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Bruno Nunes é deputado do Chega
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Bruno Nunes é deputado do Chega

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Bruno Nunes é deputado do Chega

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

"No dia em que o André sair, Chega passará para um ou dois deputados"

Em entrevista, o deputado Bruno Nunes, apontado como principal opositor de Ventura no Chega, jura total lealdade, nega qualquer desconforto interno e pede que o líder fique no cargo por mais 20 anos.

É apontado recorrentemente como o rosto da oposição a André Ventura, mas jura absoluta lealdade ao líder. Por ele têm passado todas as notícias que dão conta do desconforto interno que existe em relação ao resultado do partido, mas nega ter um dedo que seja nessas queixas e garante que a responsabilidade pelo resultado menos conseguido é de todos. Domina uma parte substancial do aparelho do Chega, mas diz que nunca contribuirá para derrubar o líder e assegura que jamais será candidato à presidência do partido.

Em entrevista ao Observador, no programa Vichyssoise, Bruno Nunes garante que, apesar das notícias que o dão como líder da fação interna que se opõe ao presidente do partido, está completamente alinhado com André Ventura. Agora e sempre. “Estarei no partido Chega enquanto André Ventura estiver; no dia que o André sair, eu sairei. E não faz sentido haver outro líder nos próximos 15 a 20 anos.”

Apesar de tudo, o deputado do Chega reconhece que, apesar de existirem algumas explicações possíveis, o resultado nas europeias não foi exatamente positivo. Mas recusa a apontar o dedo exclusivamente a André Ventura ou António Tânger Corrêa. “É responsabilidade de todos. Há a responsabilidade de André Ventura, a responsabilidade da direção nacional, a responsabilidade de todos os deputados, a responsabilidade de todos os militantes”, diz.

[Já saiu o sexto e último episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio.]

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Sobre os próximos meses, Bruno Nunes garante que o Chega não ficará condicionado pelo tropeção nas europeias e que se tiver de chumbar o Orçamento do Estado, mesmo que isso provoque novas eleições, assim o fará. “Não conhecemos ainda o Orçamento, não sabemos se Luís Montenegro mantém o ‘não é não’, se vai manter este muro que já se percebeu que não dará bom resultado para a política portuguesa.”

“Montenegro está a fazer governação de campanha eleitoral constante”

O balde de água fria com que o Chega levou nas eleições europeias deve fazer o partido repensar a sua estratégia? Por exemplo: o partido está agora obrigado a aprovar o Orçamento do Estado do Governo?
Acho que não há balde de água fria. Passámos de zero para dois deputados. Tínhamos claramente dito que queríamos ganhar as eleições. Portanto, não é de maneira nenhuma o resultado que queríamos, não era o resultado expectável. Existem diversos fatores que devemos analisar, mas não vamos misturar os assuntos com a questão do Orçamento do Estado. Não conhecemos ainda o Orçamento, não sabemos se Luís Montenegro mantém o ‘não é não’, se vai manter este muro que já se percebeu que não dará bom resultado para a política portuguesa. Não vamos achar que o resultado menos positivo que tivemos nas eleições europeias terá como consequência a obrigatoriedade de aprovar um Orçamento do Estado.

Portanto, mesmo com este resultado menos positivo, o Chega não se sente condicionado nem obrigado a aprovar o Orçamento do Estado? Mesmo que isso signifique que haja de facto eleições? O Chega não tem medo de perder deputados?
Temos de olhar para os resultados. Por exemplo, nas legislativas ganhámos dois círculos eleitorais que desta vez tiveram uma taxa de abstenção elevadíssima. Percebemos que existe, e não vou com isto tentar justificar ou dizer que o facto disto que eu vou dizer ter acontecido, que foi limitador à eleição de mais deputados, mas, no entanto, foi claramente uma consequência, ou teve consequência na abstenção. O Chega foi claramente prejudicado pela abstenção. Uma das grandes subidas do Chega passava por irmos buscar os descontentes, aqueles que já não acreditavam na política, aqueles que estavam afastados ou que já não votavam por algum motivo. Nas legislativas, a descida da abstenção teve uma consequência direta na subida que nos levou aos 50 deputados.

