André Ventura pretende apresentar um candidato a Belém dia 15 de setembro e pediu à mesa do Conselho Nacional do Chega que marque uma reunião para o dia 12 de setembro para discutir as eleições presidenciais. Numa carta enviada aos deputados, a que o Observador teve acesso, o líder do partido assegura que o Chega “não pode ficar fora” destas eleições e “tem de se rever num candidato/a que represente os valores” do partido.

“Após a recusa definitiva de Pedro Passos Coelho em avançar — e também de uma prestigiada figura da Justiça que encarnasse os nossos valores anti-corrupção [que não revela] — temos de ouvir o partido e tomar uma decisão sobre o que fazer nestas eleições, que decorrem já dentro de alguns meses”, alerta Ventura, convicto de que o recente veto de Marcelo Rebelo de Sousa à lei de estrangeiros “mostra bem a importância que estas eleições têm para o Chega“.

Por outro lado, avisa também o líder do Chega, o partido não deve “colocar em causa tudo aquilo que [conquistou] nas últimas legislativas” e o que acredita vir a conquistar nas autárquicas.

Desta forma, André Ventura pretende que seja feita uma “reflexão” no Conselho Nacional e que a mesma seja o “mais aberta possível aos autarcas, dirigentes e militantes do partido”. “A decisão do candidato presidencial do Chega deve ser o mais consensual possível“, remata o presidente do partido, que admite que “gostaria de anunciar até ao dia 15 de setembro o candidato ou a candidata presidencial do Chega, ou a quem [o partido dará] apoio (se o aceitar e apenas nessa condição, evidentemente)”.

A incógnita sobre o posicionamento do Chega nas próximas eleições presidenciais está longe de ter um fim. Na entrevista que deu na CNN, André Ventura assegurou que o cenário de o partido não ter candidato e não preencher esse espaço “não é zero, porque na vida quase nada é zero, mas é muito pouco provável que aconteça não haver um candidato do Chega”.

Assim, tal como agora reitera no pedido ao Conselho Nacional, “pode haver apoio e pode haver um candidato próprio do Chega”.

Já sobre uma candidatura própria de André Ventura a Belém, que chegou a estar prevista antes da antecipação das legislativas e de se tornar líder da oposição, o presidente do Chega foi perentório: “Não me parece desejável que o líder da oposição seja candidato presidencial, mas se tiver que ser, será.”

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