Estou ainda a verter lágrimas quando penso na tragédia do assassínio de Charlie Kirk, e na sua linda mulher, agora viúva, e filhos de 1 e 3 anos. Eu e uma grande parte dos americanos: choramos como se tivesse sido um familiar nosso, sem saber bem porquê. Acho que por ser um homem íntegro e bondoso, que vivia as virtudes tão heroicamente, especialmente a da coragem, mas também da ternura. Este ato de violência foi de especial horror e malícia, ao silenciá-lo com uma bala na garganta.

Charlie partilhou a sua história pessoal recentemente no podcast do psicólogo canadiano Jordan Peterson. Não frequentou a universidade (e escreveu um livro chamado “College is a Scam”), pois um mentor disse-lhe, és demasiado empreendedor, precisas de começar a criar. Começou a ir para universidades, onde montava uma mesa com uma frase política provocadora e convidava alunos e professores para debaterem as suas ideias com ele. A associação Turning Point (viragem) surgiu desta iniciativa; lançou clubes em universidades pelos Estados Unidos, conferências anuais para jovens e muitos recursos online. O lema dele era: “Não é que os estudantes universitários não concordem com ideias conservadoras, mas sim que os estudantes universitários nunca ouviram ideias conservadoras.”

Num clip muito partilhado nos últimos dias Charlie Kirk explica-se a uma senhora que o abordara, perguntando porque fazia o que fazia, e a quem disse que temos que pôr as ideias em confronto, em vez de estarmos cada vez mais divididos, temos que falar sobre as nossas ideias diferentes. Quando as pessoas param de falar, é que surge a violência.

Charlie Kirk tinha 31 anos e tinha atingido um nível de sucesso inimaginável. Todos os jovens conservadores políticos nos Estados Unidos têm alguma história sobre como ele os motivou ou inspirou, incluindo o vice presidente. No entanto, ele continuava a debater com “qualquer um, em qualquer lado”, porque era o que mais gostava de fazer. Foi recentemente para um programa “Surrounded” no Youtube para debater com jovens, foi a Cambridge e Oxford, e continuava a fazer o que começou a fazer com 18 anos: sentar-se numa mesa, numa universidade, convidar pessoas a irem ao microfone para debaterem ideias com ele. No podcast de Jordan Peterson esclareceu que não tentava “ganhar”, mas cada vez mais tentava olhar as pessoa com respeito e compaixão, na situação e condição que estivessem, sem comprometer a verdade.

Já tinha visitado mais de 200 universidades, e neste ano letivo estava na primeira de 15 programadas. Estava sentado numa mesa, no palco, a responder a perguntas, quando levou com um tiro na garganta de um atirador a 180 metros. O que mais choca nesta história é que Charlie não era político, nem aspirava sê-lo (pelo menos por enquanto). Estava a dialogar com o exato propósito de superar divisão e promover a liberdade de expressão. Em vez de rebater com discurso, silenciaram-no com uma bala.

No momento em que foi morto, Charlie estava a responder a uma pergunta sobre se achava que estamos no meio dum aumento de violência de pessoas trans. Era uma pergunta pertinente, pois um rapaz que se identificava como trans recentemente disparou 116 balas para dentro duma capela dum colégio católico em Minneapolis, Minnesota, onde famílias se reuniam para a missa de abertura do ano letivo. Matou duas crianças. Robert F. Kennedy, secretário da saúde, questionou que se culpasse as armas por estes terríveis acontecimentos cada vez mais frequentes. As armas, disse, sempre existiram nos Estados Unidos, e não é esse o fator social que mudou. Quando ele era adolescente, traziam armas para a escola e tinham até aulas de tiro. Kennedy aponta antes para a quantidade alarmante de medicamentos psiquiátricos que as nossas crianças tomam hoje em dia.

Antes deste atirador trans em Minnesota, também houve outros: Devon Erickson e Maya “Alec” McKinney, em Denver; Sophia Moseley, em Aberdeen; Audrey Hale, em Nashville; Salvador Ramos, em Uvalde; Colt Gray, em Georgia; Dylan Butler, em Iowa;  Kimbrady Carriker, em Philadelphia; e Aderson Lee Aldrich, em Colorado Springs. O número de ataques a igrejas cristãs e católicas aumentou 730% nos Estados Unidos desde 2018, e houve 415 atos hostis em 2024.