Se o Chega forçar ou for corresponsável por uma crise política, não corre o risco de ser penalizado por esses mesmos eleitores que estão ou podem estar cansados de sucessivas eleições?
O Chega desde que nasceu nunca foi pelos votos. A nossa preocupação nunca foram os votos. Se fosse pelos votos não teríamos apresentado moções de censura como apresentámos, não tomávamos algumas propostas como sendo bandeiras importantes neste momento porque considerarmos que deveria existir estabilidade governativa e não devíamos abalar o governo. Aquilo que pretendemos é estabilidade para o povo português. Não queremos andar de eleições de seis em seis meses. Portanto, a pergunta tem que ser feita ao contrário: o PSD está disposto a mergulhar uma vez mais o país numa convulsão política? O que é que faz Luís Montenegro? Vai continuar a fazer a governação de campanha eleitoral constante, que foi o que fez durante a campanha para as europeias para tentar ganhar eleições e não para governar o país? Ou quer de facto sentar e ser responsável pela gestão do país, olhando para o Orçamento do próximo ano com abertura para o diálogo? E não vale a pena dizer que estão abertos ao diálogo, mas depois o diálogo não existe.

A nova composição parlamentar tem permitido que os votos cruzados do PS e do Chega aprovem determinadas medidas contra a vontade do próprio Governo. Mesmo que involuntariamente, aparecer ao lado do PS na fotografia não está a prejudicar o partido do ponto de vista da perceção que tem junto do eleitorado?
Volto a dizer: nunca governámos ou governaríamos por uma questão de perceção de votos. As propostas que aprovámos [com o PS] estavam escritas no nosso programa eleitoral.Não há qualquer associação ao PS. No passado, aprovámos propostas do Bloco, do PCP, do Livre e do PAN. Há uma questão que é clara: somos quem mais tenta mais abolir a questão do socialismo em Portugal.

"Não há insatisfação interna. Aliás: há insatisfação dos 52 mil militantes, cada um por si, com a lógica de não termos conseguido atingir os objetivos e ter a vitória que desejávamos e que era tão importante para a direita portuguesa nesta fase crucial da nova conjuntura geopolítica nacional"

“Não conseguimos passar a nossa mensagem nas europeias”

No Chega houve quem tentasse atribuir o resultado menos conseguido a António Tânger Corrêa. André Ventura está isento de responsabilidade?
Se me perguntasse há quatro meses se achava que António Tânger Corrêa devia ser o candidato, achava. Dois meses antes e no dia das eleições, continuei a achar que é a pessoa certa no lugar certo. Há muita conjuntura naquilo que aconteceu. Há um voto claro de confiança em relação ao presidente do partido e à escolha de António Tânger Corrêa.

Mas porque é que o Chega não atingiu o resultado que queria atingir?
É responsabilidade de todos. Há a responsabilidade de André Ventura, a responsabilidade da direção nacional, a responsabilidade de todos os deputados, a responsabilidade de todos os militantes, que se calhar não nos apoiámos tanto uns aos outros como devíamos ter apoiado, num processo em que vínhamos de uma eleição legislativa cansativa.

Em que é que falhou esse apoio?
Falhou porque não conseguimos passar a nossa mensagem. Não vou estar aqui a acusar os media, mas tínhamos candidatos muito mal preparados. Tínhamos Marta Temido completamente desfasada das realidades europeias; Sebastião Bugalho, com o mediatismo que tinha, não conhecia sequer as matérias que estavam em cima da mesa. E isto nunca foi sobejamente debatido. Uma das coisas que está muito em cima da mesa em todas as reuniões europeias é a autonomia estratégica aberta. Nunca foi debatido. Não debatemos o Pacto das Migrações de uma forma concreta.

