1. Vamos ser claros: o Presidente da República geriu com os pés todo o processo de nomeação do procurador-geral da República. Pode ser um génio político, um exemplo raro da inteligência humana e um homem que tem conseguido recolher a admiração de todos os quadrantes da sociedade portuguesa mas neste processo falhou. E falhou de forma clamorosa, fazendo relembrar as ‘marcelices’ de outros tempos em que era tão inteligente, tão inteligente que até tropeçava na sua própria inteligência.

Marcelo Rebelo de Sousa não foi um Presidente da República. Foi mais um daqueles notários que validam qualquer assinatura do que um Presidente ciente do seu poder de nomeação num dos raros processos em que o Chefe de Estado tem realmente poder constitucional de influenciar a escolha do Governo. Para o bem e para o mal, Marcelo foi cúmplice da revanche do PS de António Costa e Carlos César contra Marques Vidal — e ficará colado ao sucesso ou ao insucesso do mandato de Lucília Gago. Que não haja dúvidas sobre isso.

Explicando por partes. O mais extraordinário em todo o processo não foi a nomeação de uma substituta de Joana Marques Vidal, nem foi o nome da própria substituta. Foi a forma como Marcelo explicou ao país que nunca tinha ouvido falar, não conhecia e nem se recordava de Lucília Gago como sua aluna*. Estas declarações, por si só e interpretadas literalmente, são um atestado da sua própria insignificância e até irresponsabilidade política.

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