Prossegue a polémica em torno da presença de António Costa e Fernando Medina na Comissão de Honra da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. Francamente, não acho que tal se possa atribuir à má vontade dos portugueses. Julgo que a culpa é do facto de, neste caso, a palavra “comissão” aparecer a par dos nomes de detentores de importantes cargos políticos. Nestas circunstâncias, como que condicionados por experiências passadas traumáticas, o termo “comissão” não nos remete propriamente para “Comissão de Honra”. Remete, sim, para coisas como “documentos”, “fotocópias mais miúdas”, ou mesmo “robalos”. Ou seja, sendo indiscutível que este caso envolve um problema ético, a principal razão do acosso ao Primeiro-Ministro e ao presidente da Câmara de Lisboa é, na verdade, de natureza semântica.

E na linha da frente da censura à presença de Costa e Medina na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira está Ana Pugna-pela-transparência-dos-detentores-de-cargos-públicos Gomes. A candidata a Presidente, Ana Com-ela-injustiças-nem-pensar Gomes, aproveitou o seu espaço de opinião na SIC Notícias para dizer que espera ver consequências desta decisão. Já o facto de manter um espaço de opinião televisivo enquanto é candidata à Presidência não pareceu a Ana Não-deixa-passar-em-claro-quaisquer-incompatibilidades Gomes minimamente estranho. Começa bem a sua campanha eleitoral, Ana Coerência-é-muito-gira-mas-é-para-os-outros Gomes, a receber uma inédita aula de contenção de Marcelo Rebelo de Sousa, que saiu da TVI quando se candidatou à Presidência da República.

Bom, mas se no plano pessoal António Costa tem em mãos este tema delicado, já em termos políticos as coisas correm pelo melhor. Isto porque ontem António Costa Silva apresentou o plano estratégico para os próximos dez anos e foi um tremendo sucesso. Não o plano em si, que se pode resumir sinteticamente num “Acho que devíamos fazer, tipo, cenas fixes”. O grande êxito foi mesmo o verborreico Costa Silva. Aquilo foi a hora e meia mais soporífera de que tenho memória e eu assisti a imensos jogos do Benfica na década de 90. O que abre espaço a uma excelente oportunidade. Na minha opinião, o que há a fazer é o seguinte. Convidamos todos os líderes europeus para mais uma apresentação de Costa Silva. Mas, desta feita, em vez da apresentação durar escassos 90 minutos, deixamos o Costa Silva espraiar-se durante, digamos, 20 anos. Quando os líderes europeus acordarem e voltarem ao trabalho nos seus países, talvez Portugal tenha recuperado algum do terreno que perdemos para os parceiros europeus nas últimas décadas. Com sorte, quem sabe não recuperamos para aí uns 6 meses.

A propósito de estadistas de projecção internacional, há escândalo no mundo da diplomacia. Donald Trump foi proposto para prémio Nobel da Paz. Para Prémio Nobel da Paz! Como é possível? Quem foram os fascistas que propuseram tal heresia? Eu digo-vos quem foram. Os culpados são – fixem estes nomes – Christian Tybring-Gjedde, deputado norueguês, e Magnus Jacobsson, deputado sueco. Obviamente, dois nazis, execráveis ovelhas ranhosas, que só confirmam a regra da exemplaridade dos cidadãos da Noruega e Suécia, países-fetiche para tudo quanto é progressista que se preze. Realmente, a quem mais passaria pela cabeça atribuir o prémio Nobel da Paz a Donald Trump? Só porque o homem mediou o histórico acordo de abertura de relações entre Israel e os Emiratos Árabes Unidos. Grande coisa. E porque patrocinou o tratado de normalização de relações entre o Kosovo e a Sérvia. Quem nunca? E porque foi fundamental no acordo entre Israel e Kosovo, que fará deste o primeiro país de maioria muçulmana a abrir uma embaixada em Jerusalém. Isso também eu! E porque é expectável que, em breve, interceda pela normalização das relações entre Sudão, Bahrein e Oman e Israel. Sempre quero ver isso. Incrível, como qualquer pormenorzinho irrelevante serve a estes fascistas para promoverem o Trump. Esse… esse… esse indivíduo com um cabelo meio esquisito.