A escolha de Donald Tusk, actual primeiro-ministro da Polónia, para Presidente do Conselho Europeu constitui uma decisão de elevado significado político. Antes de mais, consolida o grande alargamento a leste da União Europeia, entre 2004 e 2007. Daqui a cem anos, os historiadores dirão que a integração da Europa do Atlântico ao Báltico foi um dos grandes sucessos do princípio do século XXI. Os países da Europa Central não só merecem fazer parte da ‘Europa democrática’ como trazem uma experiência histórica dos últimos cinquenta anos muito útil para a Europa. Naqueles países não há idealismos socialistas nem ilusões sobre a Rússia ou sobre Putin. Sabem o que o socialismo faz à vida e à liberdade das pessoas e experimentaram durante demasiado tempo o poder soviético/russo.

No entanto, em Bruxelas e nalgumas capitais da “velha Europa” muitos olharam com desconfiança para os novos membros da União Europeia. E muitos desses nunca os aceitaram verdadeiramente. A escolha de Tusk, o primeiro da nova Europa a exercer um cargo de topo na UE, consagra-a igualdade entre os velhos e os novos. Não só é justo, como será positivo para a União.

As consequências da escolha de Tusk vão notar-se rapidamente na política externa e sobretudo nas relações com a Ucrânia e a Rússia. Tusk terá um papel muito mais activo nas relações externas do que teve Von Rompuy. Este nunca se sentiu à vontade nas questões internacionais. Além disso, com a sua experiência internacional e diplomática, Durão Barroso foi sempre uma figura de destaque nas relações externas da UE durante os últimos cinco anos de coexistência com o belga. O substituto de Barroso, Juncker, tem igualmente um perfil mais virado para as questões internas europeias. Tusk será assim o homem da política externa da UE.

A Guerra na Ucrânia será a prioridade imediata para Tusk. A Polónia tem desempenhado um papel central nas posições da UE em relação ao conflito. Quer na adopção de sanções contra Moscovo, como no reforço da parceria com Kiev. E Berlim ouve Varsóvia, tal como no futuro Merkel ouvirá o novo Presidente do Conselho Europeu. Aliás, a escolha de Tusk contribui para o reforço da reconciliação germano-polaca, essencial para o futuro da integração europeia.

Além de uma maior firmeza perante a Rússia, a escolha de Tusk confirma o poder da Alemanha. Juncker foi sobretudo uma escolha da CDU e Tusk é uma aposta de Merkel. Veremos qual será o resultado dos sucessos de Berlim, sabendo-se que a acumulação de poder não é normalmente saudável, particularmente nas relações entre Estados. Há contudo um lado positivo. A Alemanha reforça o seu poder na UE, ao mesmo tempo que esta se afasta da Rússia, se aproxima dos EUA e reconhece o papel central da Polónia.

Putin estendeu uma cenoura demasiado envenenada a Berlim: o condomínio russo-germânico sobre a Europa. Seria o pior dos cenários. Até agora, a Alemanha recusou a cenoura russa, preferindo reforçar a sua aliança com a Ucrânia e a Polónia. Só por isso, a escolha de Tusk já seria muito boa para a Europa.