1241kWh poupados 1241 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

A queixa surge numa altura em que a saúde do Papa Francisco alimenta o debate sobre a sua sucessão
i

▲A queixa surge numa altura em que a saúde do Papa Francisco alimenta o debate sobre a sua sucessão

Getty Images

▲A queixa surge numa altura em que a saúde do Papa Francisco alimenta o debate sobre a sua sucessão

Getty Images

Seis cardeais (incluindo vários fortes candidatos a Papa) acusados de encobrimento de abusos de menores por associação de vítimas

Denúncia foi lançada pela mais antiga associação mundial de vítimas de abusos. Cardeais que têm sido apontados como fortes candidatos a suceder a Francisco entre o lote dos acusados de ocultar casos.

Seis importantes cardeais do Vaticano, incluindo alguns dos nomes mais bem posicionados para poderem vir a suceder ao Papa Francisco, estão a ser acusados pela mais antiga associação internacional de vítimas de abusos sexuais de, no passado, terem ocultado ou gerido de forma incorreta casos de abuso sexual de menores.

A denúncia veio a público no final do mês de março pela associação SNAP (Survivors Network of those Abused by Priests — Rede de Sobreviventes dos Abusos por Padres) e visa alguns dos mais proeminentes cardeais da Igreja Católica contemporânea, incluindo dois que têm sido frequentemente apontados como papabili e algumas figuras-chave do processo de reforma levado a cabo pelo Papa Francisco.

Na denúncia surgem os nomes dos cardeais Péter Erdő (arcebispo de Budapeste, na Hungria) e Luis Antonio Tagle (filipino que é pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização). Ambos são apontados como fortes concorrentes num próximo conclave, representando sensibilidades opostas dentro da Igreja: o húngaro Erdő, apesar de discreto nos media, agrada à sensibilidade dos mais conservadores, tendo tido algumas posições teológicas em assuntos como a moral sexual e familiar ou as questões das migrações que indicam que representaria um caminho distinto do preconizado por Francisco; já o filipino é habitualmente referido como o “Francisco asiático” e é apontado como um dos mais fortes candidatos da linha da continuidade.

São também visados outros cardeais de grande relevo na atual política eclesiástica, com cargos de topo na Cúria Romana: o norte-americano Kevin Farrell, camerlengo e prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; o argentino Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, compatriota de Francisco e um dos mais importantes conselheiros teológicos do Papa argentino (frequentemente apelidado como “teólogo do Papa”); o maltês Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos e figura-chave no sínodo sobre a sinodalidade, um dos principais projetos do pontificado de Francisco; e ainda o norte-americano Robert Francis Prevost, prefeito do Dicastério para os Bispos. Todos são vistos como fortes aliados de Francisco e pelo menos dois deles (Fernández e Prevost) têm responsabilidades diretas na gestão de casos de abusos de menores.

GettyImages-1698236518

▲ O cardeal Víctor Manuel Fernández é o atual prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé

Anadolu Agency via Getty Images

Os cardeais não são acusados de terem eles próprios cometido abusos sexuais contra menores. De acordo com a associação de vítimas, trata-se de uma denúncia enviada à Santa Sé ao abrigo da carta apostólica Vos Estis Lux Mundi (Vós Sois a Luz do Mundo), publicada pelo Papa Francisco em maio de 2019, na sequência da cimeira do Vaticano, para estabelecer as disposições legais segundo as quais os bispos, cardeais e superiores de ordens religiosas podem ser investigados e punidos por ocultarem ou não denunciarem casos de abuso sexual de menores.

Até 2019, o foco do Direito Canónico estava exclusivamente sobre a forma de investigar e punir os clérigos que abusassem sexualmente de crianças e jovens, mas a partir daquele momento a Igreja passou a ter mecanismos concretos para lidar com um dos problemas mais significativos da crise dos abusos: a ocultação sistemática dos casos por parte da hierarquia.

[Já saiu o quarto episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]

Naquela carta apostólica, o Papa definiu que um bispo que oculte um caso de abusos cometidos por um padre da sua diocese, impedindo que seja feito o devido processo judicial na justiça civil, pode ser punido pela lei eclesiástica — mesmo que na lei civil não exista uma obrigação legal de denúncia. No limite, os bispos e superiores religiosos podem enfrentar penas que incluem a demissão.