Mas porque é que isso acontece? Não é por incompetência, no caso de Tânger Corrêa ou André Ventura?
Não, porque [o assunto] não vende. Não vos estou a querer acusar, obviamente, vocês fazem o vosso papel e a espuma dos dias é o que interessa para poder vender. Mas a realidade é que não vende. Não discutimos em momento algum a autonomia estratégica aberta, por exemplo, que passa por a Europa não estar tão dependente a nível económico dos Estados Unidos e menos dependente também da Rússia. E ter um novo posicionamento de abertura do mercado da América do Sul. O António Tânger Corrêa foi o único que teve a capacidade de falar do centralismo europeu e do facto de não continuarmos a ser vistos como um país periférico. Agora, não conseguimos passar muito da nossa mensagem.

Será difícil argumentar que André Ventura é uma pessoa com pouco mediatismo ou com pouca atenção nos media.
É o político mais mediático em Portugal, não tenho a mínima dúvida.

E esteve muito envolvido na campanha. Empenhou-se pessoalmente nisso. Pedro Arroja, que chegou a colaborar com o Chega, foi uma das pessoas que responsabilizaram diretamente André Ventura, chamando-lhe o maior fator de risco de implosão do partido.
Pedro Arroja pode dizer o que quiser. Aliás, um dos fatores de implosão do partido poderia ter sido Pedro Arroja se tivesse ficado dentro do partido. Mas tem toda a liberdade para poder dizer aquilo que considera.

Mas isto sobre a imputação de responsabilidades a André Ventura. Não há?
No Parlamento, Augusto Santos Silva costumava dizer que não existem responsabilidades coletivas, mas eu aqui atribuo uma responsabilidade coletiva a todo o Chega. Desde o militante de base, a todas as estruturas concelhias, passando pelos deputados, a Direção Nacional, André Ventura. Quando na derrota todos gritam a dizer que ganhámos… desta vez perdemos todos, ou pelo menos não tivemos um resultado tão positivo como pretendíamos ter. Se nas legislativas nós conseguimos despertar a atenção ao eleitorado, que por norma está na franja da abstenção e que é o maior partido português, desta vez não conseguimos despertar a atenção das pessoas e explicar que 70% do ordenamento jurídico em Portugal é emanado da União Europeia.

O Chega não conseguiu despertar os mesmos descontentes para as europeias.
Claramente, e daí a abstenção. E daí a responsabilidade, porque falhámos naquilo que somos mais fortes, quer nas redes sociais, quer no passa palavra, quer nos cafés, quer explicar a toda a gente que era importante votar. De norte a sul, nos mais de 50 mil militantes do Chega, todos temos responsabilidade.

"Não tenho a mínima dúvida de que, no dia que o André sair, no dia a seguir o partido eventualmente não morre, mas passará para zero, ou um ou dois deputados, e terá um grande problema"

“Excluo por completo ser candidato à liderança do Chega”

Há relatos de um grande desconforto na bancada parlamentar do Chega a seguir às eleições europeias. O Seminário Sol descreveu uma reunião em que só Ventura falou e ninguém interveio. Queríamos perguntar-lhe se existe essa insatisfação, e já agora se não existe, porque é que a André Ventura sentiu a necessidade de escrever no Twitter que “se houver projetos alternativos, que se apresentem às militantes as propostas e que cá estaremos para os debater” e que não fugirá ao confronto.
A primeira coisa que o Semanário Sol devia ter feito era cumprir aquilo que qualquer jornalista deve cumprir, que é o código deontológico e fazer o direito ao contraditório. Foi uma notícia para tentar uma desestabilização que não faz qualquer sentido.

Mas a notícia sobre o conteúdo da reunião não era verdade?
Foi uma reunião em que o presidente do partido decidiu falar com o grupo parlamentar para que analisássemos e ponderássemos aquilo que aconteceu durante a campanha eleitoral. É uma conversa interna, é de família e portanto não tem nada que transparecer cá para fora. O que acontece aqui de surpreendente é que aparentemente pela primeira vez de facto o que aconteceu dentro da reunião não saiu. E portanto, quando não sai nada, especulamos imenso em relação àquilo que se passa.

