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epa11889322 US President Donald J. Trump (R) gives remarks to the media in the Oval Office of the White House, as he meets with US entrepreneur and U.S. special government employee Elon Musk (L), in Washington, DC, USA, 11 February 2025.  EPA/Aaron Schwartz / POOL
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Aaron Schwartz / POOL/EPA

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Era um escudo, mas as balas começaram a afetar Trump e a lua de mel acabou. Musk está de saída, mas será sempre amigo (e conselheiro?)

Musk acumulou anti-corpos entre os republicanos, mas Trump manteve a confiança. Semanas antes de chegar ao fim do prazo do DOGE e dias depois de uma eleição perdida, Trump falou sobre a sua saída.

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No dia 5 de outubro, Elon Musk participou pela primeira vez num comício de Donald Trump, em Butler na Pensilvânia. Aos saltos no palco e com apelos à “luta”, o homem mais rico do mundo mergulhou assim no mundo da política — um “salto de gigante“, escreveu o New York Times sobre o momento. Passados cinco meses, viu Trump ser eleito, autoproclamou-se “first buddy” e conquistou um lugar na administração, a partir do qual afirma ter feito cortes de 140 mil milhões de dólares nos gastos públicos de Washington.

Nunca foi suposto o seu trabalho no Departamento de Eficiência Governamental (o DOGE) durar uma legislatura inteira. Isto porque Musk trabalha como “funcionário especial do governo”, e estes só podem trabalhar 130 dias num ano civil. Isto quer dizer que o mandato do dono da Tesla e do X chega ao fim no final de maio ou início de junho — não é certo em que dia é que os seus serviços para o governo federal começaram.

Contudo, no dia 24 de março, cerca de dois meses antes de este prazo chegar ao fim, o Presidente informou o seu executivo que Musk sairá do cargo “nas próximas semanas”, relatou o Politico esta semana, citando três fontes com conhecimento da reunião. Não é claro se o prazo de Trump se refere ao fim do contrato ou se Musk vai abandonar o barco da governação mais cedo. O que é certo é que o anúncio da saída foi celebrado dentro do Partido Republicano. “Já não era sem tempo“, declarou um membro do Partido, numa mensagem enviada à TIME.

epa11911595 US entrepreneur and US special government employee Elon Musk with a chainsaw given to him by Argentine President Javier Milei at the Conservative Political Action Conference (CPAC) 2025 at National Harbor, Maryland, USA, 20 February 2025. The Conservative Political Action Conference is an annual political conference attended by conservative activists and elected officials from across the United States and beyond.  EPA/WILL OLIVER / POOL

▲ A forma como Musk fez cortes tornou-o impopular entre republicanos e eleitores

WILL OLIVER / POOL/EPA

Nos poucos meses que passou em Washington D.C., Elon Musk colecionou anti-corpos entre os republicanos: discutiu com membros do executivo, com a chefe de gabinete da Casa Branca e com aliados próximos de Trump. Tudo isto enquanto passava a sua motosserra (uma oferta do Presidente da Argentina, Javier Milei) por cima de todos os departamentos. As eleições locais do Wisconsin e da Flórida, na passada terça-feira, e o desempenho abaixo da média do Partido Republicano não contribuíram para a popularidade de Musk, que investiu milhões de euros na corrida no Midwest.

Apesar de todas as críticas, Donald Trump nunca lhe retirou a confiança. Para além de uma aparente amizade genuína, o Presidente tem muito a ganhar ao manter o homem mais rico junto de si, argumentam especialistas e pessoas próximas dos dois homens. Mesmo com Musk a abandonar Washington para regressar aos seus negócios, esta não foi a última vez que o vimos ao lado de Donald Trump, considera Sebastian Mallaby, autor do livro sobre Silicon Valley, “The Power of Law”, ao Observador.

