Foi com muita “confiança” (trust and confidence) que o presidente do quarto maior grupo bancário europeu assinalou a compra do Novo Banco. Nicolas Namias destacou a maior operação financeira transfronteiriça da Europa em dez anos e defendeu que a aquisição do banco português pelo BPCE devia ser um “exemplo” para a Europa.

Num discurso, após a assinatura do contrato com o Estado e com a Lone Star esta quarta-feira, o presidente do grupo francês indicou que a aquisição do Novo Banco se insere no plano estratégico baseado no crescimento e na diversificação. E sinalizou que a ambição do grupo é a de construir um campeão europeu para apoiar o crescimento da economia europeia. “Precisamos de campeões. É uma questão de soberania financeira”. E, para isso, acrescentou Nicolas Namias, precisamos de “todos os parceiros”, nomeando governos e reguladores.

Num discurso em inglês, o gestor francês agradeceu a “clareza e transparência” na relação com os vendedores desde que manifestou a intenção de realizar a aquisição do Novo Banco, não poupando elogios ao Governo e ao desempenho da economia portuguesa que classificou de robusta e dinâmica e em contraste com outros países europeus que têm défice e a dívida pública a crescer (mesmo sem nomear, a descrição encaixa na França). “Tenho muita admiração pelo que fizeram nos últimos anos” e cujos resultados justificam a “confiança” que o grupo depositou no ambiente português, no Estado, no setor privado, no futuro e também no Novo Banco que se tornou num banco “sólido e lucrativo”.

Em nome do Governo português, o ministro das Finanças acabou a intervenção em francês, dando ao banco as boas vindas a Portugal, extensível a “todas as empresas francesas”. Miranda Sarmento não deixou de salientar a diversidade geográfica que esta operação permite dar ao mercado bancário nacional, evitando “concentrações excessivas”. Foi uma referência implícita a um interessado espanhol que acabou por ficar pelo caminho — o CaixaBank, dono do BPI  — depois do mesmo ministro ter publicamente manifestado alguma preocupação com a possibilidade do Novo Banco ir parar a mãos espanholas.

Para Miranda Sarmento, a venda do Novo Banco é o fim de um ciclo e um passo relevante na história da banca em Portugal. “Fomos bem sucedidos na missão mais importante de salvaguardar a estabilidade financeira”. Mas destacou igualmente o facto do Estado ter conseguido o que classifica de “recuperação significativa dos fundos públicos”,de quase 2.000 milhões de euros (inclui encaixe com a venda e dividendos) do montante injetado para apoiar a instituição.

Entre a resolução do Banco Espírito Santo, a capitalização inicial e a limpeza de balanço do Novo Banco foram injetados cerca mais de 8.000 milhões de euros através do Fundo de Resolução, com a maior fatia a ser financiada pelo Estado sob a forma de empréstimos. Estes apoios deverão ser reembolsados pelo Fundo de Resolução ao Estado até 2046 com base nas contribuições pagas anualmente pelos bancos.

O presidente do Fundo de Resolução considerou que a venda do Novo Banco ao BPCE “é muito mais do que uma operação financeira”. Luís Máximo dos Santos apontou para o “culminar de um processo muito complexo, por vezes doloroso que pôs à prova todos os que tiveram de lidar com ele”. Apesar disso, “parece incontroverso que estamos perante um bom desfecho para a preservação da estabilidade financeira, para o sistema financeiro no seu conjunto e para a economia portuguesa. É também um desfecho que contribui para o cumprimento pelo Fundo de Resolução das suas obrigações perante os credores”.

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Foi o fim da reestruturação do Novo Banco, que começou com a resolução do Banco Espírito Santo em 2014, um processo completado com sucesso e em que “muitos não acreditariam há alguns anos”.

A assinatura dos contratos para a venda do Novo Banco juntou no salão nobre do Ministério das Finanças esta quarta-feira os principais responsáveis do BPCE, da Lone Star e parte do conselho de administração do Novo Banco presidido por Mark Bourke que foi o primeiro a abandonar a cerimónia, assim que Miranda Sarmento terminou de falar, e ainda durante a fase de cumprimentos. Além dos gestores do Novo Banco, a Lone Star através da subsidiária em Portugal, a Nani Holdings, fez-se representar por Kambiz Nourbakhsh que assinou os contratos, mas não houve declarações por parte do vendedor.

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O executivo nomeado pelo fundo americano que geriu o banco desde 2017 evitou assim as perguntas dos jornalistas sobre as operações de busca que estavam a decorrer na sede da instituição. Em causa estarão suspeitas em operações de venda de ativos imobiliários durante a fase de reestruturação e limpeza do banco e que envolveram gestores escolhidos pelo fundo de investimento americano.

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Nicolas Namias prometeu que o Novo Banco vai continuar a ser um banco totalmente português na relação com os clientes e fortemente ancorado no mercado português e demonstrou a ambição de vir a “ser o banco das relações franco-portuguesas”.

Com a compra do Novo Banco, cuja concretização ainda depende da aprovação final da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, Portugal passa a ser o segundo principal mercado de retalho para o BPCE que é o segundo principal banco francês. O grupo passa a ter 7.000 colaboradores em Portugal, considerando os quase 3.000 que já emprega nos centros multinegócios no Porto e mais recentemente em Lisboa.

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