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O anúncio feito por Abbas Aragchi a meio da tarde parecia ditar um tom otimista para o desenrolar da guerra: o Estreito de Ormuz estava “totalmente aberto durante o período restante do cessar-fogo”, que termina na terça-feira, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas a entrada em cena de Donald Trump rapidamente expôs uma série de diferenças significativas entre Washington e Teerão — diferenças essas que o Presidente norte-americano negou, mas que deverão ser abordadas diretamente numa nova ronda de negociações na segunda-feira em Islamabad.
“O Irão acabou de anunciar que o estreito do Irão está totalmente aberto e pronto para passagens. Obrigado!”, escreveu Trump, numa publicação toda em maiúsculas, na rede social Truth Social, momentos depois do anúncio. Esta publicação foi a primeira de uma série de 13 curtas publicações, em que o Presidente norte-americano se debruçou sobre vários dos principais pontos de discussão de um possível acordo para pôr fim à guerra.
Entre referências ao cessar-fogo no Líbano (que entrou em vigor às 00h de sexta-feira), planos para a desminagem do Estreito de Ormuz e insultos aos aliados da NATO, que disse serem “inúteis” e “tigres de papel”, Trump colocou em cima da mesa duas questões relevantes. Numa publicação, escreveu que, apesar do Estreito estar aberto, o bloqueio naval norte-americano aos navios iranianos se mantém “com toda a força”, enquanto noutra escreveu que “Os EUA vão ficar com toda a poeira nuclear, criada pelos grandes bombardeiros B2 — nenhum dinheiro vai mudar de mãos, de nenhuma forma”, referindo-se ao material nuclear nas instalações nucleares bombardeadas pelos EUA em junho do ano passado.
Estas duas questões foram reiteradas pelo Presidente norte-americano numa série de entrevistas por telefone que fez com a imprensa norte-americana e internacional durante as horas seguintes, promessa às quais se juntou uma terceira: “Acho que uma reunião vai acontecer este fim de semana. Acho que vamos conseguir um acordo num dia ou dois“, declarou ao jornal Axios. Tinha sido esta publicação norte-americana a avançar a possibilidade de os EUA adquirem os mais de 400 quilogramas de urânio enriquecido através de um acordo financeiro no valor de 20 mil milhões de dólares, mas Trump rapidamente classificou esses relatos como “fake news“. “Isso é totalmente falso. Não há dinheiro a trocar de mãos”, declarou o Presidente, na entrevista telefónica à Reuters. Em vez disso, disse Trump, será uma Teerão e Washington irão colaborar “calma e tranquilamente” para levar o urânio enriquecido para os EUA.
Mas o otimismo de Donald Trump rapidamente esbarrou na leitura de oficiais norte-americanos e iranianos, que salientaram a múltiplos meios de comunicação, que as negociações — que soube-se mais tarde decorrerão não durante o fim de semana, mas na segunda-feira — são apenas o ponto de partida e não uma conclusão plausível para um acordo de paz definitivo.
O regime de Teerão foi ainda mais longe do que a mera cautela, tendo negado diretamente as declarações de Trump sobre o bloqueio naval e o enriquecimento do urânio. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, classificou a manutenção do bloqueio aos navios iranianos no Estreito de Ormuz como uma violação do cessar-fogo em vigor e declarou que, caso este se mantenha, “o Irão vai tomar medidas recíprocas necessárias”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “Não haverá qualquer complacência com isto”, rematou.
Foi também pela voz de Baghaei que Teerão vincou que a manutenção do programa nuclear é uma linha vermelha para entrar nas negociações. “O urânio enriquecido é tão sagrado para nós como o solo iraniano e não vai ser transferido para lado nenhum em nenhuma circunstância”, afirmou o porta-voz, citado pela agência noticiosa Tasnim.
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