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Tony Blair, antigo primeiro-ministro britânico, volta a estar no centro da cena internacional: desta vez como possível figura de liderança num plano de reconstrução e governação transitória para a Faixa de Gaza. De acordo com os meios de comunicação norte-americanos, “Blair quer liderar Gaza quando a guerra entre Israel e o Hamas terminar”, tendo já apresentado a proposta de presidir a um governo provisório que mais tarde entregaria o poder à Autoridade Palestiniana.

Segundo a BBC, o antigo líder do Reino Unido foi recebido na Casa Branca no dia 27 de agosto para discutir o plano com Donald Trump, contando com o apoio de figura próximas do Presidente dos Estados Unidos, como Jared Kushner, genro de Trump, e Steve Witkoff, enviado especial norte-americano para o Médio Oriente).

A confirmação surgiu esta segunda-feira, durante a conferência de imprensa conjunta entre Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. Blair vai integrar o chamado “Conselho da Paz”, um órgão de transição preparado pela administração norte-americana para assumir funções em Gaza após um eventual cessar-fogo.

“Vamos colocar líderes de outros países e líderes muito ilustres, e teremos um conselho. E uma das pessoas que quer fazer parte desse conselho é o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Um bom homem, um homem muito bom”, declarou o Presidente dos Estados Unidos ao lado de Netanyahu, após ter anunciado que Israel aceitou o plano da Casa Branca que garante o fim da guerra no enclave palestiniano, a libertação dos reféns e a criação de um caminho para um futuro Estado palestiniano.

Entrega de reféns em 72 horas e a governação transitória. Os 20 pontos do plano para Gaza divulgado pela Casa Branca

Blair agradeceu a confiança de Trump e descreveu a proposta como “ousada e inteligente”. Em comunicado, defendeu que o plano “dá a melhor hipótese para pôr fim a dois anos de guerra, miséria e sofrimento”. “Agradeço ao Presidente Trump pela sua liderança, determinação e compromisso”, sublinhou.

Aos 72 anos, o antigo líder trabalhista tem desenvolvido, através do seu instituto Tony BlairInstitute for Global Change, um plano para a região devastada pela guerra entre Israel e o Hamas. O New York Times já tinha revelado que a iniciativa de Blair previa a criação de uma Gaza International Transitional Authority, a administração mandatada pelas Nações Unidas e apoiada por uma força multinacional de segurança para estabilizar o território.

Esta não seria a primeira missão do antigo governante no dossiê do Médio Oriente: logo após deixar Downing Street, em 2007, foi nomeado enviado especial do Quarteto (ONU, EUA, União Europeia e Rússia) para a paz israelo-palestiniana, função que desempenhou durante oito anos sem alcançar avanços concretos, mas consolidando uma extensa rede de contactos regionais.

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“Blair tem uma reputação muito má”. Hamas e palestinianos contra liderança do antigo líder trabalhista

A hipótese de Blair liderar uma administração provisória em Gaza enfrenta forte oposição. O alto dirigente do Hamas, Taher Al-Nono, rejeitou a ideia, referindo que “Tony Blair é uma figura inaceitável para o povo palestiniano“. “Concordámos em formar uma comissão que não represente nenhuma das fações palestinianas para gerir os assuntos de Gaza após a guerra, e não aceitaremos a imposição de tutela estrangeira sobre o nosso povo”.

Al-Nono garantiu, ainda, que “o povo palestiniano é capaz de gerir os seus próprios assuntos por si mesmo” e defendeu a criação de “um governo tecnocrático para administrar tanto a Cisjordânia como Gaza, de forma a garantir a unidade política e geográfica”, respondendo, assim, a Trump (que tinha dito que queria que a “Cisjordânia fosse controlada pelas pessoas que vivem lá“).

Donald Trump quer Gaza e Cisjordânia controlada por palestinianos

Também Moustafa Barghouti, político palestiniano veterano, criticou duramente a eventual nomeação, afirmando que “é absolutamente inaceitável que Tony Blair lidere uma autoridade de transição em Gaza”. “Não precisamos de um líder vindo de uma antiga potência colonial. Blair tem uma reputação muito má ligada à guerra no Iraque. E não confiamos nele: se assumir o cargo, só trabalhará para os israelitas”, sublinhou.

Durante o seu mandato como primeiro-ministro britânico (1997-2007), Blair apoiou a intervenção norte-americana no Iraque, uma decisão que o tornou uma figura profundamente controversa. Mais recentemente, através do seu instituto, tem colaborado estreitamente com líderes árabes, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, defendendo a necessidade de manter o diálogo com todos os regimes da região.