Amizade, carteira e um escudo para as críticas. O que Trump ganha com Musk

“Ele é um tipo muito talentoso. Eu adoro gente esperta. E ele é muito esperto e fez um trabalho muito bom”, afirmou Donald Trump na passada segunda-feira, enquanto assinava uma ordem executiva na Sala Oval. Os elogios do Presidente a Elon Musk fizeram-se ouvir uma e outra vez desde que o empresário anunciou o seu apoio ao então candidato republicano: a sua inteligência, o seu QI elevado, a sua capacidade de liderança e, agora, o seu trabalho no DOGE.

Pessoas próximas do Presidente e de Musk, ouvidas pelo Politico e pelo New York Times, são inequívocas: os elogios e a apreciação de Trump são “genuínos” e há uma amizade real entre os dois homens. “Trump gosta de Musk porque ele gosta de empresários bem-sucedidos”, argumenta Sebastian Mallaby, especialista em Economia Internacional. O próprio passado empresarial do chefe de Estado ajuda a perceber esta ligação que os dois homens partilham.

Ainda assim, é preciso notar que a relação vai muito além de uma amizade. Por um lado, Musk foi o maior financiador da corrida eleitoral de 2024 — tanto entre democratas como republicanos. O homem mais rico do mundo gastou 288 milhões de dólares nas campanhas de Donald Trump e de outros candidatos republicanos (para o Congresso, cujos lugares foram a votos no mesmo dia). “Trump beneficia do financiamento de Musk de candidatos políticos pró-Trump”, acrescenta Mallaby.

"O Elon está a levar com muitas balas por Trump — muitas mesmo — e Trump sabe disso."
Conselheiro sénior de Donald Trump

Por outro lado, também é útil que Musk seja dono do X. Enquanto Twitter, a plataforma tinha banido a conta de Trump. Depois da compra pelo dono da Tesla e da Space X, a sua conta foi restaurada e a rede social tornou-se um palco para os apoiantes do movimento MAGA e para os membros da administração Trump. “[Musk] foi capaz de utilizar [o X] para promover e atacar certas pessoas, pessoas que Trump e o ecossistema MAGA gostam ou atacar aqueles de quem não gostam”, elaborou a jornalista e analista da CNN, Maggie Haberman.

Para além das semelhanças entre os dois e dos benefícios financeiros que recolhe, Donald Trump pode ter uma outra razão para manter Elon Musk tão próximo. “O Elon está a levar com muitas balas por Trump — muitas mesmo — e Trump sabe disso”, declarou um conselheiro sénior do Presidente ao Politico. Ao mesmo jornal, um outro conselheiro partilhou o sentimento, mas preferiu utilizar outra linguagem: “[Trump está a] deixar outra pessoa recolher a m**** de cão”.

Como líder do DOGE, Musk deu a cara por algumas das medidas mais controversas da segunda administração Trump — como o fim das ajudas externas para o desenvolvimento (o programa USAID), os despedimentos em massa de funcionários públicos e o fim dos apoios aos veteranos —, desviando as atenções do próprio Presidente. A sua preponderância é tal que o Partido Democrata se refere à administração “Trump-Musk” (e não Trump-Vance), definindo o bilionário como o inimigo.

O facto de Musk servir como pára-raios para Donald Trump pode não ser um sacrifício consciente por parte do milionário, mas o repórter da Casa Branca do New York Times, argumenta que a decisão é ponderada da parte do Presidente. “Sabendo como Trump pensa, não me surpreenderia que Trump pense que é bom que Musk esteja a ser alvo de toda esta pressão e ele não”, afirmou em entrevista.

epaselect epa11965721 Demonstrators gather outside a Tesla dealership to protest businessman Elon Musk's current role in US President Donald Trump's administration and his controversial political positions, in Park Royal, London, Britain, 15 March 2025. Campaigners encouraged people to boycott the Tesla brand, sell the cars they already own and dump the company’s stock to impact the co-founder and CEO of Tesla.  EPA/TOLGA AKMEN

▲ Musk tornou-se alvo direto de muitas das críticas dirigidas à administração Trump

TOLGA AKMEN/EPA

A “guerra civil” entre Elon Musk e os republicanos

A proximidade entre Donald Trump e Elon Musk tem vantagens para todos os candidatos republicanos. Afinal, os 288 milhões não foram canalizados na sua totalidade para a corrida presidencial: vários aspirantes a senadores e representantes viram as suas campanhas financiadas pelo homem mais rico do mundo.

Contudo, o dinheiro não foi suficiente para Musk ganhar o favor de muitos dentro do partido. Ainda antes de chegar a Washington, Musk já liderava os CEO’s da indústria tecnológica, na “guerra civil do MAGA” sobre os vistos H-1B, que permitem a contratação temporária de trabalhadores especializados no estrangeiro. Na oposição, estava a franja anti-imigração mais extremista dos apoiantes de Donald Trump.

De Bannon a Tusk. As inimizades e as polémicas que Elon Musk vai colecionando na Casa Branca

Com o nascimento oficial do DOGE, as tensões continuaram a acumular-se: a capacidade de liderança que Donald Trump elogiava em Musk era, para os republicanos, falta de trabalho em equipa e uma imprevisibilidade perigosa. “Há uma falta de conhecimento sobre comunicações e porque é que elas são importantes”, disse um conselheiro da administração ao Politico. “Acham que ele é um génio, mas ele é uma bola de demolição”, acusou outro.

Na base das críticas estava a falta de comunicação e de coordenação com os líderes dos restantes departamentos, que foram apanhados de surpresa pelos cortes que foi fazendo no DOGE. Ainda no início de fevereiro, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, falou diretamente com Musk. Cerca de um mês depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, confrontou-o numa reunião do executivo. “Trump não gostou [destas tensões], mas ele nunca se preocupou muito em ver gente abaixo dele a lutar, desde que lhe permaneçam fiéis”, considerou o repórter do New York Times na mesma entrevista.

Contudo, foi nessa reunião do executivo que, pela primeira vez, Donald Trump colocou uma rédea nas funções de Elon Musk, ao confirmar que apenas os secretários podem efetuar cortes definitivos nos Departamentos sob a sua tutela. O professor de Direito na Universidade de Nova Iorque, Paul Barrett, sugeriu à CNN, na mesma altura, que a impopularidade de Musk dentro do Partido Republicano poderia começar uma revolta interna.

epa11985762 Elon Musk, CEO of Tesla and senior advisor to the president of the United States, attends a meeting with President Trump and members of his cabinet in the White House Cabinet Room in Washington, DC, USA, 24 March 2025.  EPA/Samuel Corum/ POOL

▲ Musk marcou presença em reuniões do executivo, sem nunca reunir favor entre os outros oficiais

Samuel Corum/ POOL/EPA

“Há todas possibilidades que uma mão cheia de membros do Congresso ganhem coragem de confrontar Trump e sofrer a sua raiva se tiverem eleitores suficientes em casa a dizer ‘Mandámo-vos para Washington e estamos fartos disto. Isto é caos, loucura'”, elaborou. A revolta nunca chegou a acontecer. Ao longo desta semana, Trump, o seu vice, JD Vance, e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt afirmaram que Musk abandonará Washington quando o seu trabalho no DOGE estiver “terminado”.

Na semana passada, já depois da reunião em que Trump terá informado os seus secretários sobre a saída de Musk, o bilionário e os restantes funcionários do DOGE foram à Fox News falar sobre o trabalho que têm desenvolvido. Questionado sobre o contrato de 130 dias para ocupar o posto, Musk mostrou-se confiante que conseguirá cumprir os objetivos definidos “dentro do prazo”.

Mas o mero facto de todas as partes envolvidas reconhecerem que o trabalho de Elon Musk e do DOGE tem um prazo de validade é um afastamento de uma posição que imperava na Casa Branca durante as primeiras semanas da administração. À data, a sua função estava a ser discutida a “longo prazo” e “sem limites”, escrevia o Politico. Em novembro do ano passado, Sebastian Mallaby previa, em entrevista ao Financial Times que “a lua de mel não ia durar muito“. Esta saída de Musk parece ser o fim da lua de mel. Mas se as tensões não persuadiram Trump e a revolta de que falava Paul Barrett não se verificou, o que fez o Presidente mudar de ideias?

