A Rússia incluiu na lista de pessoas proibidas de entrar no país um jovem de 17 anos, filho de um ativista anticorrupção, que revelou uma alegada rede de branqueamento de capitais com criptomoedas utilizada por Moscovo para contornar as sanções internacionais, noticiou a CBS News.
Alexander Browder, que tem 17 anos, identificou uma stablecoin – uma espécie de criptomoeda cujo valor é indexado à cotação de moedas tradicionais – que estaria a ser utilizada para realizar transações que, de outra forma, teriam sido bloqueadas pelas sanções impostas à Rússia pelos EUA, pelo Reino Unido e pela União Europeia.
O jovem produziu um relatório, que foi publicado em março, onde explica como é que através desta criptomoeda, criada em 2025, terá servido para movimentar cerca de 100 mil milhões de dólares ao longo do último ano, muitas delas realizadas através de plataformas de criptomoedas sediadas no Quirguistão.
Proud to be the first high school student in the world to ever be sanctioned by an authoritarian regime for uncovering corruption. It just proves that the work I’ve done to expose Russias sanctions evasion stablecoin, A7A5, has touched a raw nerve.https://t.co/b0voHBkqG7
— Alexander Browder (@Alexbrowder_) June 3, 2026
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo incluiu o nome do jovem na lista de cidadãos britânicos proibidos de entrar no país, acusando-o de divulgar “desinformação”, sem apresentar provas públicas que refutem as conclusões do relatório. É o mais jovem a constar nesta lista, salienta a CBS.
“O Kremlin confirmou-me que seguir este rasto os deixou desconfortáveis”, declarou Alexander Browder à CBS News. O estudante acrescentou que a sanção não altera os factos apresentados na sua investigação. “A Rússia pode adicionar o meu nome a qualquer lista que queira, isso não muda os factos e não mudará o meu mundo”.
O que eu quero fazer é expor esta zona cinzenta, que está a financiar tanta violência contra outras pessoas. Milhões de pessoas estão a ser mortas na Ucrânia e noutros locais pelos russos. Por isso, se eu puder fazer a minha parte para tentar travar isso, ficarei feliz”, revelou.
Alexander Browder reconhece os riscos associados ao confronto com o Estado russo. Ainda assim, afirma não se sentir intimidado. “Sempre estive rodeado de ameaças de violência, ameaças de rapto, mas nunca me deixei intimidar”, afirmou.
“Pessoas foram mortas ao meu redor, por isso sempre quis fazer justiça. Esta foi uma forma de o conseguir”, assumiu à CBS.
Alexander é filho de Bill Browder, antigo investidor que se tornou um dos mais conhecidos críticos do Kremlin após denunciar um alegado esquema de fraude fiscal de 230 milhões de dólares.
O caso está também ligado à morte de Sergei Magnitsky, advogado que colaborava com Bill Browder nas investigações e que morreu numa prisão russa em 2009 após denunciar crimes de corrupção. A sua morte esteve na origem das chamadas “Leis Magnitsky”, adotadas por vários países para sancionar indivíduos acusados de violações de direitos humanos e corrupção.