A história política de Portugal é marcada por diversos momentos cruciais, que moldaram o destino do país. Entre esses momentos, podemos destacar as três bancarrotas ocorridas durante os governos do Partido Socialista (PS) em 1977, 1983 e 2011, que resultaram em intervenções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Desde a última intervenção de Cavaco Silva, no encontro de autarcas sociais-democratas, que se ouve e leem algumas críticas quer à forma, quer ao conteúdo da sua intervenção. Pois não é que ele tem razão?

Neste artigo, revisitarei esses eventos, darei destaque às estatísticas relevantes do Instituto Nacional de Estatística (INE), analisarei a governação de Cavaco Silva, farei uma distinção entre o crescimento económico durante os governos do PS e do Partido Social Democrata (PSD) e analisarei os sacrifícios feitos durante o período da troika. Além disso, discutirei a situação atual, comparando o período da troika com o período posterior e abordando questões como aumento de impostos e poder de compra.

As três bancarrotas ocorridas durante os governos do PS, em 1977, 1983 e 2011, tiveram consequências significativas para a economia portuguesa. Em todos esses momentos, o país precisou de recorrer à intervenção do FMI para obter auxílio financeiro e implementar medidas de austeridade. Essas crises foram, sobretudo, resultado de gestões económicas falhadas e falta de controlo fiscal, o que resultou em desequilíbrios orçamentais insustentáveis.

Ao analisar as estatísticas fornecidas pelo INE, é possível observar que o PS governou sempre mal em relação ao crescimento económico. Comparando os períodos de governo do PS e do PSD, percebe-se uma diferença significativa, sobretudo nos indicadores de desempenho económico. Enquanto o PSD mostrou maior estabilidade e crescimento, o PS deixou um legado de instabilidade e crises financeiras.

Durante o período da troika (2011-2015), apesar dos sacrifícios impostos aos portugueses, a governação foi exemplar, dito pelos próprios credores e instituições estrangeiras, originando resultados positivos para a economia portuguesa. O cumprimento rigoroso das metas e objetivos económicos estabelecidos no memorando da troika, assinado pelo Governo/Estado português e instituições internacionais, com presença do ministro do PS – Teixeira dos Santos –, que representou Portugal no ato, foi fundamental para superar a crise. Embora os sacrifícios fossem inevitáveis, foi a responsabilidade governamental que permitiu que o país recuperasse. Como foi reconhecido à época, a retoma começou em 2014, ano da “saída limpa” da troika, no governo de Passos Coelho.

Depois da recuperação e apesar da vitória nas urnas, a coligação CDS/PSD não conseguiu formar governo, dando início à “geringonça” (2015-2019). No entanto, é importante fazer uma distinção entre o período da troika e o período posterior, de 2015 a 2019. Após a saída do programa de resgate, o governo da “geringonça”, assim como o atual, aumentou os impostos de forma significativa, alegando uma necessidade de equilíbrio das finanças públicas. Mas, como é possível verificar através das estatísticas do INE, o poder de compra dos cidadãos diminuiu gradualmente desde esse período até aos dias de hoje, apesar dos supostos descongelamentos de carreira e aumento dos rendimentos. Ou seja, apesar do discurso do Governo de que estamos melhor, as estatísticas mostram uma realidade diferente. Prova de que o Governo viveu e vive numa realidade paralela, que não é aquela em que os cidadãos comuns vivem.

É fundamental avaliar os efeitos das medidas que o PS, no governo há quase 10 anos, tem implementado e perceber qual a relação que têm com indicadores como o poder de compra ou o bem-estar da população.

O Partido Socialista está ligado à história política de Portugal devido aos momentos de crise económica, incluindo as bancarrotas. Parece-me óbvio que será o partido que menos moralidade tem para poder criticar o discurso de Cavaco Silva.

Talvez fosse bom recordar que foi durante a governação de Aníbal Cavaco Silva, como primeiro-ministro de Portugal, entre 1985 e 1995, que o país experimentou um período de crescimento económico significativo.

À época, Portugal adotou uma série de reformas económicas, incluindo a liberalização do mercado, privatizações, investimento em infraestruturas e uma maior integração com a União Europeia. Essas políticas ajudaram a impulsionar o crescimento económico do país, nomeadamente nos seguintes indicadores: crescimento do PIB, onde a taxa média de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) foi de aproximadamente 3,4%; inflação, onde, através de medidas de estabilização económica, a inflação diminuiu significativamente, permitindo um ambiente económico mais estável; desemprego, que diminuiu gradualmente devido a políticas voltadas para o estímulo do setor privado e a criação de empregos; investimento estrangeiro, já que, durante esse período, Portugal atraiu um volume considerável de investimento estrangeiro. A abertura da economia e a adesão à Comunidade Económica Europeia (atualmente União Europeia) incentivaram o investimento em várias áreas, incluindo indústria, turismo e serviços, e a abertura de mercados e a diversificação da economia permitiram um crescimento das exportações, impulsionado por setores como o têxtil e calçado. Estes são apenas alguns exemplos de como a economia portuguesa se desenvolveu durante a governação de Cavaco Silva.

Por este motivo, pede-se um pouco mais de humildade àqueles que nos governam, para conseguirem aprender com quem mostrou que sabe, e um pouco mais de capacidade de análise política àqueles que votam, para que da próxima vez não voltem a errar a cruz.