O candidato independente ao Porto Filipe Araújo acusou esta sexta-feira a candidatura encabeçada por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) de bullying e de “tentativa de golpe palaciano”, por ter apresentado impugnações às listas que o atual vice-presidente da autarquia apresentou às freguesias.

“A nossa candidatura não faz nada contra ninguém e não fazemos o bullying que o PSD tem feito. Não vale tudo para ganhar a câmara, não vale tudo para ganhar estas eleições e acho mesmo que Francisco Sá Carneiro coraria de vergonha com esta atitude antidemocrática por parte do PSD“, declarou esta sexta-feira em conferência de imprensa Filipe Araújo, que encabeça o movimento independente “Fazer à Porto”.

De acordo com a sua candidatura, após a entrega final das listas às autárquicas em tribunal, a coligação “O Porto Somos Nós” (PSD/CDS-PP/IL) impugnou as listas que o movimento independente apresentou às juntas de freguesia portuenses, alegando que deveriam ter sido entregues mais assinaturas, nomeadamente 3% do total de eleitores de cada freguesia e não apenas 1%, como foi feito.

Para já, diz a sua candidatura, o tribunal entendeu não dar razão à impugnação apresentada pelo movimento de Pedro Duarte à lista dos independentes para a União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

Filipe Araújo considerou que o tribunal travou “aquilo que foi uma tentativa de um golpe palaciano” e disse sentir que, por parte do PSD, “há medo de ir a jogo”.

“Deixem-me dizer que sinto que há um certo receio da vontade democrática da cidade, que tem sido espelhada na escolha de independentes e não de partidos nos últimos anos”, partilhou.

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Questionada pela Lusa, fonte oficial da candidatura da coligação PSD/CDS-PP/IL confirmou as impugnações feitas às listas apresentadas por Filipe Araújo e esclareceu que estas não partiram de Pedro Duarte, mas foram sim uma iniciativa própria dos seus candidatos às juntas de freguesia, que alegam ter “detetado ilegalidades na recolha de assinaturas”.

O presidente da concelhia do PSD e número dois na lista da coligação à Assembleia Municipal do Porto, Alberto Machado, considerou as declarações de Filipe Araújo “cómicas” e “mais uma tentativa de se vitimizar em praça pública e de atirar areia para os olhos dos portuenses, porque a sua candidatura também entregou processos para impugnar duas outras candidaturas independentes”.

Questionado se também apresentou impugnações a listas apresentadas por outros candidatos, Filipe Araújo confirmou esta sexta-feira que sim, nomeadamente às listas apresentadas por Nuno Cardoso (Porto Primeiro — coligação NC/PPM) e pelo independente António Araújo às freguesias.

“Nós fizemos apenas uns requerimentos para que fossem alterados os nomes apresentados nas listas às juntas de freguesia. (…) Nós, cumprindo a lei, temos no boletim de voto ‘Filipe Araújo — Fazer à Porto’ para a câmara e para a assembleia, mas para as freguesias temos uma candidatura que só pode ter ‘Fazer à Porto’ e não tem ‘Filipe Araújo’, cumprindo aquilo que a lei determina”.

Sobre as impugnações que apresentou, Filipe Araújo escudou-se afirmando que “o PSD tentou limitar a democracia no Porto”, mas que a sua candidatura “a única coisa que fez foi apontar questões técnicas para serem supridas”.

A Lusa solicitou na passada quarta-feira acesso aos processos de impugnações, pedido que foi esta sexta indeferido pelo Tribunal da Relação do Porto.

Concorrem à Câmara Municipal do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU — coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro — coligação NC/PPM), Pedro Duarte (PSD/IL/CDS-PP), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (movimento independente), António Araújo (movimento independente), Alexandre Guilherme Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (Partido Liberal Social).

O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.

As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro.