Tomás Correia saiu da liderança do Montepio há quase seis meses, mas ainda “vivem” os estatutos cuja criação foi capitaneada pelo controverso banqueiro, quando já estava de saída. Um grupo de associados, vários dos quais foram oposição a Tomás Correia nas últimas eleições, logo defendeu perante a tutela que os estatutos eram ilegais, à luz do novo código das mutualistas, mas há meio ano que esperam – e desesperam – por uma resposta. Esta segunda-feira, sabe o Observador, seguiu para a ministra Ana Mendes Godinho uma carta a lamentar a demora e a pedir uma audiência urgente no Ministério do Trabalho e Segurança Social, que tem a tutela das mutualistas. Entre os subscritores estão algumas figuras-chave das listas B e C que, somadas, até tiveram mais votos do que Tomás Correia nas últimas eleições – são personalidades que estão, agora, a unir-se pela “salvação do Montepio”.

Se na área da banca as atenções têm estado centradas na transferência de 850 milhões para injetar no Novo Banco – que acontece todas as primaveras –, no Ministério do Trabalho e Segurança Social a prioridade máxima tem sido a resposta à emergência social e económica causada pela pandemia Covid-19. Isso poderá estar a contribuir para fazer arrastar um dossier potencialmente explosivo que está na secretária de Ana Mendes Godinho desde o ano passado: a aprovação dos novos estatutos da mutualista Montepio, que tem 600 mil associados em todo o país e gere cerca de três mil milhões de euros em poupanças. E que só por “alquimia” contabilística não está, já, em falência.

Trata-se dos estatutos que Tomás Correia conseguiu fazer aprovar na sua última assembleia-geral e que determinam, entre outras coisas, que o conselho de administração eleito em 2018 (entretanto “amputado” do seu presidente) possa cumprir o resto do mandato. Uma das principais novidades destes estatutos é a criação de uma Assembleia de Representantes do Montepio, que vai passar a ser uma espécie de “parlamento” da mutualista.

Esse novo órgão, uma vez criado, deverá ser preenchido com eleições, mas várias personalidades que estiveram nos últimos anos na oposição a Tomás Correia defendem que também para o Conselho de Administração tem de haver eleições, em simultâneo. Antes de mais, por uma questão de princípio, mas também porque essa é uma administração que perdeu o seu presidente e onde há mais um administrador (Luís Almeida) que está na mira dos supervisores e que está isolado dos outros três (o presidente Virgílio Lima, o “capitão de Abril” e ex-autarca de Grândola Carlos Beato e a ex-deputada socialista Idália Serrão).

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