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Morreu Francisco Pinto Balsemão. Sim foi fundador do PPD/PSD, sim foi deputado, sim foi ministro, sim até foi primeiro-ministro, mas sempre preferiu dizer que era jornalista. Fundou o Expresso em 1973, ainda em pleno Estado Novo. E muitos anos depois foi consigo que a televisão privada chegou a Portugal. Foi construindo um grupo de media, que agora vive dias difíceis. |
Nada no grupo será igual. Nem talvez na comunicação social. A última carteira profissional de jornalista que teve tinha o número 18. Começou no Diário Popular, que era da família, aí ficou e cimentou a sua presença na comunicação social. Foi, como muitas vezes nestes momentos foi recordado, um defensor da liberdade de imprensa. Lutou por ela e viveu de acordo com essa defesa. Por isso, a prova maior foi quando chegou a líder do Governo e o Expresso publicava notícias negativas. “Tentaram matar o pai”, disse muitas vezes. Mas foi o garante para o Expresso se tornar o semanário mais lido em Portugal. Com muitos desafios. Ainda mais quando o grupo cresceu muito. Não se cansava de dizer que a independência financeira dos órgãos de comunicação social é a porta para a independência editorial. |
É verdade que nem toda a gente saiu a bem dos órgãos que Balsemão deteve. Mas aquele que era muitas vezes apelidado do “patrão dos media” também falou das traições. Uma em particular, a do filho de um dos melhores amigos. Nuno Vasconcelos, da Ongoing, tenta tomar-lhe a Impresa. Perdeu. O dinheiro acabou por lhe fazer falta. Mas não abriu mão da participação maior na Impresa. Teve de vender títulos, ficou agarrado à SIC e ao Expresso. |
Balsemão era dos jornais, mas nunca deixou verdadeiramente a política… E nunca deixou de ser um curioso. A inteligência artificial ou a evolução tecnológica inquietavam-no. Queria saber tudo. E por isso as suas Memórias foram transpostas para podcast através de uma ferramenta de inteligência artificial. Nesse livro, de quase mil páginas, deixou a sua visão da sua vida. O juízo sobre isso deixou-o para os leitores. Será que conseguiu deixar o mundo um pouco melhor? “Não me compete a mim fazer esse juízo de valor. Posso apenas dizer que, com altos e baixos, com paragens e recuos e com progressos e passos positivos, me esforcei por fazê-lo”. |
O Governo decretou dois dias de luta nacional. Muitas iniciativas foram canceladas, inclusive de candidatos presidenciais. Pela liberdade de imprensa. Pela defesa da democracia. |
Discussão do Orçamento no Parlamento vai começar. PS com abstenção “exigente” já exige mais dinheiro para pensões |
O Orçamento do Estado já está no Parlamento. Esta sexta-feira vão ser ouvidos os ministros das Finanças (Miranda Sarmento) e do Trabalho e Segurança Social (Rosário Palma Ramalho). Segue-se, no início da próxima semana (segunda e terça), a discussão na generalidade e a sua votação. O PS já fez saber que se irá abster, mas promete uma abstenção exigente. O que dá garantia de que o Orçamento passa. |
No entanto, a discussão está prometida. Mesmo que pré-aprovada. O PS tem várias questões. Uma delas é sobre o ISP e se o Governo vai deixar cair o desconto fiscal nesse imposto, o que daria uma almofada de mil milhões. E será que o desligar dessa medida foi prometida a Bruxelas? O PS quer saber. A UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) também já fez notar “a ausência de informação sobre a eventual reversão da medida transitória ‘alívio temporário do ISP’, cuja eliminação foi recomendada pelas autoridades europeias. Caso venha a concretizar-se, essa reversão traduzir-se-á numa folga orçamental não contemplada na POE/2026″. O PS ainda fala de outra folga e já propõe a sua utilização. O saldo da segurança social — acima do projetado pelo Governo — deve ser usado para aumentar de forma permanente as pensões mais baixas. |