Se a direita americana é que tem as armas todas, porque é que a violência está a vir sistematicamente da esquerda? Nunca se descobriu quem estava por detrás do atirador do atentado de Trump. Charlie diz à mesma mulher no vídeo em que fala no diálogo para prevenir violência, que tem câmaras a filmar tudo para a sua segurança, que já foi vítima de vários tipos de agressões e ameaças de morte. De quem?, pergunta a senhora. Da esquerda, diz Charlie.

Desde a primeira eleição de Trump em 2016, que se nota cada vez mais a vilanização da direita pelo jornalismo tradicional. Em vez de dizer “direita”, diz-se “extrema-direita”. Quem tem ideias de direita é extremista, fascista, intolerante, racista, transfóbico e misógino. No dia do assassinato, o Jornal de Notícias publicou que Charlie Kirk era de “extrema direita” e Miguel Milhão comentou por debaixo, “extrema direito o car*****”.

O jornalista Andy Ngo – que já sofreu violência às mãos da organização terrorista Antifa, mas continua a publicar sobre a mesma – mostrou as redes sociais de vários indivíduos e organizações que incitaram à violência depois da mais recente eleição de Trump. Chamam cada vez mais a “pegar em armas” para reclamar os seus direitos, e um desses grupos é de trans.

Charlie disse em vida: “Muitos homens bons são mortos, mas os seus nomes nunca morrem”. Charlie foi verdadeiramente mártir pela verdade e muitas vezes quem fala a verdade é silenciado pela violência. Num vídeo em sua homenagem, publicado pelo @liveaction, é citado a dizer: “Disse Aristóteles que a coragem é a maior das virtudes. Sem coragem, as outras não existem. Se as pessoas não têm coragem, não há honestidade. Não há justiça, não há beleza, não há espanto. Coragem é fazer o que está certo quando não sabes qual vai ser o resultado. Coragem é comprometeres-te com o curso de ação correcto, independentemente do custo associado a iss”o.

Eu ainda choro pela maneira abrupta como o legado dele acabou, e pela crueldade do ato. Pelo menos metade dos americanos também choram. O Presidente Trump disse que nunca houve quem movimentasse jovens para a ação política e que os inspirasse como Charlie Kirk. Será justo chamá-lo de extremista? Corresponde à verdade? Qualquer publicação ou jornalista que use o termo “extrema direita” não devia ser tido como credível, pois já é uma violência, uma calúnia, difamar quem tem opinião diferente.

Quando Miguel Milhão entrevista o jornalista Luís Ribeiro no seu podcast, pergunta-lhe porque é que não conseguem falar de forma neutra e correta de Trump. Ele é amado por pelo menos metade do povo americano. O jornalista responde que é difícil  levar a sério e não achar ofensivo tudo o que diz Trump. E não será cultural, pergunta Miguel Milhão? Como jornalistas, não deveriam respeitar e tentar entender as diferenças culturais?

Eu sou americana e acho uma piada enorme a quase tudo o que diz Trump, quando o diz com a intenção de humor. Também sei, da minha experiência de emigrante, que o humor é a primeira coisa a perder-se numa língua ou num país novo. Não se percebem piadas sem perceber as subtilezas de linguagem, a cultura, os segundos sentidos. Como se pode ter a presunção de pintar a figura do presidente de outro país como um “extremista”, um pouco inteligente, e mais isto e aquilo, quando ele ganhou o voto popular e mais de metade do país o venera? Como se pode ter a presunção de chamar Charlie Kirk extremista ou seja o que for, quando metade do país se identifica com as suas ideias, e chora amargamente a sua morte?

Ao associar a palavra “extrema” à palavra “direita” e a Charlie Kirk, pretende-se insinuar que seria dessas ideias “perigosas”que vêm a violência e a intolerância. Nunca ouvi Charlie insultar ninguém (e já vi muitas horas dele a falar), e morreu com uma bala na garganta no meio do seu trabalho de promover o debate entre ideias diferentes. Pode-se matar o mensageiro, mas não a mensagem, que agora se levantará com mais força e apoio. E sem nada de extremismo.