Acompanhe o nosso liveblog sobre política

João Cotrim de Figueiredo volta a escrever a Luís Montenegro, desta vez na sua qualidade de presidente do PSD, para lhe pedir que deixe cair Marques Mendes e declare apoio à candidatura do eurodeputado da IL, com o objetivo de impedir uma vitória do candidato do PS, António José Seguro, ou do Chega, André Ventura.

Esta iniciativa política surge horas depois da divulgação da sondagem da RTP, que coloca Cotrim em 3.º, com 19% das intenções de voto, à frente de Marques Mendes, com 14%. O trabalho de campo da sondagem terminou na sexta-feira, 9 de janeiro, em pleno “momentum” de crescimento da campanha de Cotrim, e três dias antes da controversa resposta sobre Ventura e de ter surgido a alegação de assédio sexual a uma ex-assessora da Iniciativa Liberal. Portanto, ainda não reflete eventuais mudanças de opinião no eleitorado provocadas por essas duas situações.

“Sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por V. Exa., assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura”, escreve Cotrim de Figueiredo, que se mostra convicto de que a sua candidatura é a única capaz de impedir a eleição de António José Seguro ou a de André Ventura.

O candidato cita as palavras do próprio Luís Montenegro, usadas para apelar ao voto em Marques Mendes: “Não podemos cair na armadilha de dispersar votos e ficarmos amarrados a não termos escolhas boas na segunda volta.”

Cotrim de Figueiredo recorda na carta que apoiou as candidaturas de Carlos Moedas em Lisboa e de Pedro Duarte no Porto: “Confiei no PSD.” Refere saber que há vários dirigentes do PSD que confiam em si, apela à coragem e cita uma frase de Sá Carneiro: “Primeiro o país, depois o partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um.”

Este é o texto integral do Apelo Público:

“Exmo. Sr. Presidente do Partido Social Democrata,
Caro Luís Montenegro,

Coimbra, 14 de janeiro de 2026

Estamos a quatro dias das eleições presidenciais. Os últimos dias mostram – e os estudos de opinião confirmam – que estamos agora numa corrida a três para a segunda volta do sufrágio.

Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por V. Exa., assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República.

Exorto-o a fazê-lo por estar certo de que, tal como eu, não deseja ver o candidato do Partido Socialista nem o candidato do Partido Chega no Palácio de Belém. A minha candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário.

Como V. Exa. afirmou na passada semana, “não podemos cair na armadilha de dispersar votos e ficarmos amarrados a não termos escolhas boas na segunda volta”. Não poderia estar mais de acordo consigo. Está na hora de tomar a decisão consequente com as suas próprias palavras.

Nas eleições autárquicas do passado mês de outubro, não hesitei em apoiar as candidaturas de Pedro Duarte, no Porto, e de Carlos Moedas, em Lisboa. Fi-lo por acreditar que era o melhor para os dois municípios em apreço e para as respetivas populações. Fi-lo, portanto, por considerar tratar-se do melhor para Portugal. Confiei no PSD.

Estou consciente de que grande parte dos eleitores e dirigentes do PSD já confiam em mim. Peço-lhe que se junte a eles. Sei que mudar o sentido de uma decisão destas exige coragem, mas, como nos ensinou Francisco Sá Carneiro, “Primeiro o país, depois o partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um”.

Portugal precisa de um Presidente exigente, que colabore com o Governo na implementação das reformas urgentes de que o país precisa para ter um futuro melhor. Conte comigo. Eu conto consigo. Os portugueses contam connosco.

Termino como comecei. Se não quer o candidato do Chega ou o do PS como Presidente da República, apelo a que recomende o voto do PSD na minha candidatura.

Com os melhores cumprimentos,

João Cotrim Figueiredo