Um centro dedicado à investigação, divulgação e valorização da língua portuguesa e da sua relação histórica com o mar, compreendendo um espaço físico e virtual, vai nascer no Forte de Santo António da Barra, em Cascais, no próximo ano.
O Centro da Língua Portuguesa e do Mar, a ser apresentado esta quinta-feira à tarde em Cascais, é uma iniciativa daquela Câmara Municipal e da Fundação D. Luís I, que visa valorizar a língua portuguesa e a sua relação com o mar, considerados pilares da identidade nacional.
A criação do centro decorre da gestão do Forte de Santo António da Barra pela autarquia, ao abrigo de um protocolo com o Estado, explicou à Lusa Salvato Teles de Menezes, presidente da Fundação D. Luís I, acrescentando que a ideia foi lançada pelo presidente da Câmara, Carlos Carreiras, “com o objetivo de afirmar a identidade portuguesa a nível local e global”.
O trabalho de conceção do projeto está a ser coordenado por Luís Reto, autor do “Atlas da Língua Portuguesa”, que colaborou com as autoridades brasileiras na recuperação do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, indicou o responsável.
Quanto à componente arquitetónica, está a cargo do arquiteto Vítor Neves, que respeitará as exigências de preservação do edifício original: “Teve que se encontrar uma solução que fosse ao encontro desta circunstância de respeitar integralmente um edifício que é classificado”.
O centro contará com um espaço físico e virtual, com soluções digitais interativas e componentes visuais, destinado a escolas, visitantes e investigadores, portugueses e estrangeiros.
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O projeto envolve ainda parcerias internacionais, nomeadamente com a Fundação Getúlio Vargas e o Instituto Espinhaço, do Brasil, e ambiciona criar ligações com todos os países “que falam a língua portuguesa, e que estão naturalmente ligados pelo mar”.
“Portanto, isto tem esta ideia por trás de que a língua portuguesa é uma língua pluricêntrica, e depois que o mar foi o veículo através do qual a língua não só se expandiu, como recebeu contributos. E é sobre esta realidade multímoda que este centro vai ser constituído”, especificou Salvato Teles de Menezes.
O projeto assentará, pois, numa dimensão de caráter visual, incluindo uma série de elementos digitais que permitirão criar um centro que seja dinâmico e que seja uma fonte de atração não só para as escolas e para os visitantes, mas também para portugueses e todos os interessados dos países que falam língua portuguesa.
A estratégia da Câmara Municipal de Cascais vai mais além — esclareceu o presidente da fundação —, pois pretende estabelecer também uma relação com outras línguas, em particular a língua espanhola, “que tem um convívio muito próximo com a língua portuguesa, não só aqui na Península Ibérica, mas também na América Latina, até por esse aspeto de contacto, de fronteira, que existe entre os países lusófonos e os hispano-falantes”.
A ideia da criação do centro já tem “algum tempo”, mas foi “no último ano e meio que se desenvolveu mais trabalho sobre o projeto”.
Segundo Salvato Teles de Menezes, a autarquia prevê que pelo menos parte do centro entre em funcionamento no primeiro trimestre de 2026.