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O antigo presidente do PSD, Luís Marques Mendes à chegada ao 5º Encontro Nacional de Autarcas Social-Democratas, no Auditório Centro de Arte, Ovar, 11 de Janeiro de 2025.  MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA
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MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

PSD pressiona Mendes a acelerar calendário. Aguiar-Branco perde espaço e fica na "reserva"

Figuras influentes do partido tentam dar empurrão a Marques Mendes em declarações concertadas com Montenegro. Afunilamento no ex-líder retira espaço a alternativas como Aguiar-Branco.

O PSD está cada vez mais a fechar-se em torno de Luís Marques Mendes como candidato presidencial, mas o comentador e conselheiro de Estado vai resistindo e não se quer precipitar. Apesar das pressões para que corra mais rápido (ou os incentivos, dependendo da perspetiva) o anúncio de Marques Mendes, sabe o Observador, não acontecerá antes do final de janeiro. Estará para “breve” — há quem aponte fevereiro como o mês-chave — mas a palavra de ordem é uma: “Tranquilidade”. Até porque, depois de alguma especulação, o apoio oficial do PSD já não escapa — Pedro Passos Coelho autoexcluiu-se e alternativas como José Pedro Aguiar-Branco perderam muito espaço. Também por isso é de evitar dar passos em falsos.

Além disso, o anúncio formal de candidatura tem um custo associado. Assim que se apresentar como candidato presidencial, Marques Mendes perderá um palco importante, no caso, um espaço de comentário de quase meia hora em que fala para mais de um milhão de portugueses em canal aberto. Se por um lado é importante aproveitar até ao fim essa exposição pública, por outro lado, existe quem, no PSD, vá aconselhando Marques Mendes a cortar o cordão umbilical que o liga à televisão o mais rapidamente possível — a ideia de que está a usar a SIC para fazer campanha presidencial está a fazer caminho e os eleitores tendem a não gostar disso.

“Não pode continuar muito mais tempo, não”, comenta com o Observador um influente social-democrata. O último passo desta dança muito particular entre PSD e Luís Marques Mendes foi a inusitada declaração de apoio de Carlos Moedas ao antigo presidente do partido. Na terça-feira à noite, à chegada ao Conselho Nacional do PSD, os jornalistas foram avisados pela equipa assessoria de Luís Montenegro de que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa queria prestar declarações.

A hipótese de anunciar ali, naquele dia e naquele contexto, a sua recandidatura, foi rapidamente descartada. E assim que começou a falar, e depois de dois ensaios, rapidamente se percebeu o que queria, afinal, dizer Moedas: “Marques Mendes é uma pessoa que reúne todas as condições. Se ele se candidatar, terá todo o meu apoio. [É uma personalidade] que deu tudo ao país”.

Além do lado mais bizarro do momento — Moedas, que tem eleições autárquicas em outubro, preferiu anunciar o apoio a um candidato presidencial que ainda não se assumiu como tal a confirmar a sua própria recandidatura —, ficou evidente que havia um esforço concertado entre a direção do partido e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa para dar mais um estímulo a Luís Marques Mendes — Hugo Soares, secretário-geral do PSD e braço direito de Montenegro, fizera o mesmo na semana anterior, em declarações à Rádio Renascença.

Segundo apurou o Observador, Marques Mendes terá sido alheio a este gesto de Moedas, ainda que o tenha, naturalmente, apreciado. O ex-líder do PSD até tinha estado, quatro dias antes, uns breves minutos à conversa com o autarca no Conselho de Estado, mas não falaram sobre o assunto nem Moedas antecipou o que faria. Seja como for, os sinais estão aí para quem os quiser ler: o anúncio de Marques Mendes está para breve.

Manuel Castro Almeida, ministro Adjunto e da Coesão Territorial, muito próximo de Luís Marques Mendes e um assumido crítico dos méritos da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, faria o mesmo que Carlos Moedas — e logo em dose dupla. Na quarta-feira, em entrevista ao Observador, Castro Almeida voltou a criticar o almirante e a abençoar a candidatura de Marques Mendes.

Um dia depois, em entrevista ao Público e à Renascença, o ministro diria essencialmente o mesmo, acrescentando a data aproximada que vai correndo nos bastidores do partido: fevereiro pode mesmo ser o mês de todos os anúncios. “Porque não?”, deixou no ar Castro Almeida, figura que conhece como poucos os desejos, ambições e planos do conselheiro de Estado.

