A polícia espanhola pode ter solucionado um caso de assassinato que aconteceu há 20 anos e estava prestes a prescrever. Trata-se da morte de Juan Manuel Leiva González, que desapareceu em setembro de 2004 em Reus, na Catalunha. De acordo com o El País, a ex-namorada e mãe de uma filha da vítima, que tinha 34 anos quando morreu, está detida desde fevereiro e vai ser acusada pelo homicídio. O crime prescreveu no mês seguinte.

Em setembro de 2004, a irmã de Leiva foi à estação de polícia de Reus para notificar o desaparecimento do irmão. Na altura, a polícia encontrou a carrinha do homem perto de uma estação de comboio em Tarragona, tendo alguém feito chamadas telefónicas a fingir ser a vítima e a dizer que estava na França. “Ninguém sabia o que tinha acontecido. Não havia corpo, nada, e os criminosos deixaram pistas que fizeram as pessoas acreditarem que ele tinha partido por vontade própria“, explicou um inspetor da Polícia Nacional.

Já em junho de 2021, em Riudecols, a cerca de 14 quilómetros de onde Juan Manuel Leiva desapareceu, uma mulher que comprou uma propriedade encontrou um saco plástico no fundo de uma calha que guardava uma ossada. O corpo tinha os pés e as mãos amarrados e pedaços de roupas. “Desde o início pensámos que era uma morte não natural, um homicídio, mas não sabíamos o que tinha acontecido, nem quem era o assassino”, revelou, por seu turno, um o inspetor da divisão de investigação de Mossos d’Esquadra.

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Apesar das tentativas de realizar testes de ADN, o corpo permaneceu não identificado até fevereiro de 2024, quando a irmã de Leiva foi àquela estação de polícia. “Explicou que há alguns meses alguém lhe dissera que a ex-namorada do seu irmão e o seu namorado tinham sido os responsáveis pela morte do seu irmão”, afirmou o inspetor de polícia. O motivo para a informação só ter sido revelada quase 20 anos depois do crime era o namorado da suspeita, que tinha perfil violento e registo criminal por tentativa de homicídio. O homem morreu em 2022 e assim a irmã da vítima teve a confirmação do que a família já suspeitava.

A divisão de investigação dos Mossos d’Esquadra notificou a Polícia Nacional, que coordenou as investigações de 2004, e assim foi possível confirmar que o corpo encontrado em Riudecols era mesmo do homem desaparecido em Reus. Entretanto, não foi possível colher novas evidências físicas da carrinha de Leiva. “Tudo o que temos é com base em pistas“, assumiu o inspetor de Mossos d’Esquadra. A conclusão final dos investigadores é de que Juan Manuel Leiva González foi morto pela ex-namorada e pelo seu namorado da altura, que o terão assassinado, escondido o corpo e criado a história de que o seu desaparecimento foi uma fuga. Ainda de acordo com as investigações, exames forenses apontaram para ferimentos no braço e nas costelas, provavelmente causados por uma faca.

A polícia não avança com um motivo, mas acredita que estará relacionado com um mau relacionamento entre ambos após o fim da relação e um possível ganho financeiro, já que a ex-namorada de Leiva tinha a intenção de adquirir uma empresa propriedade do antigo companheiro. “Nunca acreditei que ele tivesse partido”, disse Jessica, filha da vítima, que tem hoje 37 anos. “Sempre acreditei que tinha sido ela, mas não tinha forma de provar. Não sei o que encontraram. Mas se for ela, deve pagar”. O caso ainda será julgado.