Papa Francisco aprova nova norma e obriga todos os sacerdotes e religiosos a denunciarem crimes de abuso sexual a Roma

Com base em diferentes casos e testemunhos de vítimas (incluindo alguns casos já parcialmente conhecidos e noticiados), a associação SNAP enviou um conjunto de seis denúncias para o cardeal secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, e para os líderes de vários dicastérios da Cúria Romana. Contudo, a associação fez questão de notar, numa conferência de imprensa, que a atual legislação do Vaticano parece insuficiente para lidar com estes casos, já que três dos cardeais visados (Fernández, Prevost e Tagle) são justamente os chefes dos dicastérios chamados a intervir na investigação.

A denúncia foi acompanhada de uma longa e dura carta ao Papa Francisco, na qual a associação recorda as palavras do próprio Papa sobre a proteção de menores, enumera dezenas de casos mundialmente conhecidos de padres abusadores e bispos encobridores, acusa Francisco de não ter feito ainda o suficiente para implementar uma política de tolerância zero e reitera o apelo para que o Papa decrete uma verdadeira iniciativa de tolerância zero, que se traduza na expulsão de todos os padres abusadores.

“Os sobreviventes fizeram o trabalho que os líderes da Igreja se recusam a fazer”, disse numa conferência de imprensa, em Roma, o presidente da associação SNAP, Shaun Dougherty. “Compilámos todas as provas, seguimos os procedimentos do Vaticano e dissemos os nomes. Se o Papa Francisco está a falar a sério em relação à sua abordagem de ‘tolerância zero’, nomeará um investigador verdadeiramente independente e abrirá os arquivos dos abusos a essa pessoa, como disse que faria em 2019.”

Na mesma ocasião, a associação SNAP anunciou a iniciativa “Conclave Watch”, destinada a divulgar informação pública sobre cada um dos mais de 130 cardeais eleitores acerca do modo como lidaram com casos de abuso no passado, como se posicionaram sobre esta questão e que posição têm acerca da política de tolerância zero. Na conferência de imprensa, outro dos responsáveis da SNAP, Peter Isely, explicou que os sobreviventes não podem “ignorar a trágica realidade” de que muitos dos cardeais nomeados por Francisco sejam “homens que encobriram abusos”.

“Agora, alguns destes homens estão a ser considerados como candidatos a próximo papa“, afirmou o norte-americano, que defendeu que é necessário ter a garantia de que o próximo Papa não encobriu abusos de menores no passado. Peter Isely, um dos fundadores da associação SNAP, contou numa entrevista ao Observador em 2019 como ele próprio sofreu abusos por parte de um padre do seminário onde estudava.

Entrevista a vítima de abusos. “O Papa promete tolerância zero há 6 anos. Está na altura de cumprir”

A associação divulgou também publicamente as seis cartas, com as denúncias concretas sobre cada um dos seis cardeais — alegando que as atuais disposições legais do Vaticano são insuficientes para investigar os elementos mais poderosos da hierarquia. Nas cartas, remetidas simultaneamente à secretaria de Estado do Vaticano e a vários departamentos da Santa Sé, a associação descreve detalhadamente os casos e aponta responsabilidades concretas aos diferentes responsáveis.

Cardeais acusados de múltiplos casos de ocultação

O caso do cardeal Péter Erdő, por exemplo, diz respeito a um episódio denunciado em 2015 por Attila Pető, um cidadão húngaro que informou a arquidiocese de Esztergom-Budapest dos abusos que sofrera na infância às mãos do padre Balázs. Pető já tinha denunciado o caso em 2003 à diretora da escola católica onde estudava e a dois padres da hierarquia da arquidiocese que, anos depois, subiriam a bispos. As denúncias do jovem, porém, não foram tidas em conta — e a diretora da escola terá chegado a ameaçá-lo e a acusá-lo de pôr em causa o bom nome do abusador.

A denúncia de 2015, porém, deu origem a uma investigação que concluiu que as alegações eram credíveis — e que levou mais vítimas a partilhar as suas histórias. A investigação da Igreja levou à suspensão do padre Balázs por dez anos. Quando surgiram novos casos, a arquidiocese voltou a investigar o caso e o sacerdote acabaria por pedir a demissão do estado laical. Contudo, a arquidiocese nunca se pronunciou publicamente sobre o caso, nunca fez um pedido de desculpas formal às vítimas e sempre falou vagamente sobre a suspensão do sacerdote, o que provocou a indignação de Pető.

