Victor Hugo Salgado, presidente da Câmara Municipal de Vizela e presidente da Federação de Braga do Partido Socialista, está a ser investigado por suspeitas do crime de violência doméstica. As agressões terão ocorrido em fevereiro deste ano e, alegadamente, obrigaram a mulher a receber tratamento médico hospitalar em dois momentos distintos em menos de 24 horas.
Ao Observador, o Hospital de Guimarães recusou-se a prestar informações acerca da ocorrência. Foram também, ainda durante o último fim de semana, pedidos esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República sobre se teria sido reportada ao Ministério Público alguma queixa da mulher de Victor Hugo Salgado relativa a episódios de violência doméstica e se o alvo da eventual denúncia teria sido formalmente identificado. A resposta da PGR refere que “confirma-se apenas a existência de um inquérito, sujeito a segredo de justiça”.
No mesmo momento, o Observador enviou também questões à GNR sobre este caso, por ser a força policial que teria sido chamada ao hospital para registar o alegado episódio de violência contra a mulher do autarca. Na resposta, fonte oficial da GNR referiu que está a desenvolver “diligências de investigação no âmbito do processo crime em causa”, sem adiantar mais detalhes.
O Observador contactou ainda a mulher do autarca, que não prestou declarações, e tentou contactar, por várias formas, o autarca Victor Hugo Salgado, o que não foi possível até à hora de publicação deste artigo.
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Dirigente académico VHS, amigo de Pedro Nuno e autarca adorado
Victor Hugo Salgado começou a sua atividade política mais intensa na Universidade de Coimbra, onde foi duas vezes eleito presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, à época o cargo associativo mais importante no ensino superior. Nesse período trabalhou ainda com Adriano Moreira no Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior. Durante a vida académica, era membro da Orxestra Pitagórica, a satírica não-tuna da Secção de Fado. Por os seus membros atuarem com sanitas no palco e, por vezes, de fralda, a alcunha de Victor Hugo (também conhecido por VHS, num tempo em que as cassetes ainda circulavam) era “Dodot”, numa menção à conhecida marca de fraldas.
Militante do PS, Victor Hugo Salgado foi eleito deputado em 2005, beneficiando da maioria absoluta de José Sócrates. Mas com a sua experiência política, rapidamente foi recrutado por José António Vieira da Silva para assessor do ministério do Trabalho. Mais tarde seria novamente adjunto do mesmo ministro já na tutela da Economia.
Depois da experiência governativa, regressou à sua terra, Vizela. Nasceu na rua da Rainha e é de uma família conhecida na cidade, já que criou o famoso Bolinhol de Vizela. Na autarquia, foi tudo: deputado municipal, vereador e vice-presidente. Em maio de 2016 rompeu com o PS, saiu da autarquia e acabou por se candidatar como independente nas autárquicas seguintes, em 2017. Venceu a autarquia contra a poderosa máquina do PS e foi eleito presidente.
Com o apoio do amigo Pedro Nuno Santos e a bênção do secretário-geral António Costa, regressou ao partido e recandidatou-se nas listas do PS em 2021. O resultado foi uma maioria absolutíssima: 74,09 % dos votos (6 dos 7 vereadores para o PS). O autarca é muito popular no concelho e muito acarinhado pelos vizelenses.
▲ Pedro Nuno Santos com Victor Hugo Salgado na campanha das últimas legislativas
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Victor Hugo Salgado já anunciou que é recandidato a um terceiro mandato à frente do município de Vizela. No jantar de apresentação da candidatura, o amigo e secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, fez questão de estar presente e fez rasgados elogios ao trabalho autárquico.
Desde setembro de 2024 o presidente da câmara de Vizela é também o presidente da Federação do PS de Braga, uma das maiores do país, tendo superado o adversário em 10 dos catorze municípios do distrito. É, por isso, uma das peças fundamentais de Pedro Nuno no domínio que vai tendo do aparelho do PS.