Ucrânia fora da NATO e a ceder território. Este é o plano dos EUA para aplicar a Kiev caso seja implementado o novo plano de paz apresentado por Washington aos representantes ucranianos no encontro realizado em Paris na última sexta-feira.
O órgão de comunicação social norte-americano Axios teve acesso ao plano, que foi resumido num documento de uma só página mas contém vários pontos que definem a futura integridade territorial da Ucrânia, assim como as condicionantes diplomáticas e de segurança a que Kiev terá que se sujeitar.
Muitas são as alíneas que parecem alinhar-se com as ideias que Putin terá apresentado ao enviado norte-americano Steve Witkoff, no encontro entre ambos em São Petersburgo. Segundo o Axios, estas propostas foram desenhadas logo depois dessa reunião de representantes.
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Ucrânia deve estar fora da NATO. Mas pode vir a juntar-se à UE
Um dos principais pontos do plano norte-americano inclui a premissa de que a Ucrânia não irá entrar na NATO, organização para a qual se candidatou em setembro de 2022.
Donald Trump já tinha excluído essa possibilidade no passado, afirmando em fevereiro na Casa Branca que podiam “esquecer” a integração ucraniana na aliança atlântica.
Na segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela Reuters, disse que a posição norte-americana de deixar a Ucrânia fora da NATO lhes “causava satisfação” e coincidia com as posições da Rússia.
No entanto, o plano criado divulgado pela Axios ressalva que Kiev poderia juntar-se à União Europeia, à qual a Ucrânia é candidata desde junho de 2022.
A Crimeia e o território ocupado passam para a Rússia
O plano norte-americano prevê que a Rússia anexasse permanentemente todas as regiões da Ucrânia que atualmente ocupa e controla, quer fruto da invasão de 2022 ou desde o início do conflito em 2014.
As fronteiras seriam delineadas pelos limites da ocupação parcial russa de quatro regiões ucranianas, Kherson, Luhansk, Donetsk e Zaporíjia, apesar da intenção final russa ser de as anexar totalmente.
“Existem quatro regiões incluídas na nossa Constituição. O exército ucraniano deve pousar as armas e retirar-se. Se o fizer, as operações militares acabam imediatamente”, disse esta terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista à revista Le Point.
Já a Crimeia, península do Mar Negro tomada pela Rússia em 2014, passaria a ser oficialmente reconhecida pelos norte-americanos como parte da Federação Russa. Esta ideia já tinha sido delineada pelos EUA, como noticia o Washington Post, levando a uma resposta negativa clara do Presidente Volodymyr Zelensky esta segunda-feira.
“A Crimeia é o nosso território, o território do povo da Ucrânia”, disse o líder numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira.
A resposta norte-americana foi acesa, pública e vinda diretamente das instâncias mais altas. Na rede social Truth Social, o Presidente dos EUA criticou abertamente a intransigência de Zelensky por estar a bloquear a concretização de um acordo e ameaçou: “Ele pode ter paz ou pode lutar durante mais três anos antes de perder o país inteiro”.
Por outro lado, as zonas que a Rússia ocupa na região de Kharkiv seriam devolvidas à Ucrânia, assim como a passagem no rio Dnieper seria desimpedida.
Fim das sanções e início de uma “cooperação económica reforçada”
Tendo em conta o rascunho, os Estados Unidos terão demonstrado abertura para deixar cair as sanções que o país impôs ao Kremlin desde 2014, uma onda iniciada na presidência de Barack Obama e continuada durante os mandatos do próprio Trump e de Biden que afetaram maioritariamente os laços comerciais entre ambos os países.
O documento norte-americano citado pelo Axios também prevê uma “cooperação económica reforçada” entre os EUA e Moscovo, especialmente nos sectores energético e industrial.
Esta foi também uma das exigências apresentadas no comunicado do Kremlin sobre o acordo de cessar-fogo energético. A Rússia tinha colocado o levantamento das sanções sobre bancos e empresas russas em setores da agricultura e da indústria, assim como o regresso do país ao sistema internacional para transferência de dinheiro SWIFT, do qual o país foi praticamente desligado em 2022.
Garantias de segurança e fundos para reconstrução para o pós-guerra
Estes pontos são os mais vagos, de acordo com a Axios. A proposta norte-americana apresenta “uma garantia robusta de segurança” à Ucrânia, concretizando uma vontade antiga da Ucrânia e dos aliados europeus para um eventual acordo de paz.
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Estas garantias incluem uma missão de manutenção da paz estabelecida por uma “um grupo ad hoc de países europeus e, potencialmente, também de países não europeus com os mesmos objetivos”, mas não define o funcionamento da missão nem se os EUA, que nunca quiseram intervir com estas forças até agora, farão parte desta coligação.
Para o pós-guerra, o documento apresentado promete também “compensação e ajuda na reconstrução”, mas não esclarece de onde viriam os fundos para financiar este tema.
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Nos termos deste acordo, a importante central nuclear de Zaporíjia que já foi palco de batalhas ao longo da guerra passa para as mãos dos Estados Unidos, que passarão a explorar a instalação energética que é a maior da Europa do seu género.
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O acordo de minerais entre EUA e a Ucrânia, que deverá ser assinado na próxima quinta-feira, foi mencionado também, refere a Axios, mas sem grandes detalhes.