GettyImages-493426916

▲ O cardeal Péter Erdő tem sido apontado como um forte candidato ao papado pela ala mais conservadora da Igreja

Getty Images

A vítima protagonizou vários protestos contra a Igreja, que acabariam por levar a que fosse detido pela polícia — e o cardeal Péter Erdő procurou sempre distanciar-se do caso. A associação SNAP acusa Erdő de nunca ter intervindo no caso, pede que seja investigado qual o conhecimento do cardeal em relação à denúncia de 2003 e diz que com a sua inação o cardeal prejudicou a vítima.

De modo semelhante, o caso que envolve o cardeal Kevin Farrell também diz respeito a uma alegada inação do cardeal quando era bispo de Dallas, nos EUA. Em 2015, um homem denunciou à diocese os abusos que tinha sofrido às mãos do padre Timothy Heines: os abusos teriam durado cerca de dez anos e começado em 1998, quando a vítima tinha 12 anos. Durante esses anos, o sacerdote manteve uma relação de domínio sobre o rapaz, que apresentou à diocese provas fotográficas dos abusos que sofrera.

A diocese registou o caso e considerou que a denúncia era suficiente para suspender o padre, que foi afastado no mesmo ano da denúncia. Contudo, diz a SNAP, o bispo Kevin Farrell nunca encaminhou o caso para a polícia nem para o Vaticano. Mais: depois do afastamento do padre, em pronunciamentos públicos sobre o que tinha ocorrido, Farrell terá referido o caso como tendo sido uma relação entre adultos e com consentimento (nos últimos anos dos abusos, a vítima já era efetivamente maior de idade), rejeitando a ideia de que tivesse havido abusos sexuais de menores. A forma como foi tratado pela diocese terá levado, em certo ponto, a vítima a tentar o suicídio, sustenta a associação.

"Os sobreviventes fizeram o trabalho que os líderes da Igreja se recusam a fazer. Compilámos todas as provas, seguimos os procedimentos do Vaticano e dissemos os nomes. Se o Papa Francisco está a falar a sério em relação à sua abordagem de 'tolerância zero', nomeará um investigador verdadeiramente independente e abrirá os arquivos dos abusos a essa pessoa, como disse que faria em 2019."
Shaun Dougherty, presidente da associação SNAP

A carta da SNAP denuncia ainda casos de outros sacerdotes que terão abusado de menores durante o mandato de Farrell como bispo de Dallas — e que se mantiveram em funções durante algum tempo antes de serem suspensos, mesmo quando Farrell já tinha dados que apontavam para a possibilidade de serem abusadores. Para a associação, isto são indícios de “ações e omissões” de Farrell que interferiram com a devida investigação dos casos.

Por seu turno, a carta sobre o cardeal Víctor Manuel Fernández, atual prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, dá conta de quatro casos que se desenrolaram quando Fernández era arcebispo de La Plata, na Argentina. Num dos casos, um padre foi acusado de abusos pela família da vítima, mas o caso acabaria encerrado por alegadas influências políticas e judiciais do sacerdote. Anos mais tarde, em 2019, quando o padre foi transferido para uma escola, várias famílias protestaram contra a nomeação do sacerdote — mas Fernández ficou do lado do padre, acusando as famílias de caluniarem o padre. Quando surgiram novas alegações que motivaram uma investigação policial ao padre, o então arcebispo deu-lhe uma licença por razões de saúde. O padre acabaria por se suicidar depois de um juiz ter determinado a sua detenção — e Fernández presidiu ao seu funeral na paróquia onde tinham ocorrido os abusos.

Outro caso diz respeito a um sacerdote que foi acusado de abusar de jovens raparigas com menos de 14 anos e de obrigar jovens rapazes a masturbarem-se para dentro de um frasco de vidro, que o padre guardava. Quando as denúncias vieram a público, Fernández defendeu o bom nome do padre — e só o afastou do sacerdócio duas semanas de ele ser detido, num caso que ainda aguarda julgamento.