O “efeito Musk” nas eleições locais do Wisconsin e da Flórida

Na passada terça-feira, os eleitores do Wisconsin deslocaram-se às urnas para eleger um juiz para o Supremo Tribunal. No mesmo dia, os eleitores da Flórida votaram numa eleição especial para ocupar dois lugares na Câmara dos Representantes, deixados vagos por dois congressistas que se juntaram à administração Trump — Michael Waltz, que se tornou Conselheiro de Segurança Nacional, e Matt Gaetz, que abdicou do lugar para ser procurador-geral, mas acabou por desistir da corrida por polémicas.

Estas foram as primeiras eleições desde a vitória esmagadora de Trump e do Partido Republicano no dia 5 de novembro. Em situações destas — e dado o sistema eleitoral bipartidário dos Estados Unidos —, as eleições locais servem como referendo e balança à mudança de panorama político do país. Apesar de os resultados terem sido esperados — manutenção democrata no Wisconsin e republicana na Flórida — a performance nas urnas dos republicanos foi inferior a anos anteriores. Em ambos os casos, os republicanos encontraram em Elon Musk parte da responsabilidade.

"Estou chocada. Achei que estava garantido. Achei que Musk era um trunfo para esta corrida."
Pam Van Handel, responsável local do Partido Republicano no Wisconsin

O presença de Musk no Wisconsin foi óbvia: o líder do DOGE anunciou o seu apoio ao candidato conservador Brad Schimel, entregou 25 milhões de dólares à sua campanha (valores inéditos para uma corrida deste nível) e afirmou que “a corrida pode decidir o futuro da América e da Civilização Ocidental”. Schimel perdeu para a candidata democrata. “Estou chocada. Achei que estava garantido. Achei que Musk era um trunfo para esta corrida”, afirmou uma das responsáveis locais do Partido.

Em novembro, Trump tinha conseguido pintar o Wisconsin, um swing state, de vermelho. Musk e a sua comprovada popularidade entre os eleitores republicanos foram uma aposta para os cativar a ir às urnas, já que em cenários de alta abstenção, o Partido Democrata tem tendência a sair beneficiado. A presença de Musk funcionou para diminuir a abstenção, mas não para aumentar os votos republicanos. “Musk dá energia aos eleitores. Se calhar não são aqueles que almejava”, resume o New York Times.  Por oposição, Trump manteve-se muito mais discreto sobre esta corrida, já que, segundo o mesmo jornal, a equipa de sondagens do Presidente previa uma derrota certa de Schimel.

O possível “efeito Musk” na Flórida foi mais discreto. O lugar no 1º. distrito — que pertencia a Gaetz — foi ganho por uma margem substancial de 14 pontos, mas que é menos de metade da margem que Trump conseguiu aí em novembro. Este é o distrito da Flórida com mais trabalhadores federais, grupo que tem sido alvo de despedimentos em massa por parte do DOGE. Tendo em conta a queda abrupta nos resultados dos republicanos, este detalhe poderá ser mais do que uma coincidência.

Olhando a Flórida ainda mais à lupa, é possível ver que os democratas conseguiram virar o condado de Escambia — que votou em Gaetz, apesar das acusações de abuso sexual, deu uma vitória estrondosa a Trump e não vota num Presidente democrata desde 1960. Este condado alberga um complexo da Marinha e é, de um modo geral, conhecido pela presença de pessoal militar, veteranos e as suas famílias — um grupo que foi igualmente afetado pelo DOGE. “A eleição especial do 1º. distrito sugere que os eleitores impuseram um imposto Musk ao Partido Republicano”, escreve o Politico, notando que a Florida é republicana o suficiente para não perder os lugares, mas que esta tendência pode significar derrotas noutros distritos com as mesmas características.

