Uma publicação, que circula na rede social Facebook, insinua que a morte de 12 bebés está relacionada com um ensaio clínico de uma vacina contra um vírus respiratório em que estes bebés participavam. Na publicação, é sublinhado o esclarecimento da FDA (Food and Drug Administration, a Agência do Medicamento norte-americano, que regula os ensaios clínicos), que frisou que as mortes não foram uma consequência do ensaio. No entanto, logo a seguir, o autor do post deixa a questão: “Mas com que frequência se ouve falar de bebés que morrem naturalmente de paragem cardíaca num contexto de ensaio clínico?”

A meio de julho deste ano, a FDA aprovou uma vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório. O fármaco, de ação prolongada, destina-se às crianças até aos dois anos de idade que enfrentam um risco maior de vir a apresentar quadros graves de doença respiratória na sequência da infeção por este vírus. Refira-se, aliás, que o vírus sincicial respiratório pode revelar-se perigoso, causando bronquiolites e pneumonias que podem levar ao internamento hospitalar e até mesmo à morte.

Ora, o novo fármaco, chamado nirsevimab (uma terapia com anticorpos monoclonais administrada por via intramuscular, isto é, sob a forma de vacina) representa um avanço significativo na prevenção da doença respiratória grave causada por este vírus. A vacina, que esteve a ser desenvolvida ao longo dos últimos anos pelas farmacêuticas AstraZeneca e Sanofi, gerou uma redução cerca de 75% na incidência de infeções por VSR no trato respiratório inferior, segundo dados do ensaio de fase 3 MELODY.

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Mas terá esta mesma vacina sido responsável pela morte de 12 dos cerca de 1450 bebés que participaram no ensaio? A resposta é não.

Como esclarece a FDA, num documento divulgado em maio sobre o nirsevimab, a incidência de morte foi semelhante (0,2%) no grupo de bebés que recebeu a vacina e no grupo de controlo, que recebeu um placebo. No primeiro grupo, que tinha 2570 participantes, ocorreram seis mortes. No segundo, com 1284 bebés, três mortes. De acordo com a análise feita pela FDA, nenhuma das mortes esteve relacionada com a vacina. Um dos bebés morreu com estenose pulmonar, outro com diarreia, um outro num acidente de viação.

Outros cinco bebés morreram noutros ensaios e também tomaram nirsevimab. Mais uma vez, a vacina não foi identificada como causa da morte em nenhum dos casos. Os bebés perderam a vida na sequência de broncopneumonias, bronquiolites graves, pneumonias causadas pela Covid-19 ou choques cardiogénicos. Um outro bebé morreu num outro ensaio clínico que comparou o nirsevimab a outro fármaco, o palivizumab, também utilizado para a prevenção de doença grave causada pelo vírus sincicial respiratório.

Conclusão

Não é verdade que a morte de 12 bebés que participavam num ensaio clínico tenham ocorrido em consequência da vacina que tomaram. Segundo a FDA (Food and Drug Administration, a Agência do Medicamento norte-americana, que regula os ensaios clínicos), os bebés morreram de causas tão diferentes como pneumonias ou acidentes de viação.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de factchecking com o Facebook.

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