modi interrompeu uma visita à Arábia Saudita e voltou nesta quarta-feira a Nova Deli. Após a chegada à capital indiana, realizou uma reunião de alto nível no aeroporto para discutir a situação, de acordo com imagens do Governo.
O ataque ocorre numa altura em que o Vale de Caxemira está a registar uma época turística de grande sucesso, com hotéis em Srinagar, Pahalgam, Gulmarg e Sonamarg a indicarem estar totalmente ocupados. Este é o primeiro grande ataque terrorista contra turistas no Vale de Caxemira em 2025, o que irá causar um grande impacto na região, especialmente porque o turismo — uma importante fonte de rendimento para a economia do Vale — tem vindo a crescer. Foi o ataque mais mortífero contra civis num quarto de século.
Desde a divisão em 1947, a Índia e o Paquistão disputam a soberania de Caxemira, de maioria muçulmana.
Na parte indiana, uma rebelião separatista causou dezenas de milhares de vítimas desde 1989. Nova Deli enviou para o local um contingente de cerca de 500 mil soldados.
Os combates diminuíram desde que o Governo nacionalista hindu do primeiro-ministro, Narendra Modi, revogou a autonomia limitada do território em 2019.
Líderes mundiais demonstram o seu apoio e prestam condolências
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, condenaram na terça-feira o atentado. “As minhas mais profundas condolências a Narendra Modi e cada coração indiano que sofre hoje [terça-feira]”, pode ler-se, numa nota na rede social X de Ursula von der Leyen.
The vile terror attack in Pahalgam today stole so many innocent lives.
My deepest condolences to @narendramodi and every Indian heart grieving today.
Yet I know that India’s spirit is unbreakable.
You will stand strong in this ordeal.
And Europe will stand with you.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) April 22, 2025
Kaja Kallas condenou “o hediondo ataque terrorista” que “ceifou muitas vidas inocentes”. “A UE mantém-se firme contra o terrorismo”, pode ler-se, na publicação na mesma rede social.
I condemn today’s heinous terrorist attack in Pahalgam, Jammu and Kashmir, which claimed many innocent lives.
Our deep condolences go to the victims, their families and the people of India.
The EU stands firm against terrorism.
— Kaja Kallas (@kajakallas) April 22, 2025
Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou veementemente o atentado, referindo que “os ataques contra civis são inaceitáveis em quaisquer circunstâncias”.
Já o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que os Estados Unidos estão “firmemente ao lado da Índia contra o terrorismo”. “O primeiro-ministro [Narendra] Modi e o grande povo da Índia têm o nosso total apoio e as nossas profundas condolências”, escreveu Trump na rede social Truth Social.
Foi divulgada a reação do chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, que condenou esta quarta-feira o ataque, qualificando-o como um “terrível ataque” de natureza terrorista.
“Presidente da República condena o ataque terrorista em Caxemira“, lê-se numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet.
Nesta mensagem, refere-se que Marcelo Rebelo de Sousa “condena o terrível ataque que vitimou mais de vinte pessoas em Pahalgam, na região de Caxemira, na Índia, e expressa as suas mais sentidas condolências aos familiares das vítimas, assim como ao povo indiano”.
Também o Presidente de Timor-Leste condenou o ataque terrorista na parte indiana de Caxemira.
“Timor-Leste condena com firmeza este ato bárbaro que ceifou vidas inocentes. Estendemos a nossa solidariedade ao Governo e ao povo da Índia, bem como às famílias enlutadas”, afirmou o chefe de Estado timorense, numa carta enviada à homóloga indiana, Droupadi Murmu.
“Reafirmamos o nosso apoio às autoridades indianas na procura de justiça e na luta contra o terrorismo. Que as famílias das vítimas encontrem conforto e força para superar este momento de adversidade”, acrescentou José Ramos-Horta, na carta divulgada pela Presidência timorense.
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