Está a circular no Facebook um documento com um alerta sobre autocolantes que os assaltantes supostamente colam em portas de casas, para sinalizar aquelas que pretendem assaltar. Em lado algum desse documento está escrito que se trata de um aviso da PSP. Ainda assim, um utilizador desta rede social partilhou este alegado alerta com a descrição: “AVISO DA PSP”. Isto bastou para que várias pessoas ficassem convencidas de que se trata mesmo de um alerta da polícia portuguesa, gerando alarme: a publicação já foi partilhada quase seis mil vezes.

O alegado aviso mostra nove tipos de autocolantes — em forma de números, setas e outras figuras geométricas — que supostamente os assaltantes utilizam para comunicar entre si e planear assaltos. Por exemplo, a seta para a direita indica que a casa em questão é “fácil de assaltar à tarde”, o número oito sinaliza que a habitação está “vazia em agosto”.

Se alguma vez você encontrar colado na sua porta ou portão (junto a campainhas, etc) qualquer autocolante com um destes símbolos, retire-os imediatamente, pois são utilizados por grupo de assaltantes que assim comunicam entre si”, lê-se no documento partilhado.

O suposto aviso aconselha a população a retirar “imediatamente” qualquer “autocolante com um destes símbolos” que seja colado à entrada das suas casas e pede ainda: “Divulgue ao máximo de pessoas possível”.

O aviso não é da PSP. No máximo, seria da Superintendência de Polícia Técnico-Científica, uma força de segurança do estado brasileiro de São Paulo — que é o único órgão de segurança pública referido no alegado alerta. Aliás, o documento contém o logótipo da Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo — o que lhe confere uma aparente autenticidade. Mas também não é o caso: não é nem da polícia portuguesa, nem da brasileira.

Este alerta é falso e antigo. Antes de chegar ao Facebook, já tinha circulado em emails e até mesmo fisicamente, como cartazes colados à portas de escolas, por exemplo. De tal forma que levou a Secretaria Nacional de Segurança Pública brasileira a pronunciar-se sobre ele. Em novembro de 2006, este órgão público emitiu um comunicado onde esclarecia que “tal informação não tem qualquer fundamento” e que o aviso “não foi enviado pelos órgãos estaduais de segurança”.

No comunicado, era ainda aconselhado a todos aqueles que encontrassem estes avisos em forma de cartaz que os levassem à esquadra da polícia “mais próxima e solicitar orientação com a autoridade policial”. Caso chegasse por email, o conselho era apagá-lo “imediatamente”.

A retransmissão do email só colabora para aumentar a sensação de insegurança pública, tornando a população mais suscetível a submeter-se a chantagem dos criminosos”, lia-se no comunicado.

Alguns utilizadores perceberam de imediato que este alerta não podia ser da polícia portuguesa, chegando mesmo a chamar a atenção para isso nos comentários. Num dos casos, em que um utilizador avisa que o documento “é brasileiro” — o que mesmo assim é falso —, o autor da publicação responde-lhe, com um emoji:

No entanto, muitos outros utilizadores simplesmente agradeceram, também nos comentários, pelo facto de o autor da publicação ter partilhado o alerta com eles.

Mesmo que fosse verdadeiro, o documento nunca poderia ter sido emitido pela PSP. Uma rápida pesquisa aos avisos que foram feitos nos últimos anos é suficiente para perceber que este alerta nunca existiu. Além disso, os avisos da PSP são todos publicados no seu site e nas redes sociais e são sempre acompanhados pelo logótipo desta força de segurança.

Conclusão

O documento com um alerta sobre autocolantes utilizados supostamente por assaltantes não é da PSP. No máximo, seria da Superintendência de Polícia — que é o único órgão de segurança pública referido no documento com o alegado aviso. Mas nem isso.

O aviso é falso e já levou a Secretaria Nacional de Segurança Pública brasileira a pronunciar-se sobre ele, num comunicado, já de 2006, onde garante que “tal informação não tem qualquer fundamento” e que o aviso “não foi enviado pelos órgãos estaduais de segurança”.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.