Não é fácil nem agradável discutir as eleições presidenciais de ontem no Brasil — cujos resultados desconheço no momento em que escrevo este texto. Mas parece que tem de ser feito.

Não é fácil nem agradável, em primeiro lugar, porque nenhum dos dois candidatos em confronto é digno da menor confiança. Em segundo lugar, porque, apesar de poderem parecer radicalmente opostos, são na verdade entediantemente parecidos: ambos se insultam mutuamente e ambos apelam ao voto popular para demonizar o rival — que apresentam como “inimigo do povo”.

Estes tiques de vulgar má-criação são justificados, quando não encorajados, por analistas de rara profundidade: uns justificam a má-criação de Bolsonaro por causa do ‘cansaço do povo’ com a corrupção do PT; outros justificam a má- criação de Haddad por causa da ‘ameaça fascista’ de Bolsonaro ‘contra o povo’.

Mas há uma questão prévia que conviria colocar: por que deveríamos ter de aceitar a má-criação e os tiques revolucionários de qualquer um dos dois candidatos? Por que deveríamos ter de aceitar escolher entre a má-criação de um e a má-criação de outro?

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