O juiz Leopoldo Puente, do Supremo Tribunal de Justiça de Espanha, colocou em prisão preventiva o antigo número três do Partido Socialista (PSOE), Santos Cerdán, após este ter prestado depoimento esta segunda-feira pelas supostas negociações de comissões de pelo menos 520 mil euros, pagas por empresas de construção, na adjudicação de obras públicas.
Cerdán deu entrada esta segunda-feira, por volta das 17h00 locais (16h00 em Lisboa) no estabelecimento prisional de Soto del Real, nos arredores de Madrid. O antigo dirigente socialista terá de cumprir a prisão preventiva já que o juiz Leopoldo Ponte não concedeu a possibilidade de pagamento de fiança.
De acordo com o El País, foi a primeira vez que o MP pediu uma medida privativa de liberdade para um envolvido no chamado caso Koldo — promoção que acabou por ser seguida pelo juiz. Segundo o mesmo jornal, o pedido do MP foi fundamentado com a existência de risco de fuga, destruição de provas e até mesmo coação de testemunhas.
Alejandro Luzón, procurador-geral anticorrupção, já tinha afirmado que “Santos Cerdán levou a corrupção ao Ministério”, classificando o antigo número três do PSEO como “chefe de uma organização criminosa” para “conseguir entrar no governo, nada mais do que no Ministério com maior orçamento do governo”.
Luzón sublinhou, ainda, que “os indícios dos crimes são evidentes”, como comprovam as gravações de áudio feitas pelo ex-assessor Koldo García, com mensagens muito expressivas que dão um “contexto sólido” às acusações e que têm “uma enorme carga incriminatória”.
Na audiência desta segunda-feira no Supremo Tribunal Espanhol, Santos Cérdan tomou a palavra por mais de uma hora para alegar a sua inocência. “Declaro-me inocente. Não aceitei nem um euro. Como também não aceitou o PSOE”, disse o antigo secretário de Organização do partido socialista espanhol. “O meu único delito é ter trabalhado para que existissem governos de coligação de esquerda em Espanha”, defendeu.
Na sequência do depoimento de Cerdán, o presidente de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page, assinalou que não podem apresentar-se como vítimas aqueles que “foram determinantes na sua trajetória política”, referindo-se, sem o mencionar, a Pedro Sánchez, que o elevou a um lugar de topo no PSOE.
Por seu turno, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, expressou a sua “total confiança” na justiça e nas forças de segurança e negou que o governo tenha um plano para destituir a UCO (Unidade Central Operativa) da Guarda Civil para evitar investigações sobre os casos que afetam o PSOE.
Governo diz que Cerdán “não tem nada a ver com o partido socialista”
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, reagiu à medida aplicada pelo Supremo, reiterando que o PSOE “já fez o que tinha de fazer”, afastando o secretário do partido. O primeiro-ministro de Espanha salientou ainda que “agora é o tempo da justiça”, à qual promete “máxima colaboração”.
As declarações foram feitas numa conferência de imprensa durante a cimeira da ONU, em Sevilha, que decorre entre esta segunda e quinta-feira.
A vice-primeira-ministra espanhola rejeitou que a convocação de eleições antecipadas em reação à decisão do Supremo espanhol quanto à prisão preventiva de Santos Cerdán. María Jesús Montero disse que a investigação por corrupção em causa incide sobre “uma pessoa que não tem nada a ver com o partido socialista”, porque o PSOE “agiu com contundência” ao retirar-lhe o cartão de militante e afastá-lo de todos os seus cargos.
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Ayuso diz que “corrupção mantém PSOE no poder”. As reações da oposição
A Presidente da Comunidade de Madrid reagiu, também, a este caso. Numa publicação na rede social X, Isabel Díaz Ayuso afirmou que “a corrupção mantém Sánchez no poder“. “Antes, nós, espanhóis, sabíamos que ele estava encurralado pelos escândalos: hoje, toda a ONU, reunida em Sevilha no meio desta vergonha, sabe disso”, acrescentou.
La corrupción mantiene a Sánchez en el poder. Le tiene atado a la silla.
Antes, los españoles sabíamos que estaba acorralado por los escándalos: hoy lo sabe toda la ONU, reunida en Sevilla en medio de esta vergüenza.
— Isabel Díaz Ayuso (@IdiazAyuso) June 30, 2025
Já Cuca Gamarra, porta-voz do PP, pediu, em declarações aos jornalistas após a decisão judicial, novas eleições: “Quando o sanchismo está a caminho da prisão, é hora de dar a palavra aos espanhóis, dissolver as cortes e realizar eleições”.
O PP descarta, por enquanto, a apresentação de uma moção de censura, uma vez que não tem apoio suficiente de outros partidos.
A secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, reagiu, na rede social X, à decisão do juiz do Supremo Tribunal. Numa mensagem crítica, a deputada afirmou que os danos que este caso provocou à democracia “são irreparáveis”. “É terrível para as pessoas progressistas deste país ver como o PSOE se aproveitou da sua confiança para voltar a meter a mão no cofre. O dano à democracia e à maioria progressista é irreparável”, afirmou.
Es terrible para la gente progresista de este país ver cómo el PSOE se ha aprovechado de su confianza para volver a meter la mano en la caja. El daño a la democracia y a la mayoría progresista es irreparable. https://t.co/F5mss1KHiV
— Ione Belarra (@ionebelarra) June 30, 2025