O objetivo destas sucessivas manifestações de apoio é reforçar os argumentos eleitorais de Luís Marques Mendes. Além do apreço genuíno pelo comentador, que existe, já todos na direção do PSD perceberam que a corrida presidencial não será fácil e que as hipóteses de sucesso não são as mais animadoras. “Não vale a pena tapar o sol com a peneira”, dizia ao Observador um senador social-democrata ainda no final de novembro. As sondagens que foram conhecidas a seguir, nomeadamente a da Pitagórica para a TVI, CNN, TSF e JN, só reforçaram essa perceção — Marques Mendes terá de suar muito para recuperar a desvantagem.

Castro Almeida, mais uma vez ele, tem-se esforçado por desvalorizar o teórico favoritismo de Gouveia e Melo. “Quando fui candidato à Câmara Municipal de São João da Madeira, há 20 anos, fiz uma sondagem e dava-me 12% de intenções de voto — e eu ganhei com maioria absoluta. Uma campanha eleitoral determina o resultado. Não estou nada preocupado com as sondagens de hoje. Quero ver as sondagens um mês ou 15 dias antes das eleições presidenciais. Há um longo caminho a percorrer e acho na campanha vai ser possível deixar claro quem é que está melhor preparado para a função”, antecipou o ministro na já referida entrevista ao Observador.

Existe quem, no PSD, vá aconselhando Marques Mendes a cortar o cordão umbilical que o liga à televisão o mais rapidamente possível — a ideia de que está a usar a SIC para fazer campanha presidencial está a fazer caminho e os eleitores tendem a não gostar disso. "Não pode continuar muito mais tempo, não"

Aguiar-Branco perde força e passa à reserva

A passagem para o cargo senatorial de Presidente da Assembleia da República colocou imediatamente José Pedro Aguiar-Branco nas listas de hipotéticos candidatos a Belém. Na realidade, essa foi uma hipótese que o social-democrata não só fez questão de nunca excluir como, sabe o Observador, chegou a acreditar que poderia ter pernas para andar, equacionando trabalhar a hipótese de avançar com uma candidatura presidencial.

Mas o afunilamento da linha oficial do PSD à volta de Luís Marques Mendes veio alterar o cenário – e encurtar o espaço dos outros protocandidatos, pelo menos entre os que se identificam com o PSD atual. Aguiar-Branco incluído. Tendo sentido o partido – sobretudo os nomes que compõem a sua linha da frente – unido à volta do antigo líder, o Observador sabe que Aguiar-Branco foi deixando cair essa possibilidade, não a tendo explorado por aí além.

Uma coisa é, de resto, dada por certa: Aguiar-Branco nunca avançaria de motu proprio com uma candidatura a Belém, e nunca sem contar com o apoio da direção. Ora, estando esta focada em promover a candidatura de Marques Mendes, não estariam reunidas as condições para que o atual presidente da Assembleia da República preparasse uma eventual candidatura.

Ainda assim, como se vai repetindo nos corredores do PSD e não só, um ano é muito tempo – e quem insiste em não falar do assunto, seja para se incluir ou se excluir da corrida, mantém-se na reserva. No caso, Aguiar-Branco pode ficar nessa posição mais recuada, mas sem estar totalmente de fora do quadro de possibilidades no universo social democrata caso se coloque esta necessidade e o PSD precise de uma alternativa.

Até ver, Aguiar-Branco mantém-se calado, considerando que ainda é cedo – é difícil, aliás, esquecer o exemplo do seu antecessor no cargo, Augusto Santos Silva, que rapidamente mostrou disponibilidade para Belém mas nunca descolou nas sondagens – e que as presidenciais não são assunto que ocupe a cabeça dos portugueses.

Mas já deixou sinais relevantes: em novembro, e confrontado com a hipótese de vir a ser candidato à Câmara do Porto (que o próprio pareceu alimentar, em entrevista ao Observador), Aguiar-Branco fechava essa porta sem margem para dúvidas – “é uma questão que não se coloca em relação a mim” – mas era bem menos claro em relação a Belém: “Quanto às presidenciais, não é o momento de tratarmos essa matéria. Estou presidente da Assembleia da República, focado em cumprir bem o meu mandato e a agenda não é a das presidenciais”.

O facto de ter sido lançado especificamente por Luís Marques Mendes, num dos seus comentários de domingo, como hipótese para a Câmara do Porto não deixou de ser visto com ironia e “curiosidade” pelos seus mais próximos – como se Mendes tentasse colocar um dos seus possíveis rivais fora de jogo, atirando-o para o tabuleiro autárquico.

Ainda assim, o cenário é claro: se Mendes se confirmar como o candidato oficialmente apoiado pelo PSD, como tudo indica que vai acontecer, e se a candidatura decorrer sem sobressaltos de maior, Aguiar-Branco não terá razões para voltar a pensar na “agenda das presidenciais”.

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