Portanto não há nenhuma insatisfação dentro do partido?
Não há insatisfação. Aliás, garanto-lhe, há insatisfação dos 52 mil militantes, cada um por si, com a lógica de não termos conseguido atingir os objetivos e ter a vitória que desejávamos e que era tão importante para a direita portuguesa nesta fase crucial da nova conjuntura geopolítica nacional.

Há quem o aponte insistentemente como a principal alternativa interna a André Ventura. Porque é que se gerou esta ideia em relação a si? E porque é que se diz que lidera uma facção insatisfeita contra André Ventura?
Não faço ideia. Se me perguntar, falo constantemente com o meu amigo André Ventura, que é presidente do partido, mas que acima de tudo também é meu amigo, e os dois muitas vezes temos dificuldade em entender. Fico estupefacto com algumas notícias que ouço sobre mim. Em relação à notícia do Sol, é completamente vazia, não tem qualquer enquadramento. Posso confidenciar que na véspera, quando recebi a capa do Sol, eram nove e meia da noite, juro que pensei que era falso. Cheguei a partilhar com o presidente do partido a dizer: “Isto é verdade ou é alguma manipulação?”. Decidi fazer o comunicado que foi agendado para as oito e meia da manhã, porque eu ainda nem sequer tinha visto o que lá estava escrito dentro, mas sabia que era mentira.

Mas então apontemos para a frente. Exclui por completo a ideia de uma candidatura à liderança do Chega?
Excluo por completo.

Nem que Cristo desça à terra?
Não preciso ir falar em Cristo, nem ir por aí.

É uma expressão que ficou conhecida na política portuguesa.
Certo, mas posso lhe dizer o seguinte: estarei no partido Chega enquanto André Ventura estiver; no dia que o André sair, eu sairei. Se o presidente do partido considerar que não tem 100% de confiança em mim, que acha que nalgum momento eu posso ser algum problema dentro do partido ou criar alguma instabilidade, nesse mesmo momento saio do partido.

Mas André Ventura pode continuar no partido, mas não na liderança do partido…
Mas nunca por um golpe palaciano. Se sair por um golpe palaciano, estou fora de imediato.

Sair em eleições internas.
Não faz sentido nos próximos 15 a 20 anos. Não tenho a mínima dúvida, e não preciso de estar constantemente a jurar a lealdade ao líder. Tenho dado provas desde 2017, do que reconheço sobre a sua competência, de reconhecer como o político com mais mediatismo – a par dele só existia António Costa, e neste momento está fora do espectro político nacional. Não tenho a mínima dúvida de que, no dia que o André sair, no dia a seguir o partido eventualmente não morre, mas passará para zero ou um ou dois deputados, e terá um grande problema.

"Se o presidente do partido considerar que não tem 100% de confiança em mim, que acha que nalgum momento eu posso ser algum problema dentro do partido ou criar alguma instabilidade, nesse mesmo momento saio do partido"

“Preferia Isabel Moreira a Mortágua como inspiração de um novo romance”

Vamos à segunda parte do programa, em que o convidado tem de escolher uma de duas opções, o bloco Carne ou Peixe. Preferia entregar um novo boneco das Caldas a Pedro Nuno Santos ou a António Costa?
Claramente a António Costa.

Tinha de escolher uma destas personalidades para servir de inspiração a um novo romance. Escolhia Mariana Mortágua ou Isabel Moreira?
Isabel Moreira. Tem sempre aquela parte de pintar as unhas, tem alguma sensualidade à mistura.

Preferia daqui a 25 anos estar a dirigir uma campanha em eleições legislativas de André Ventura ou de Rita Matias?
Mantenho André Ventura e continuo a achar que aos 65 anos estará fortíssimo para ser primeiro-ministro de Portugal.

Preferia partilhar um prato de choco frito em Setúbal com Nuno Afonso ou Paulo Raimundo?
Sinceramente, Paulo Raimundo. Deve ter umas histórias interessantíssimas para contar nos seus processos pelo teatro e chegaria ao final e de certeza que diria: “Que informação dramática!”.

 
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