O antigo empresário Harvey Weinstein foi condenado por agressão sexual num novo julgamento realizado esta quarta-feira por um júri de Manhattan, em Nova Iorque, que até ao momento não chegou a um veredito sobre as outras duas acusações em julgamento, avança a agência Reuters.

Já foi um dos mais poderosos magnatas do cinema norte-americano e caiu em desgraça devido ao movimento #MeToo. Weinstein foi novamente presente a julgamento depois de, em 2024, um tribunal estadual de recurso ter anulado a sua condenação de 2020. Na altura, foi acusado pelo Ministério Público de ter violado uma aspirante a atriz e de ter agredido sexualmente duas outras mulheres. O antigo empresário, de 73 anos, declarou-se inocente e negou ter assediado alguém ou ter tido relações sexuais não consentidas.

Apesar de a condenação ter sido anulada, o caso foi reenviado para novo julgamento no mesmo tribunal e desta vez, com um júri maioritariamente composto por mulheres, o antigo produtor foi condenado por submeter Miriam Haley, uma antiga assistente de produção, a um ato sexual criminoso em 2006.

No entanto, os jurados absolveram Weinstein de outra acusação relativa a Kaja Sokola, quando a então aspirante a atriz tinha apenas 16 anos, em 2002, e ainda não chegou a um veredito sobre a terceira acusação, que diz respeito à violação da aspirante a atriz Jessica Mann, em 2013.

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Independentemente da decisão final do tribunal relativa à terceira acusação, Weinstein já enfrenta uma nova sentença de até 25 anos de prisão — que se somam aos 16 anos a que foi condenado pela justiça da Califórnia, noutro processo paralelo.

Segundo a Reuters, o julgamento, que foi iniciado a 23 de abril, tem sido marcado por relatos de discussões entre os jurados, com “gritos e berros” na sala de audiência e ameaças: um dos jurados “deixou muito claro que não vai mudar a sua posição”, afirmou o juiz Curtis Farber, acrescentando que outro jurado respondeu-lhe que “um dia [o] vai encontrar lá fora”.

Por seu turno, Weinstein, de 73 anos, nega ter agredido sexualmente ou violado quem quer que seja e alega que tem problemas de saúde (leucemia e diabetes), comparecendo na sala de audiências numa cadeira de rodas.

Em fevereiro de 2020, um júri nova-iorquino considerou Weinstein culpado de ter violado e agredido sexualmente várias mulheres. A condenação foi um marco importante para o movimento #MeToo, que encorajou as mulheres a apresentarem queixa da má conduta sexual por parte de homens poderosos como Weinstein. Mais de 100 mulheres, incluindo celebridades, acusaram Weinstein de má conduta.

O antigo empresário foi co-fundador do estúdio Miramax. O seu próprio estúdio de cinema homónimo declarou falência em Março de 2018, cinco meses depois de as acusações terem vindo a público.