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Unesco condena assassinato de jornalista que denunciava crimes dos cartéis de drogas mexicanas

Este artigo tem mais de 6 meses

Corpo do jornalista mexicano que escrevia sobre narcotráfico e mineração de ouro foi encontrado numa autoestrada no final de outubro com a frase: "Por espalhares acusações falsas".

Miguel Ángel Beltrán Martínez
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▲O jornalista (na imagem, numa captura de ecrã de um vídeo partilhado nas redes sociais) fazia publicações sobre crimes organizados no TikTok, por exemplo

Captura de ecrã de vídeo de Miguel Ángel Beltrán Martínez nas redes sociais

▲O jornalista (na imagem, numa captura de ecrã de um vídeo partilhado nas redes sociais) fazia publicações sobre crimes organizados no TikTok, por exemplo

Captura de ecrã de vídeo de Miguel Ángel Beltrán Martínez nas redes sociais

A morte do nono jornalista mexicano este ano continua a suscitar reações. Recentemente foi a vez de a diretora da UNESCO condenar o assassinato, a 25 de outubro, de Miguel Ángel Beltrán Martínez, de 60 anos. O repórter, conhecido por denunciar as ações do crime organizado no país, foi encontrado morto numa autoestrada que liga Durango a Mazatlán, na cidade de Río Chico, no México.

O corpo, com marcas de violência e envolto num cobertor, tinha o que os jornais mexicanos como o El Universal, ou a correspondente do jornal espanhol El País no México, por exemplo, consideraram ser uma mensagem dos cartéis de droga. É precisamente a frase “Por espalhar falsas acusações contra o povo de Durango” que levanta suspeitas sobre os assassinos.

Além disso, o local onde o jornalista foi deixado sem vida tem sido palco de guerras territoriais dos “senhores da droga”. Ora, foi precisamente de grupos rivais que Miguel Ángel Beltrán Martínez falou num dos seus últimos vídeos. Três dias antes de ser morto, o jornalista dava conta da detenção do líder do grupo Cabrera Sarabia e como isso condicionava a ação dos rivais Los Chapitos e o Cartel Jalisco Nueva Generación no tráfico de droga. “Não descartemos que, daqui a algum tempo, a violência aumente ainda mais no Estado de Durango e, em particular, na cidade. Vejam que, ultimamente, têm ocorrido episódios sangrentos que não são casos isolados, mas resultado da entrada na região do grupo formado pela aliança entre Los Chapitos e o Cartel Jalisco Nueva Generación”, denunciava Miguel Martínez num vídeo gravado pelo seu telemóvel. No registo, partilhado nas redes sociais, o jornalista avisava que um “banho de sangue” podia ocorrer em Durango, onde ele residia com a família.

@capodgo7 Esto es la guerra #Viral #viviras #Alerta #sedena???????? ♬ sonido original - Capo

Jornalista desportivo e de casos de polícia durante vários anos em órgãos de comunicação social como o El Sol de Durango ou o portal Contexto, Miguel Martínez dedicava-se nos anos mais recentes a denunciar no Facebook e no TikTok (onde o seu canal se chama “Capo”, expressão usada para os chefes da máfia italiana) os crimes dos grupos de narcotráfico e de mineração de ouro, uma das atividades económicas mais relevantes de Durango.

O corpo foi identificado pelo filho de Martínez, que o tinha visto pela última vez na quinta-feira, quando ambos saíram para o trabalho. Familiares do jornalista disseram ao El Sol de Durango que muitas vezes lhe tinham pedido para deixar de noticiar os crimes do narcotráfico, o que Martínez sempre recusou.

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“Condeno o assassinato de Miguel Ángel Beltrán Martínez e apelo a uma investigação completa e transparente. Os jornalistas desempenham um papel fundamental ao informar a população e investigar irregularidades, e devem ser protegidos”, disse a diretora da UNESCO, Audrey Azoulay. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura foi só umas das instituições a pronunciar-se sobre o caso, que está a ser investigado pelas autoridades.

Uma das primeiras a manifestar-se foi a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Martha Ramos, uma das suas responsáveis, afirmou que o homicídio de Miguel pode estar diretamente relacionado com o exercício da profissão de jornalista, noticiou o jornal El Universal.

Já a organização internacional Réporteres Sem Fronteiras não só condenou este homicídio, como sublinhou que este ano já morreram no México nove jornalistas, sendo 2025 o ano mais em que se registaram mais assassinatos na imprensa mexicana desde 2022. “A maioria das vítimas trabalhava em meios de comunicação locais ou comunitários e abordava temas sensíveis, como a corrupção, o crime organizado e o ambiente” sublinha a RSF.

“O assassinato de Miguel Ángel Beltrán Martínez representa um novo golpe para a imprensa em Durango e para o direito à liberdade de informação no México”, afirmou o diretor da secção para a América Latina da RSF. “Apelamos às autoridades para que dêem prioridade às investigações relacionadas com o seu trabalho jornalístico e para que identifiquem e processem tanto os autores materiais como morais do crime. Reiteramos o nosso apelo para que o Estado mexicano quebre o ciclo de violência e impunidade que sufoca o jornalismo local e garanta justiça e proteção, especialmente num ano tão mortal para a imprensa”, acrescentou Artur Romeu.​

Até à data, “nada indica que Miguel Ángel Beltrán Martínez tenha denunciado ameaças e, segundo as informações obtidas pela RSF, não estava inscrito no Mecanismo Federal de Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos e dos Jornalistas”, acrescenta a organização. Ao El

Também a PEN Internacional (associação mundial de escritores) seguiu a mesma linha, publicando no Facebook uma mensagem de condenação pela morte do jornalista, bem como a Amnistia Internacional que exige justiça e proteção para a imprensa mexicana, para além de muitas outra organizações nacionais e internacionais de defesa da liberdade de imprensa.

Texto editado por Dulce Neto

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