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O PCP desafiou esta segunda-feira o Governo a condenar a “nova escalada” de Israel contra o povo palestiniano, incluindo o “objetivo de colonizar a Faixa de Gaza”, defendendo que a “dimensão dos crimes” de Telavive “não pode ser mais escondida”.
“O PCP condena veementemente os crimes de Israel contra o povo palestiniano, incluindo o anunciado objetivo de colonizar a Faixa de Gaza, e insta o Governo português a adotar uma clara posição de condenação desta nova escalada e a desenvolver iniciativas efetivas que visem pôr fim imediato ao genocídio do povo palestiniano”, lê-se num comunicado do PCP.
O partido afirma que o “genocídio que continua a ser levado a cabo por Israel contra o povo palestiniano intensifica-se, com a cumplicidade das grandes potências imperialistas”, salientando que varas agências e estruturas da Organização das Nações (ONU) confirmam a situação de “fome aguda” na Faixa de Gaza.
O PCP refere que, desde que os Estados Unidos e Israel se substituíram na distribuição de alimentos à Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA, na sigla em inglês), “mais de duas mil pessoas foram mortas e 15 mil feridas”.
“É neste contexto que o criminoso Governo de Netanyahu coloca o objetivo de ocupar plenamente e colonizar a Faixa de Gaza, concentrando e expulsando a sua população, ao mesmo tempo que anuncia oficialmente um plano de construção de colonatos israelitas na Cisjordânia”, critica o PCP.
Para o PCP, “a impunidade com que Israel viola o direito internacional e o mais elementar humanismo apenas é possível porque os Estados Unidos da América e as grandes potências da NATO e da União Europeia se mantêm ao lado do Governo israelita”.
“Uma realidade que não é alterada por iniciativas políticas anunciadas por vários países que, para além de não colocarem em causa os apoios a Israel, são acompanhadas de inaceitáveis exigências que desrespeitam a soberania e os direitos do povo palestiniano”, refere-se, numa alusão ao possível reconhecimento, por países como a França, Reino Unido ou Canadá, do Estado da Palestina em setembro.
O PCP defende que “o imperialismo, particularmente o imperialismo norte-americano, está a levar a cabo uma ação para esmagar a legítima resistência dos povos do Médio Oriente e concretizar a sua recolonização”, considerando que é nesse contexto que se inscrevem os ataques de Israel ao Líbano, Irão ou Síria.
“A dimensão dos crimes de Israel não pode ser mais escondida e revela a verdadeira face das potências imperialistas, de que o sionismo é instrumento no Médio Oriente”, sustenta o partido.
O PCP considera urgente “pôr fim imediato ao genocídio na Palestina, garantir o acesso à ajuda humanitária, criar o Estado da Palestina e cumprir o direito de retorno dos refugiados palestinianos, conforme determinam as resoluções da ONU”.
“O PCP apela aos trabalhadores e ao povo português a redobrar a sua ação em solidariedade com o povo palestiniano e os restantes povos que legitimamente resistem à ofensiva imperialista no Médio Oriente. É urgente travar a barbárie”, lê-se.
Israel tem em curso uma ofensiva militar na Faixa de Gaza desde que sofreu um ataque do grupo extremista Hamas em 7 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e o rapto de 250 pessoas, feitas reféns.
A ofensiva israelita provocou mais de 62.190 mortes em Gaza, a maioria civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza, considerados fiáveis pela ONU.
Há quase duas semanas, o Gabinete de Segurança de Israel aprovou o plano de ocupação da Cidade de Gaza, a expansão das operações militares a campos de refugiados na costa central do território, gerando uma vaga de críticas internacionais e dentro do país.