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A chave para o futuro? Cooperação e partilha

Aquilo que nos pode ajudar no futuro está ao alcance de qualquer um e quem o diz é uma das mais importantes cientistas da atualidade. Para Elvira Fortunato, cooperação e partilha são fundamentais.

Se é verdade que a ciência vai revelando soluções para muitos dos problemas com que a Humanidade se vai deparando, não é menos verdade que a chave está afinal, por vezes, bem mais dependente de nós do que poderíamos supor. E ter consciência disso faz cada vez mais sentido, tendo em conta o momento que se vive. Este é o ponto de vista de Elvira Fortunato, vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e uma das cientistas nacionais mais premiadas de sempre. Na sua perspetiva, cooperação e partilha são comportamentos determinantes e, por isso, são as palavras que escolhe para encarar o futuro. “É cada vez mais fundamental cooperarmos uns com os outros em várias áreas e também partilharmos informação”, afirmou durante a quarta entrevista da série 5 Great Things Talks, no âmbito da iniciativa 4Leaders.

“É cada vez mais fundamental cooperarmos uns com os outros em várias áreas e também partilharmos informação.”
Elvira Fortunato, vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa (UNL)

A importância do trabalho em equipa

Logo no início da conversa, a professora catedrática do Departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL havia aludido à importância da cooperação, nomeadamente ao referir o contributo da sua equipa no caminho de sucesso que tem percorrido e que constitui a sua principal realização profissional. É que Elvira Fortunato é pioneira mundial na área da eletrónica transparente e eletrónica de papel, o que lhe tem valido diversas distinções internacionais, como é o caso do prémio que lhe foi recentemente atribuído pela Comissão Europeia, o Horizon Impact Award 2020. O galardão ficou a dever-se ao projeto “Invisible”, que deu origem a uma nova área tecnológica, permitindo criar o primeiro ecrã do mundo totalmente transparente e produzido com materiais sustentáveis.

“São as pessoas que fazem as instituições e não as instituições que fazem as pessoas.”
Elvira Fortunato, vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa (UNL)

Sintetizando o grande feito do grupo que lidera, explicou que “cientificamente, quer na área da eletrónica transparente, quer na área da eletrónica do papel, conseguimos de alguma forma colocar Portugal no mundo na área da tecnologia e na área da inovação”.

Já quanto à sua maior realização pessoal, também acaba por estar associada a uma equipa, mas esta de uma outra natureza: “A nível pessoal, talvez o meu maior feito tenha sido o de criar uma família, tenho uma filha e estou também muito contente, porque criei essa estrutura que, no fundo, é a base de uma sociedade e estou a contribuir para a geração futura.”

Investigação e liberdade

Outra das perguntas habituais da série 5 Great Things Talks prende-se com a personalidade histórica que mais terá inspirado a pessoa convidada. Dividida entre a paixão pela ciência e o valor da liberdade, Elvira Fortunato indicou Marie Curie e Nelson Mandela. Quanto à cientista francesa, que foi a primeira mulher a ganhar um Prémio Nobel, a escolha acontece porque se trata de investigação feita no feminino – “na ciência, as mulheres ainda não são muito reconhecidas, acho que são pouco e deviam ser mais”. Mas, acima de tudo, porque Marie Curie “inspira não só as mulheres que fazem ciência, mas a ciência que se faz em termos internacionais”.

“Na ciência, as mulheres ainda não são muito reconhecidas, acho que são pouco e deviam ser mais.”
Elvira Fortunato, vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa (UNL)

Já quanto a Nelson Mandela, a investigadora, que em 2010 foi condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique pelas suas conquistas científicas em todo o mundo, elegeu-o por considerar que marcou a história mundial, “não pela parte científica, mas pela liberdade”.

Como a “primeira formatação” é determinante

A conversa, moderada por Marta Ratão, do SAS Portugal, avançou para a referência literária que mais influenciou a cientista e a resposta pode surpreender. “Não tenho assim um grande livro que possa dizer que me inspirou ou que me fez ver as coisas de uma outra forma”, começou por dizer, mas rapidamente o espírito de grande curiosa que diz ter – por trabalhar na investigação científica – a levou a apontar os livros de Júlio Verne.  “Li esses livros quando era mais pequena, acho que me inspiraram e têm contribuído também um bocadinho para aquilo que eu faço em termos profissionais na área da investigação científica”, referiu, dando conta que as memórias criadas nos primeiros anos de vida a marcaram mais do que as seguintes. “Não sei se quando somos mais pequeninos temos um template que não está formatado e aquela primeira formatação que temos na área da educação, em mim, teve uma influência e um efeito muito grande”, reforçou, dando como exemplo o facto de a escola primária a ter marcado mais do que o liceu. Da mesma maneira, também as leituras que fez quando era pequena a marcaram mais do que as que foi fazendo posteriormente ao longo da vida.

“Não sei se quando somos mais pequeninos temos um template que não está formatado e aquela primeira formatação que temos na área da educação, em mim, teve uma influência e um efeito muito grande.”
Elvira Fortunato, vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa (UNL)

Encontrar uma solução para a pandemia

Quanto a apresentar uma ideia para o futuro, Elvira Fortunato apressou-se a esclarecer que não lhe é fácil o exercício de ter uma grande ideia “de repente”. Já se a pergunta incidisse sobre grandes ideias do passado, não teria dificuldade nenhuma em responder: “A internet e a eletricidade, porque essas duas ideias se concretizaram em coisas práticas que revolucionaram a humanidade.” Ainda assim, apontou duas áreas onde entende que é importante que surjam essas ideias geniais.

Questionada sobre o impacto da analítica, hoje e no futuro, a investigadora, que conta no seu currículo com mais de quinhentas publicações científicas e mais de 18 prémios e distinções internacionais, entende que “[a analítica] é extremamente importante, porque nos pode capacitar melhor para atuar não só no dia a dia, como projetar melhores soluções em termos futuros”. Ainda que não trabalhe especificamente nessa área, a também fellow da Academia Portuguesa de Engenharia realça a relevância da analítica, que “é transversal a qualquer atividade”.

E porque são transversais também a tudo o que se faz, já a terminar a entrevista, Elvira Fortunato escolheu as palavras “cooperação e partilha” para o futuro. “Estamos hoje todos muito condicionados à situação que vivemos e é difícil sairmos dela”, justificou, referindo-se à pandemia e à necessidade de a resolver. Com ciência, mas também com humanismo.

Veja o vídeo na íntegra aqui.

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