Um antigo professor foi esta terça-feira acusado de violar e agredir sexualmente pelo menos 89 crianças, anunciaram as autoridades francesas. O homem, agora com 79 anos, terá cometido os crimes em vários países, entre 1967 e 2022, e terá ainda matado a sua mãe e a sua tia. Até ao momento, apenas 40 vítimas estão identificadas, pelo que o Ministério da Justiça francês lançou um apelo a possíveis testemunhas que se apresentem às autoridades.
Em 2023, o sobrinho do francês Jacques Leveugle descobriu uma pen USB onde constava uma série de documentos escritos pelo próprio, uma espécie de livro de memórias, onde eram mencionadas relações sexuais entre o docente e menores entre os 13 e 17 anos. “São 15 volumes, é um material muito denso que os investigadores vão ver, ler e fazer o levantamento dos 89 menores”, explicou esta terça-feira o procurador de Grenoble, na região dos Alpes franceses, Etienne Manteaux, citado pelo jornal Le Monde.
Jacques Leveugle terá cometido os seus crimes na Alemanha, Suíça, Marrocos, Nigéria, Argélia, Filipinas, Índia, Colômbia e França, indicam as autoridades. O francês viajou por todos estes países e, “em cada um deles instalava-se e dava aulas particulares, era professor, e conhecia os jovens e mantinha relações sexuais com eles”, detalhou o procurador de Grenoble. Leveugle “via-se como um grego antigo a formar jovens. Nunca houve violência. Tratava-se realmente de constrangimentos morais”, foi dito na conferência de imprensa que se realizou esta terça-feira.
Aparência de Jacques Leveugle entre 1985 e 2023
Alegando que este é um caso “um pouco singular”, indicou Etienne Manteaux, o Ministério Público francês quis avançar com a divulgação do caso e da identidade do suspeito porque estão em causa muitas crianças e nem todas estão ainda sinalizadas e identificadas, sendo que as autoridades querem avançar para o julgamento do caso o mais depressa possível, tendo em conta a idade avançada de Jacques Leveugle.
“O objetivo [de divulgar o caso] é permitir que possíveis vítimas se manifestem”, explicou o procurador Etienne Manteaux. França disponibilizou ainda um número gratuito — 0-800-20-01-42 —para quem tiver ligações ao caso.
O procurador francês disse que as autoridades julgavam que iam “conseguir identificar internamente todas as vítimas”. Mas “percebemos que estávamos perante um beco sem saída (…) com apenas alguns nomes e apelidos” e “não podíamos continuar a procurar para sempre”, disse, citado pelo jornal francês. “Pareceu-nos indispensável permitir que as vítimas que não puderam ser identificadas e que não iam ser ouvidas se manifestassem.” Até ao momento foram ouvidas cerca de 150 pessoas sobre este caso.
Site do Ministério da Justiça francês
Cerca de um ano depois de o sobrinho do antigo professor o denunciar às autoridades, o francês foi detido e está agora em prisão preventiva.
Segundo o Le Monde, na fase de inquérito, Jacques Leveugle admitiu ainda ter sufocado a sua mãe até à morte com uma almofada. A progenitora de Leveugle tinha sido diagnosticada com cancro e estava em fase terminal. O francês assumiu também ter matado a sua tia, de 92 anos, posteriormente. O método utilizado foi o mesmo, esclareceu o procurador de Grenoble, acrescentando que o francês disse que gostaria que fizessem o mesmo consigo caso também estivesse em fase final de vida.
Segundo o procurador Etienne Manteaux, foi aberta uma investigação separada para ambos os acontecimentos.
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