Essa possibilidade já foi identificada pelos adversários democratas. “Elon Musk está a tornar-se veneno eleitoral“, afirmou à publicação Evan Roth Smith, especialista em sondagens no Partido Democrata, que acrescenta que o partido deve incorporá-lo na sua mensagem. Os democratas perceberam a missão e a vitória no Wisconsin foi rapidamente mobilizada como arma de arremesso contra o bilionário.

O Presidente Donald Trump também provou recentemente que está ciente da importância que as eleições locais têm para a manutenção do poder, quando retirou a nomeação de Elise Stefanik para embaixadora na ONU. A congressista representa o 21º. distrito do Nova Iorque, um círculo eleitoral particularmente competitivo, de um estado tradicionalmente azul. Os republicanos não se podem dar ao luxo de testar se “o efeito Musk” é real numa eleição especial de um distrito com estas características, dada a estreita margem que têm no Congresso.

Enquanto Donald Trump recolheu benefícios financeiros e políticos da sua proximidade a Elon Musk, esteve disposto a desvalorizar as suas fricções com os outros membros da administração. Mas um mau impacto nas urnas poderá ser a gota de água para afastar o bilionário de Washington. “Se [as balas] começarem a afetar [Trump], a lua de mel acaba… E isso está a começar a acontecer“, concluía o conselheiro sénior de Trump que falou com o Politico.

O líder do DOGE pode deixar Washington, mas o “amigo e conselheiro” não

Apesar de a posição oficial de Elon Musk ser a de funcionário especial, um documento apresentado em tribunal, em meados de fevereiro, define o homem mais rico do mundo como “conselheiro sénior da Casa Branca“. Esta posição é bem mais informal e permite a Elon Musk continuar ao lado de Trump, mesmo como o seu braço direito se necessário — mas não é um lugar na administração.

Ou seja, Trump continuará a contar com a amizade e a inteligência que tanto diz valorizar em Musk, com os seus fundos para campanhas e com a sua popular plataforma entre o movimento MAGA. Mas retira-lhe o poder de tomar decisões concretas que possam refletir-se em maus resultados eleitorais. Em novembro, Sebastian Mallaby já previa o passo atrás nesta relação e justificava-a com outro traço em comum, para além da veia empresarial: ambos se chateiam das pessoas com facilidade. Mas o aborrecimento traduz-se de formas diferentes.

Para Musk, o regresso à Tesla, à SpaceX e às restantes empresas parece inevitável. “A certa altura, ele vai querer regressar”, declarou o Presidente na segunda-feira. A TIME, depois de ouvir republicanos que diziam que a saída só peca por tardia, escrevia: “O seu biscate no DOGE continuou a ser uma atividade paralela, enquanto ele continuava a gerir as suas empresas e a lançar foguetões para o espaço.” E o próprio CEO já tinha reconhecido à Fox News que a atenção à política deixou as empresas em queda.

Tesla desvaloriza e fortuna de Musk vai atrás. Pode o homem mais rico do mundo continuar a jogar em duas frentes sem afundar a empresa?

Para Trump, o seu aborrecimento traduz-se numa aversão a partilhar o holofote. Musk funcionou como escudo, mas se os ataques políticos já não um jogo de soma zero — se alguma vez o foram —, então, o Presidente prefere voltar a ser o centro das atenções. À CNN, Maggie Haberman garante que “Musk nunca vai sair do círculo de Donald Trump”. No New York Times, a jornalista cita duas fontes próximas do Presidente que lhe asseguram que a relação se irá manter, apenas assumir uma nova forma.

Sebastian Mallaby tem uma sugestão sobre que forma poderá ser essa. “Podem estar mais distantes, mais colaborativos, uma espécie de entendimento oligárquico em que Trump produz favores para os negócios de Musk e, em troca, Musk produz cobertura política de Donald Trump”, elaborou ao Financial Times. O jogo de soma zero passaria, portanto, a uma relação de ganhos mútuos. JD Vance adiantou uma outra certeza: “O Elon continuará a ser um amigo e conselheiro para o Presidente”.

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