O PS/Açores colocou a sobrevivência de um segundo governo de Bolieiro nas mãos da direita. Após o anunciado voto contra socialista, é o Chega que vai decidir se há novas eleições. O partido de André Ventura (líder nacional) e de José Pacheco (líder regional) continua a insistir em negociações com o PSD, mas Bolieiro não cede: são os outros que têm de aceitar o programa de Governo. O Chega continua a exigir integrar o governo regional e a exclusão do CDS e do PPM desse executivo, algo que José Bolieiro nunca aceitará. Ainda há, no entanto, uma solução para evitar novas eleições em outubro: a abstenção de Chega e IL — algo que nenhum dos dois afasta, pelo menos para já.

O programa do governo regional tem, necessariamente, de ser votado para que o segundo Governo de José Manuel Bolieiro possa continuar em funções para lá de março. O PS tem 23 deputados que vão votar contra, aos quais se juntará o crónico voto contra do BE, o que perfaz 24 deputados contra. Já PSD, CDS e PPM têm juntos 26 deputados. O poder do Chega para provocar eleições é assim fundamental. Se o Chega votar a favor, o programa passa (com 31 deputados, mais do que os 29 necessários); se o Chega votar ao lado do PS (23) e do BE (1) contra o programa será chumbado (perfaz 29).

Nos dois cenários, IL e PAN são dispensáveis, mas há um terceiro cenário: a abstenção do Chega e de mais um destes deputados (Nuno Barata ou Pedro Neves). Esta terceira via é, neste momento, a opção mais provável por uma única razão: dificilmente, como já disse André Ventura, o Chega se une ao PS para deitar um governo de direita. Seja ele em que geografia for. O líder da IL/Açores, Nuno Barata, também diz que não é “sensato” não deixar um governo entrar em funções plenas.

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