Um terceiro caso refere-se a um sacerdote acusado de ter violado um outro padre, que foi afastado do cargo que ocupava, mas que continua hoje em funções como padre. Por fim, um quarto caso diz respeito a um padre que foi acusado, em 2021, de abusar de um menor. O padre era também professor numa escola local, de onde foi afastado, mantendo-se em funções na paróquia até aos dias de hoje sem que seja conhecida qualquer investigação ao sacerdote. Em 2023, Fernández foi escolhido por Francisco para liderar o Dicastério para a Doutrina da Fé, um dos mais importantes cargos da Cúria Romana, responsável pela política de prevenção de menores da Igreja Católica.

O quarto cardeal acusado é Mario Grech, atual secretário-geral do Sínodo dos Bispos e antigo bispo de Gozo, em Malta. Uma das acusações que recaem sobre ele é a de não ter comunicado à polícia um caso de abusos que investigou na diocese e que resultou na suspensão do padre abusador; a outra acusação diz respeito a uma antiga história de maus tratos infantis num orfanato católico. As acusações foram investigadas, mas mantidas em segredo durante anos, até que Grech reconheceu que houve erros no passado e prometeu divulgar novas recomendações para as instituições católicas. As recomendações nunca terão sido publicadas — e as vítimas acusam Grech de nunca ter pedido perdão publicamente.

GettyImages-1288327443

▲ O cardeal Mario Grech é uma figura-chave no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade, um dos grandes projetos de Francisco

Getty Images

Quanto ao cardeal Robert Prevost, prefeito do Dicastério para os Bispos, a carta enviada a Roma refere dois casos ocorridos quando Prevost era provincial da Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos) em Chicago, nos EUA, e, posteriormente, bispo de Chiclayo, no Peru.

No que toca ao primeiro caso, um padre acusado de abusos e investigado pela arquidiocese de Chicago terá sido acolhido numa casa dos padres Agostinianos enquanto decorria a investigação. A carta diz que Prevost foi informado de que a razão pela qual o padre estava ali era uma questão relacionada com abusos de menores. Contudo, a casa dos padres Agostinianos ficava justamente ao lado de uma escola primária, que não foi informada da presença do alegado abusador. No que toca ao segundo caso, Prevost, já bispo, não terá agido devidamente na investigação de uma queixa de abusos sexuais ocorridos na diocese, designadamente ao não abrir uma investigação prévia e ao limitar-se a encerrar o caso depois de as autoridades civis terem decretado que já tinha passado o prazo de prescrição dos crimes em questão (quando, no caso da Igreja, a questão do prazo de prescrição não se aplica nos mesmos moldes).

Por fim, a queixa contra o cardeal Luis Antonio Tagle inclui várias situações distintas.

A primeira diz respeito ao período em que Tagle foi presidente da Cáritas Internacional, uma das maiores organizações de caridade do mundo e o principal braço da Igreja Católica para as atividades sociocaritativas em todo o planeta. Tagle terá sido informado em 2017 de que um padre belga suspeito de abusos de menores se encontrava a exercer funções como responsável regional da Cáritas na República Centro-Africana, com contacto com crianças, para onde terá sido enviado num pacto entre bispos depois de terem surgido as suspeitas contra ele na Bélgica. Só em 2019, contudo, é que o sacerdote foi afastado.

Pope Francis and Luis Antonio Tagle

▲ Luis Antonio Tagle é por vezes classificado como o "Francisco asiático" — e é um dos principais candidatos da linha da continuidade

Mondadori Portfolio via Getty Im

Uma outra diz respeito ao período de Tagle como responsável pelo Dicastério para a Evangelização dos Povos. Nesse período, terá elogiado abertamente um bispo que estava a ser investigado por alegado encobrimento de abusos de menores — ao mesmo tempo que não terá fiscalizado devidamente a investigação ao alegado encobrimento, função que lhe competia. Por outro lado, há também dúvidas sobre o tempo de Tagle nas Filipinas, como bispo de Imus e como arcebispo de Manila. Se, por um lado, nunca foi tornado público nenhum caso de abusos envolvendo a liderança de Tagle, por outro lado veio recentemente a público uma lista de sacerdotes com ligações às Filipinas que terão cometido abusos. A associação SNAP exige que o envolvimento de Tagle nestes casos seja investigado pelo Vaticano, considerando que está em causa um dos principais candidatos a suceder ao Papa Francisco na liderança da Igreja Católica.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.