A possibilidade de um ataque a infraestruturas militares norte-americanas no Médio Oriente já começava a ser abordada e aconteceu esta segunda-feira. Primeiro, o Qatar anunciou o encerramento do espaço aéreo — e foi noticiado que estava em causa uma “ameaça credível e iminente” —, logo de seguida o som das explosões confirmou o alerta. O Irão lançou mísseis contra uma base militar dos EUA. Não há vítimas e Donald Trump considerou a retaliação fraca.
O ataque — que o Irão assegura que foi uma “operação bem-sucedida” que “destruiu” a base e que os EUA dizem que praticamente não causou danos — tinha como principal alvo a Al Udeid, a base aérea dos EUA no Qatar, que se localiza a sudoeste da capital do país, Doha, e é a maior base do país no Médio Oriente.
Segundo a Al Jazeera, tem 24 hectares e dirige as operações dos EUA numa grande faixa do território que vai do Egito ao Cazaquistão. Este quartel-general norte-americano tem sido fundamental em operações militares na Síria, Iraque e Afeganistão, bem como em missões de vigilância e resposta a crises na região do Golfo.
A base foi ali sediada devido a um acordo de cooperação de defesa em 1996 e tem capacidade para 10 mil soldados, sendo que não se sabe quantos elementos estão neste momento no local. A agência Reuters noticiou, na semana passada, que o Pentágono começou a retirar aeronaves de Al Udeid devido à crescente ameaça de possíveis ataques iranianos — que agora se confirma.
De acordo com imagens satélite partilhadas pelo New York Times, da Planet Labs, esta segunda-feira a base estava praticamente vazia. Ao contrário do dia 5 de junho, por exemplo, em que a imagem capturada mostra vários aviões estacionados na base, no dia do ataque, 23 de junho, só se encontrava um avião na base aérea dos EUA.
Por outro lado, não se confirmou o ataque a bases norte-americanas em Israel, como inicialmente foi divulgado. Os EUA desmentiram mesmo o Irão e asseguraram que não houve mais nenhum ataque iraniano além daquele que atingiu a base aérea Al Udeid, no Qatar.
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No que toca a números também não há um consenso: Trump referiu que foram disparados 14 mísseis, 13 dos quais foram intercetados e um desviado da rota programada; enquanto o Qatar afirmou que o Irão disparou 19 mísseis contra a base aérea dos EUA e que um deles foi atingido.
Além disso, o Irão, que terá coordenado os ataques contra a base norte-americana no Qatar com autoridades do Golfo Pérsico com o objetivo de minimizar as baixas, também informou a administração de Donald Trump horas antes da ofensiva. O Presidente dos EUA acabou por agradecer ao Emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, “por tudo o que fez na busca pela paz na região”.
Numa declaração na rede social Truth, Trump disse estar “satisfeito” por poder divulgar que “além de nenhum norte-americano ter morrido ou ter ficado feridos, é que não houve qataris mortos ou feridos”. O Presidente norte-americano mostrou-se ainda esperançoso de que a retaliação iraniana tenha “tirado do sistema” de Teerão todo o “ódio”. “Espero que, felizmente, não haja mais mais ódio”, afirmou Donald Trump na Truth Social. E acrescentou que é “tempo para a paz”, dando os “parabéns ao mundo”.
Poucas horas depois, Donald Trump anunciou mais: um cessar-fogo “total e completo” entre Israel e Irão que começa nas próximas horas com as seguintes etapas: os dois países têm seis horas para continuar e pôr fim às “missões finais”; depois o Irão vai começar o cessar-fogo e Israel começa o cessar-fogo mais tarde, doze horas depois. O cessar-fogo total e completo surge depois de 24 horas sem hostilidades.
No dia do ataque, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerão está a considerar suspender a sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA),que acusa de falta de profissionalismo. “Procuramos aprovar (no parlamento) um projeto de lei para suspender a cooperação do Irão com a AIEA”, escreveu Ghalibaf no X, criticando a alegada falta de objectividade e profissionalismo da agência de vigilância nuclear da ONU. A AIEA adotou uma resolução no início de junho condenando a falta de cooperação de Teerão com a agência em relação às suas atividades nucleares.
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