Há várias folgas no Orçamento. Talvez por isso Miranda Sarmento ande a dormir descansado e confiante no excedente. Os empréstimos do PRR também podem constituir uma almofada (ou atirar o país para o défice, se os fundos não forem executados). |
Há asas para aeroporto, mas ainda não se sabe o financiamento |
Esta semana foi conhecido o relatório da ANA, concessionária do aeroporto de Lisboa, que consultou vários interlocutores com interesse na infraestrutura, os chamados stakeholders. E nesse documento ficámos a saber que houve quem sugerisse que os terrenos do aeroporto da Portela podiam ser vendidos e a sua receita ser utilizada para ajudar na construção do novo aeroporto, no Campo de Tiro em Alcochete. O que implicaria que o Estado, afinal, seria chamado aos custos de construção e que o esforço da ANA poderia ser menor. A ANA sugeriu, numa fase inicial, aumentar já em 2026 as taxas aeroportuárias para começar a amealhar dinheiro para o investimento de mais de oito mil milhões. Assim, o encaixe dos terrenos da Portela poderiam limitar as taxas a aplicar nos aeroportos. Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, que por estes dias anda a percorrer a EN2 já sentenciou essa pretensão: “Eu quero tranquilizar os portugueses, a posição do Governo é clara, os terrenos do aeroporto não serão utilizados para pagar o novo aeroporto”. Mas não se avançou, nesta fase, na solução de financiamento. E o facto do Governo ter aceitado a alteração de algumas especificações para o novo aeroporto — como a dimensão da pista, a distância entre as pistas, etc — não significa ainda que entregará o projeto à ANA. As negociações continuam. |

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A EMPRESA |
A administração da Carris caiu. Dois dias depois de ser conhecido o relatório preliminar ao acidente no Elevador da Glória, divulgado pelo GPIAAF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários) e que é demolidor para a gestão da Carris, pelos procedimentos de compra e pela aquisição de cabos não adequados para os ascensores. Um problema que começou com o anterior presidente, Tiago Lopes Farias, mas que se manteve com o atual, Pedro Bogas, que já foi uma escolha de Carlos Moedas, quando assumiu os destinos da Câmara Municipal de Lisboa. Pedro Bogas entrou em maio de 2022. Em abril tinha sido assinado o contrato. Os cabos chegariam em agosto. Em 2024 repetiu-se a instalação do mesmo tipo de cabo no elevador da Glória, que descarrilou um ano depois, a 3 de setembro causando a morte de 16 pessoas. O cabo, conclui o GPIAAF, não era adequado para equipamentos como o da Glória e muito menos para unidades de transporte de pessoas. E não obedecia às especificações pedidas. A Carris comprou, recebeu sem controlar essas conformidades. E instalou. As manutenções também foram criticadas. Muitos registos de manutenção “nem sempre correspondem às tarefas efetivamente realizadas”. Além da empresa de manutenção, MNTC, não ter quadros qualificados para as tarefas e funcionavam como se fossem empregados da Carris e sob supervisão da empresa. |
A primeira vítima deste relatório foi o diretor de manutenção, despedido. A administração, numa primeira reação, atirou culpas para a sua antecessora. E logo Carlos Moedas, presidente da Câmara, recém eleito, limpou dos ombros causas políticas, atribuindo o acidente apenas a causas técnicas. O relatório foi conhecido segunda-feira. Pedro Bogas e a restante administração demitiu-se esta quarta-feira. |
E aconteceu tudo sem que a Carris tivesse supervisão externa em relação a estes equipamentos. Já houve determinação para o IMT (Instituto de Mobilidade e dos Transportes) avançar num novo enquadramento legislativo. Os ascensores continuam parados. |
Fico hoje por aqui. Há muito a acompanhar nos temas económicos e espero que siga o Observador. Até para a semana. |